Incendio Sao Carlo Acutis – Foto: Corpo de Bombeiro
Um incêndio de grandes proporções atingiu o mosteiro de Bernaga, em La Valletta Brianza, na Lombardia, norte da Itália, na noite de sábado para domingo, 11 de outubro de 2025. O edifício, construído em 1628, ficou quase totalmente destruído pelas chamas. Vinte e duas freiras enclausuradas que residiam no local foram evacuadas a tempo pelos bombeiros.
Nove equipes de bombeiros intervieram no resgate e no combate ao fogo, que se espalhou rapidamente pelo telhado de madeira. Duas irmãs precisaram de atendimento médico por inalar fumaça, mas todas saíram ilesas. O mosteiro é conhecido por ser o lugar onde São Carlo Acutis, canonizado em 7 de setembro de 2025 pelo Papa Leão XIV, recebeu sua primeira comunhão em 16 de junho de 1998.
As freiras pertencem à Ordem das Romitas Ambrosianas, fundada no século XVII. Elas ocupavam o convento há gerações, dedicando-se à oração e ao silêncio. O governador da Lombardia, Attilio Fontana, manifestou solidariedade pública às afetadas.
- Principais itens salvos: pinturas antigas e relíquia de São Carlo Acutis.
- Documentos perdidos: arquivos históricos e pertences pessoais das freiras.
- Artefatos destruídos: crucifixo doado por Paulo VI, ainda em busca entre os escombros.
Origens do mosteiro e sua relevância histórica
O mosteiro de Bernaga foi erguido em 1628 como centro de retiro espiritual na região de Lecco, próximo a Milão. Sua arquitetura barroca incluía capelas e salas de oração que atraíam fiéis locais há séculos. O local funcionava como ponto de formação religiosa para jovens da comunidade.
Ao longo dos anos, o convento abrigou eventos litúrgicos importantes, incluindo sacramentos para crianças da vizinhança. Em 1998, Carlo Acutis, então com sete anos, participou ali de sua primeira eucaristia, marco inicial em sua jornada de devoção. A canonização recente do santo elevou o status do mosteiro para peregrinos católicos.
Autoridades locais descreveram o incêndio como uma perda irreparável para o patrimônio cultural da Lombardia. Equipes de preservação agora avaliam os restos para possíveis recuperações. O prefeito de La Valletta Brianza, Marco Panzeri, classificou o ocorrido como catástrofe com danos incalculáveis.
Ação rápida dos bombeiros evita vítimas
Os bombeiros foram acionados por volta das 22h de sábado, quando as freiras notaram fumaça no telhado. Nove veículos e mais de 50 profissionais chegaram em minutos e coordenaram a evacuação. As irmãs saíram pelo portão principal, guiadas por lanternas em meio à escuridão.
O fogo consumiu o telhado de madeira em instantes, espalhando-se para as paredes internas. Equipes usaram escadas e mangueiras para conter as chamas, mas o prédio já apresentava colapso estrutural. Operações de resfriamento prosseguiram até a madrugada de domingo.
Duas freiras, de idades avançadas, foram levadas ao hospital de Lecco para exames. Elas receberam alta no mesmo dia, sem complicações graves. O comandante dos bombeiros destacou a cooperação das residentes no resgate.
Vídeos divulgados mostram o prédio envolto em chamas, com labaredas atingindo 20 metros de altura. A operação total durou oito horas, incluindo bonificações para evitar reignições.
Transferência das freiras para novo abrigo
As 22 freiras foram realocadas para um convento vizinho em Mandello del Lario, a 15 quilômetros de distância. A estrutura temporária oferece celas e capela para manter a rotina de oração. A ordem ambrosiana coordena o apoio logístico.
Elas levaram consigo itens essenciais salvos do incêndio, como livros litúrgicos e vestes. A relíquia de São Carlo Acutis, um pedaço de tecido de suas roupas, foi recuperada intacta entre os detritos. Pinturas do século XVII também escaparam da destruição total.
A arquidiocese de Milão prometeu assistência financeira para a reconstrução. Doações de paroquianos já começaram a chegar via canais oficiais. As irmãs expressaram gratidão pela solidariedade em comunicado interno.
Suspeitas iniciais sobre a causa do fogo
Investigadores da polícia italiana examinaram o local na segunda-feira, 13 de outubro. A hipótese principal aponta para um curto-circuito no sistema elétrico antigo do convento. Peritos coletaram amostras de fios e painéis danificados.
O mosteiro usava instalações elétricas originais de décadas atrás, sem atualizações recentes. Relatos das freiras mencionam cheiro de queimado horas antes do alarme. Análises laboratoriais confirmam traços de sobrecarga em cabos.
Outras possibilidades, como falha em aquecedores, foram descartadas por falta de evidências. O inquérito prossegue com depoimentos das residentes. Resultados preliminares devem sair em uma semana.
Autoridades recomendam inspeções preventivas em edifícios históricos semelhantes. O caso reforça debates sobre manutenção em patrimônio religioso na Itália.
Legado espiritual de São Carlo Acutis no local
Carlo Acutis, nascido em 1991 em Londres e falecido em 2006 por leucemia, frequentava o mosteiro desde criança. Sua primeira comunhão marcou o início de uma vida dedicada à eucaristia, que ele chamava de “rodovia para o céu”. Aos 15 anos, criou um site catalogando milagres eucarísticos, acessado por milhões.
A canonização em setembro de 2025 atraiu 620 mil visitantes ao seu túmulo em Assisi nos primeiros oito meses do ano. O mosteiro de Bernaga recebia peregrinações anuais em homenagem ao santo. Fotos de sua cerimônia de 1998 circulam em arquivos da família.
A relíquia salva simboliza continuidade de sua influência. Fiéis planejam visitas aos escombros como ato de devoção. A diocese local organiza missas virtuais para unir a comunidade.
O incêndio ocorreu no dia da primeira festa litúrgica de Acutis, 12 de outubro, coincidência notada por autoridades eclesiais. Seu exemplo de fé digital inspira jovens católicos na era online.
Esforços para preservação de relíquias
As freiras priorizaram itens sagrados durante a fuga, carregando-os manualmente. A relíquia de Acutis foi encontrada em uma capela lateral, protegida por um cofre de metal. Especialistas em restauração agora limpam pinturas resgatadas.
Documentos do século XVII, como atas de fundação, foram perdidos nas chamas. Um crucifixo de Paulo VI permanece desaparecido nos escombros. Equipes de arqueologia eclesial vasculham o terreno com detectores.
A arquidiocese cataloga perdas para seguros e doações. Campanhas online arrecadam fundos para réplicas de artefatos. Especialistas estimam custos de recuperação em centenas de milhares de euros.
O mosteiro abrigava uma biblioteca com 500 volumes raros, muitos carbonizados. Sobreviventes incluem edições de orações do século XVIII. Esses esforços visam restaurar o acervo espiritual.


