‘John of God’: João é de Deus é citado em arquivo da ‘Biblioteca Epstein’

E-mail foi trocado entre duas pessoas desconhecidas

'John of God': João é de Deus é citado em arquivo da 'Biblioteca Epstein'

‘John of God’: João é de Deus é citado em arquivo da ‘Biblioteca Epstein’ (Foto: Reprodução)

Entre os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na “Biblioteca Epstein“, um deles cita “John of God”, ou seja, João de Deus. Trata-se de um e-mail de dezembro de 2020 em que aparece o nome do brasileiro. Na tradução, fica: “Mulher que acusou o líder de culto, João de Deus, se mata em sua casa na Espanha.” O correio eletrônico foi trocado entre duas pessoas desconhecidas.

A mensagem é uma referência à ativista Sabrina Bitencourt, que morreu em Barcelona. Em 2019, ela denunciou o médium e disse que ele teria escravas sexuais que eram obrigadas a engravidar, sendo os bebês vendidos para estrangeiros por até US$ 50 mil.

O texto no corpo do e-mail dá a entender que o financista Jeffrey Epstein teria feito algo semelhante no Rancho do Zorro, no Novo México. “Falou sobre isso estar acontecendo no Zorro Ranch [Rancho do Zorro]. Ela disse oficialmente que Epstein lhe ofereceu dinheiro para fazer isso. Dar à luz bebês para uso no mercado negro. Obrigado por investigar isso.” Com o envio, um link para uma reportagem do The Sun sobre a morte da ativista.

Sobre o site onde estão os arquivos, ele “contém materiais que atendem aos requisitos da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein. Este site será atualizado caso documentos adicionais sejam identificados para divulgação”. Ainda conforme a descrição, “alguns dos conteúdos da biblioteca incluem descrições de agressão sexual. Portanto, esteja ciente de que certas partes desta biblioteca podem não ser apropriadas para todos os leitores”.

É preciso destacar que nem todo nome na lista representa prática de crimes. Qualquer pessoa que já teve alguma relação social com o financista aparece na lista.

Caso Epstein

O caso Epstein é considerado um dos maiores escândalos de tráfico sexual e abuso de menores da história. Este envolvia o financista bilionário e uma rede de influência global. Jeffrey mantinha amizades como Bill Clinton, Donald Trump, Bill Gates e o Príncipe Andrew (Reino Unido).

Conforme as investigações, ele atraía jovens mulheres, com auxílio de sua ex-namorada e sócia Ghislaine Maxwell, para suas propriedades com promessas de dinheiro e ajuda profissional. Muitas delas em situação de vulnerabilidade.

Ele chegou a ser preso em 2005, na Flórida, mas conseguiu um acordo para evitar acusações federais mais graves e cumpriu 13 meses de prisão por prostituição de menores. Em 2019, contudo, foi novamente detido em Nova York por tráfico sexual de menores após novas denúncias. Em agosto daquele ano, o bilionário foi encontrado morto em sua cela. A informação oficial foi “suicídio por enforcamento”.

Ghislaine, por sua vez, foi condenada em 2021 a 20 anos de prisão por tráfico sexual e auxílio no recrutamento das vítimas.

Condenações

João de Deus foi condenado em 15 processos que somam 458 anos, 11 meses e 5 dias de reclusão, segundo o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) por crimes praticados contra 66 vítimas. Houve, todavia, a extinção da punibilidade pela decadência ou prescrição em relação a 120 vítimas.

Há mais de três anos, ele vive preso em regime domiciliar, em Anápolis, com a advogada Lara Cristina Capatto. Ele ainda administra seus negócios, atuando no ramo espiritual. Ele é um dos responsáveis pela produção e venda de mesas de cristal. Os itens prometem cura e valem mais de R$ 15 mil na internet.