Polícia busca entender o que era feito com o material. “Queremos saber se compartilhava, comercializava, com quem fazia contato”, diz delegado
Foram apreendidos mais de 180 pendrives e três celulares cheios de fotos e vídeos (Foto: Reprodução/PCGO)
Um idoso de 73 anos foi preso na última terça-feira (3/2) suspeito de armazenar material de exploração sexual de crianças e adolescentes, em Goiânia. Na casa do suspeito foram encontrados e apreendidos mais de 180 pen drives, além de três aparelhos celulares, cheios de conteúdos de abuso infantil.
Em entrevista ao Mais Goiás, o delegado responsável pelo caso, Guilherme Henrique Sá, da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), explicou que após meses de investigação, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do suspeito e confirmou a apuração policial.
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“São tantos arquivos que não conseguimos nem contabilizar ainda. Estamos falando, por baixo, em um milhão. Essa estimativa se dá pela capacidade de cada pendrive apreendido, além da capacidade de armazenamento dos três celulares que apreendemos. Todos lotados”, explicou o delegado à reportagem.
Guilherme acrescentou que o material será encaminhado, agora, para análise da Polícia Técnico-Científica. “Eles vão fazer a perícia de tudo. Mas já vimos que existem todos os tipos de violência sexual ali. São materiais acessados por diferentes caminhos e armazenados por esse senhor pelos menos desde 2018”, disse o delegado.
Em outro trecho da entrevista concedida ao Mais Goiás, Guilherme explicou que, apesar da prisão em flagrante, o trabalho da Polícia Civil não se dá por encerrado.
“O próximo passo da investigação é entender o que ele fazia com tudo isso. Queremos saber, por exemplo, se ele compartilhava, comercializava, com quem ele fazia contato”, disse ao explicar que a polícia pode, inclusive, alcançar outras pessoas por meio dele. “Queremos acessar essa rede”, arrematou.
Além de utilizar os aparelhos e dispositivos apreendidos, a polícia também identificou arquivos mantidos em nuvem pelo suspeito. “Apesar do pouco tempo, foi um intervalo de três meses entre a identificação e a prisão do suspeito, fizemos um amplo trabalho investigativo”, disse Sá.
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Segundo ele, a polícia conta com mecanismos e instrumentos cibernéticos que permite a localização, identificação e, finalmente, a prisão dos suspeitos que acessam, armazenam ou comercializam esse tipo de material na internet. “Inclusive na deepweb”, acrescentou o titular da DERCC.
O suspeito preso em flagrante deve responder agora pelo crime previsto no artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que tipifica o armazenamento de material de pornografia infantil. O homem morava sozinho em Goiânia e não teve identidade divulgada, razão pela qual a defesa não foi localizada. O espaço seguirá aberto para manifestação do contraditório.


