Ferramenta foi desenvolvida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
IA criada pelo TJGO que encontra ações repetitivas já analisou 2,5 milhões de processos no País (Foto: Gil Ferreira – Agência CNJ)
A Berna, uma ferramenta de inteligência artificial (IA) desenvolvida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), chegou a todos os tribunais do País nesta semana. Com o intuito de identificar ações repetitivas e apoiar o enfrentamento da litigância predatória, ela foi integrada à Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ-Br) pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Antes, contudo, ela analisou cerca de 2,5 milhões de processos ajuizados entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026 em 88 tribunais brasileiros. Em território goiano, ela é utilizada desde 2020.
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Nesses milhões de processos, a IA goiana organizou o volume em mais de 353 mil grupos de ações similares. Com isso, os magistrados podem acessar a plataforma e verificar os processos semelhantes identificados em seus respectivos tribunais. A ferramenta, conforme o TJGO, é capaz de identificar e apontar padrões de repetição, pedidos padronizados e argumentações idênticas, características comuns em casos de litigância predatória (em casos de ajuizamento em massa de ações repetidas ou padronizadas).
O diretor de Inteligência Artificial, Ciência de Dados e Estatística do TJGO, Antônio Pires de Castro, explica que a “Berna identifica, por meio de critérios matemáticos objetivos, padrões de semelhanças, destacando ações que tratam do mesmo tema, apresentam pedidos padronizados ou seguem um modelo repetitivo de argumentação. Quando encontra similaridade igual ou superior a determinado coeficiente entre peças processuais, a ferramenta reúne esses casos em grupos de similares”.
Segundo o juiz auxiliar da Presidência do TJGO, Gustavo Assis Garcia, “casos que apresentam padrões similares podem ser analisados de forma conjunta, respeitadas as especificidades de cada processo. Assim, a Berna fortalece a atuação institucional no enfrentamento de litigâncias predatórias, permitindo a identificação mais rápida de padrões artificiais de ajuizamento em massa. O resultado é um Judiciário mais estratégico, com maior capacidade de antecipar repetições e de organizar respostas coordenadas”.
Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), Leandro Crispim afirmou que a nacionalização é um avanço na política de inovação do Judiciário brasileiro. “Fundamentada em técnicas avançadas de processamento de linguagem natural, a ferramenta Berna lê e interpreta os documentos processuais e identifica similaridades de teses jurídicas. Isso permite ao Judiciário transformar grandes volumes de dados em inteligência para a tomada de decisões”, destacou.
É importante ressaltar que, no próximo dia 19 de março, o Conselho Nacional de Justiça realiza o webinário “Conheça a Berna — A inteligência artificial que apoia o combate à litigância abusiva”. O evento terá transmissão ao vivo pelo Microsoft Teams e pelo canal do CNJ no YouTube a partir das 15h. É possível se inscrever até 17 de março AQUI.



