Hong Kong registra 55 mortes em fogo que consome arranha-céus no distrito de Tai Po

Foto: Sobe para 55 o número de mortos em incêndio em Hong Kong – Reprodução/ TV Globo

Autoridades de Hong Kong confirmam 55 mortes em um incêndio que atingiu o complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, na quarta-feira (26). O fogo começou por volta das 14h51 locais e se espalhou rapidamente por oito torres de mais de 30 andares cada. Equipes de bombeiros mobilizaram mais de 700 agentes para combater as chamas, que persistem pelo segundo dia consecutivo.

O incidente, o mais letal na região em três décadas, feriu 72 pessoas, principalmente por queimaduras e inalação de fumaça. Quase 300 moradores permanecem desaparecidos, muitos presos nos andares superiores devido ao calor intenso.

O Departamento de Bombeiros elevou o alerta para o nível 5, o máximo da escala, horas após o início do sinistro.

  • Mais de 400 policiais auxiliaram no resgate e isolamento da área.
  • Uma seção da rodovia Tai Po foi fechada, com desvios em linhas de ônibus.
  • Dois quarteirões vizinhos foram evacuados temporariamente.

Origem das chamas nos andaimes

Investigadores apontam que o fogo surgiu na estrutura de andaimes de bambu usados em reformas no complexo.

Essas estruturas, cobertas por telas verdes, facilitaram a propagação rápida das chamas entre as torres. O complexo, construído em 1983, abriga cerca de 4.600 moradores em 2 mil apartamentos e passa por uma renovação orçada em 330 milhões de dólares de Hong Kong.

Autoridades verificam se os materiais atendiam aos padrões de segurança contra incêndios.

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Sobe para 55 o número de mortos em incêndio em Hong Kong – Reprodução/ TV Globo

Prisões por suspeita de negligência

Três executivos da construtora Prestige Construction & Engineering Company foram detidos na quinta-feira (27).

A polícia realizou buscas no escritório da empresa e apreendeu documentos como evidências. Os suspeitos respondem por homicídio culposo, devido à possível falha na supervisão das obras.

A superintendente Eileen Chung destacou que a negligência contribuiu para o alastramento do fogo.

Esforços de resgate em andamento

Bombeiros enfrentam temperaturas elevadas dentro dos prédios, o que complica as operações de busca.

Um bombeiro figura entre as vítimas fatais, e outros agentes sofreram lesões durante o combate. Até o momento, quatro dos oito blocos tiveram o fogo extinto, enquanto três estão sob controle parcial.

Equipes priorizam a localização de desaparecidos nos andares mais altos.

  • Sobreviventes recebem abrigo em centros comunitários.
  • Hospitais locais atendem os feridos com prioridades em queimaduras graves.
  • Voluntários auxiliam na distribuição de suprimentos aos desalojados.

Histórico de riscos em construções altas

Hong Kong registra 558 arranha-céus acima de 150 metros, reflexo da densidade urbana extrema.

O último incêndio grave ocorreu em 1996, com 41 mortes em um edifício comercial, levando a revisões em normas de segurança. Entre 2019 e 2024, 22 trabalhadores morreram em acidentes com andaimes de bambu.

Este ano, ao menos três incidentes semelhantes foram reportados.

O governo planeja restringir o uso de bambu em obras, substituindo por metal em estruturas modernas.

Normas de segurança sob escrutínio

O Observatório de Hong Kong emitiu alerta vermelho para risco de incêndio desde segunda-feira (24), citando baixa umidade e ventos fortes.

Especialistas em construção questionam a conformidade das telas usadas nas reformas.

  • Materiais inflamáveis aceleraram a disseminação entre torres.
  • Falhas em saídas de emergência agravaram o aprisionamento de moradores.
  • Inspeções regulares em prédios altos serão intensificadas após o caso.

O líder da região, John Lee, determinou uma investigação completa sobre padrões de edificação.

Mobilização de recursos públicos

O complexo Wang Fuk Court integra o programa de moradias subsidiadas, afetando famílias de baixa renda. Escolas próximas, como a Batista de Tai Po, suspenderam atividades e orientaram pais a evitar a zona.

Autoridades distribuem assistência financeira inicial aos impactados. O presidente chinês Xi Jinping enviou condolências e instruiu esforços para reduzir perdas adicionais.