Instituto Delta Proto esvazia sede e deixa alunos sem respostas e documentos em Rio Verde

Prédio de instituto sofre possível despejo e móveis são levados em caminhão de mudança

Imagem da retirava de móveis

Após ultimato para entrega de documentos, instituto é flagrado em mudança (Foto: cedida ao Mais Goiás)

Inglid Martins

Convocados para retirada de documentos, alunos do Instituto Delta Proto encontraram a sede em processo de esvaziamento, sem qualquer comunicado oficial da direção, na última sexta-feira (13/2), em Rio Verde. Estudantes revelaram com exclusividade ao Mais Goiás que foram chamados com promessa de atendimento entre as 14h e 18h, mas se depararam com um caminhão de mudanças já carregado com os itens da instituição. Apenas sete matriculados foram atendidos.

A situação é mais um capítulo da crise financeira contraída pela empresa após a prisão do delegado Dannilo Proto e da esposa dele, Karen Proto, investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público, por suspeita de desvio de recursos públicos, fraude em concursos e contratos educacionais, além de coação. Professores acumulam salários atrasados e alunos, prejuízos sem retorno dos investimentos realizados.

Fim das atividades

Em comunicado enviado aos alunos, o Instituto Delta Proto informou que não abriria as portas no dia previsto [quinta-feira 12/2] e que a entrega dos documentos de transferência seria realizada exclusivamente na sexta-feira. Na mesma mensagem, a instituição alertou que encerraria definitivamente suas atividades às 18h daquele dia, orientando os estudantes a se organizarem para retirar a documentação dentro do prazo estipulado.

Imagem do perfil
Perfis do Delta Proto tiveram todo o histórico apagado, deixando alunos sem canais oficiais de informação (Foto: reprodução / redes sociais)

“Aos alunos que ainda não retiraram os documentos de transferência, informo que hoje a instituição não estará aberta. Assim, a entrega dos documentos será realizada na sexta-feira, dia 13/02/2026, das 14h às 18h. Atenção: a instituição funcionará somente até o dia 13/02/2026, às 18h. Portanto, pedimos que todos se organizem para realizar a retirada dentro do prazo informado”, informou a instituição.

Apenas sete atendidos

Até por volta das 17h41, cerca de sete estudantes que haviam chegado três horas mais cedo ainda aguardavam na calçada por um atendimento que parecia não vir. O clima de desolação aumentou quando notaram que as redes sociais do instituto foram completamente “limpas”, com todo o histórico de postagens e informações apagado, sem nenhum aviso sobre mudança de gestão ou encerramento definitivo das atividades.

Segundo um dos alunos ouvidos pela reportagem, os filhos de Dannilo Proto — que atuavam na administração da unidade após a detenção do casal proprietário — não iniciaram o atendimento no horário combinado. “Um deles só apareceu depois das 19h, quando já havia um clima de desespero entre pais e alunos, que estavam chorando, sem saber o que fazer com tanto dinheiro investido nos cursos”, revelou.

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Imagem do casal
O delegado Dannilo Proto e sua esposa, Karen Proto, são alvos de apuração do Gaeco por suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos (foto: reprodução)

Escândalo colapso administrativo

A situação crítica do Instituto Delta Proto não é recente, mas a crise se aprofundou drasticamente após a prisão de seus proprietários, o delegado Dannilo Proto e sua esposa, Karen Proto. O reflexo direto das investigações chegou às salas de aula e resultou no encerramento abrupto das turmas de Radiologia e Necropsia na última terça-feira (10), gerando revolta entre os estudantes. Além do impacto pedagógico, a unidade lidava com possibilidade de despejo, em razão dos atrasos persistentes no pagamento de aluguel e serviços básicos, como água e luz.

O cenário de abandono atinge até mesmo quem já finalizou os estudos; há diversos relatos de alunos que concluíram a carga horária, mas nunca tiveram acesso ao estágio obrigatório ou sequer receberam seus diplomas, ficando sem saber como agir diante da atual situação jurídica dos donos da instituição.

Imagem feita pelos alunos
Alunos chegaram a chamar a Polícia Militar após o anúncio do fim dos cursos (Foto: cedida ao Mais Goiás)

Dívidas e crise financeira

Procurado para esclarecer os fatos, o advogado Cil Farney, que representa o delegado Dannilo Proto, afirmou que a empresa está realizando uma auditoria interna para apurar os dividendos referentes aos diplomas e à permanência dos alunos nos cursos. Segundo o defensor, a diretoria estaria “reunida e empenhada em resolver todas as pendências”, embora o cenário encontrado pelos alunos no local nesta sexta-feira sugira um encerramento desordenado das operações.

O Mais Goiás entrou em contato com a administração do Instituto Delta Proto e com a defesa dos proprietários para solicitar informações atualizadas sobre o atendimento aos alunos e o destino da instituição, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

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