Jeffrey Epstein negociou compra de agência de modelos brasileira para ‘ter acesso a garotas’

Bilionário condenado por crimes sexuais avaliou acordo com Ford Models em 2016

Jeffrey Epstein negociou compra de agência de modelos brasileira para 'ter acesso a garotas' Bilionário Ford Models em 2016

Foto: Divulgação/Departamento de Justiça dos Estados Unidos

Mensagens reveladas em novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que Jeffrey Epstein demonstrou interesse em comprar uma agência de modelos brasileira com o objetivo explícito de “ter acesso a garotas”. As conversas, datadas de outubro de 2016, fazem parte de um lote de cerca de três milhões de páginas, além de vídeos e imagens, recentemente tornados públicos e analisados pelo jornal O Globo.

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Nos e-mails, um associado de Epstein identificado como Ramsey Elkholy apresenta relatórios sobre três grandes agências de modelos do BrasilElite, Ford Models e L’Équipe — além de mencionar a revista Harper’s Bazaar. Em um dos trechos, Elkholy sugere que o bilionário estaria menos interessado no aspecto comercial e mais no acesso direto a jovens modelos, usando inclusive emojis para se referir às garotas.

De acordo com as mensagens, Epstein teria pedido que fosse assinado um acordo de confidencialidade para avançar nas negociações com a Ford Models. Procurado, o CEO da agência no Brasil, Décio Restelli Ribeiro, afirmou que não se recorda de qualquer negociação, disse que a empresa nunca esteve à venda e negou qualquer relação com Epstein. “Fico chateado e enojado de ver a marca citada por quem tem interesses escusos”, declarou.

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Nas conversas, Elkholy também descreve o funcionamento de concursos de modelos, como o Elite Model Look, apontando esse formato como uma forma de “ter acesso a todas as garotas”. Ele menciona que um concurso desse tipo no Brasil custaria cerca de US$ 250 mil e permitiria levar jovens para os Estados Unidos, Europa ou Caribe, com apoio de agências que cuidariam dos vistos. As mensagens trazem comentários explícitos sobre controle, seleção e deslocamento das participantes.

Além da Ford e da Elite, a L’Équipe é citada como uma agência menor, avaliada em aproximadamente US$ 1,5 milhão, e vista como um possível investimento. Elkholy também afirma ter interesse em uma participação na Harper’s Bazaar, aguardando auditoria para definir valores.

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Ramsey Elkholy, músico e produtor, já havia sido citado em outros documentos do caso como olheiro e recrutador de modelos para Epstein. Seu nome aparece mais de 2.200 vezes nos arquivos divulgados, muitas delas em trocas de mensagens que mencionam encontros com mulheres, inclusive brasileiras, acompanhadas de fotos e descrições.

Entenda o caso Epstein

Jeffrey Epstein foi um gestor de fortunas americano que manteve relações com figuras influentes do meio político, empresarial e acadêmico. A partir dos anos 2000, passou a ser alvo de acusações de abuso e exploração sexual de menores. Preso novamente em 2019 por crimes federais de tráfico sexual, foi encontrado morto na prisão em 10 de agosto daquele ano, em um caso oficialmente tratado como suicídio.

A nova leva de documentos divulgados pelo governo dos EUA tem revelado detalhes inéditos sobre a atuação de Epstein e seus associados, reacendendo o debate público sobre um dos maiores escândalos da história recente dos Estados Unidos.