Gaza – Foto: Anas-Mohammed / Shutterstock.com
O grupo Hamas anunciou nesta sexta-feira, 3 de outubro de 2025, sua disposição para libertar todos os 48 reféns israelenses mantidos em Gaza, incluindo vivos e mortos, conforme a proposta de paz apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A resposta veio horas após o ultimato dado por Trump, que exigiu aceitação até domingo sob ameaça de intensificação das operações militares israelenses. O comunicado, divulgado no Telegram, enfatiza a entrada imediata em negociações mediadas para alinhar divergências nos 20 pontos do plano.
Essa posição surge em meio ao conflito que dura quase dois anos, iniciado pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou em 1.200 mortes em Israel e levou a uma ofensiva que causou mais de 66 mil mortes em Gaza, segundo autoridades locais.
O Hamas condiciona a liberação à garantia de cessar-fogo permanente e retirada total das forças israelenses do enclave.
- Principais reféns: 20 vivos e 28 mortos ou presumidos mortos.
- Troca proposta: Israel solta 250 prisioneiros perpétuos e 1.700 detidos de Gaza.
- Prazo: 72 horas após acordo público.
Tensões internas no Hamas
A liderança política do Hamas, baseada em Doha, no Catar, inclina-se para aprovação condicional do plano, priorizando o fim imediato da guerra. Essa ala vê no apoio de Trump uma oportunidade para resguardar a implementação via mediadores como Catar e Egito.
No entanto, a ala militar, operando em Gaza, resiste a cláusulas que exigem desarmamento total e exclusão do grupo da governança futura do território. Fontes internas indicam que essa divisão atrasa uma resposta unificada, com debates sobre a soberania palestina.
Detalhes da proposta americana
O plano de Trump, aceito por Israel na segunda-feira, 29 de setembro, prevê suspensão imediata de combates e congelamento das linhas de frente durante a troca de prisioneiros. As forças israelenses recuariam gradualmente para uma zona de segurança no perímetro, vinculada à desmilitarização de Gaza.
A iniciativa inclui entrada maciça de ajuda humanitária, alinhada ao acordo de janeiro de 2025, com foco em reabilitação de infraestrutura como água, eletricidade e hospitais. A distribuição caberia à ONU e ao Crescente Vermelho, abrindo a passagem de Rafah em ambas as direções.
Além disso, o texto assegura que Israel não anexará Gaza, mantendo presença limitada até eliminação de ameaças terroristas. Uma zona econômica especial seria criada para reconstrução, com tarifas preferenciais negociadas por países participantes.
Por fim, o plano abre caminho para diálogo inter-religioso visando coexistência, sem forçar deslocamentos populacionais e incentivando a permanência de moradores para uma Gaza revitalizada.
Mecanismos de transição e reconstrução
A administração de Gaza passaria para uma comissão de tecnocratas palestinos independentes, supervisionada pelo “Conselho da Paz”, órgão internacional presidido por Trump e com figuras como Tony Blair. Esse comitê gerenciaria serviços públicos e financiamento até a Autoridade Palestina retomar o controle após reformas.
Militantes do Hamas que optarem por coexistência pacífica receberiam anistia e poderiam deixar o território com passagem segura, desde que o grupo renuncie a qualquer papel governamental.
A desmilitarização envolveria destruição de túneis e armas, com monitoramento independente e programa de reintegração financiado internacionalmente.
Reações regionais ao plano
Países árabes, europeus e a Autoridade Palestina manifestaram apoio inicial à proposta, vendo nela chance de estabilidade. Mediadores como Egito e Turquia pressionam o Hamas por concessões, destacando benefícios para civis em Gaza.
Analistas apontam que a rejeição total poderia isolar o grupo, prolongando o sofrimento humanitário com mais de 168 mil feridos registrados. Israel, por sua vez, reforça que prosseguirá com operações se não houver adesão plena.
Uma fonte do Hamas enfatizou que o foco inicial é na troca de prisioneiros, adiando debates sobre direitos palestinos para fóruns nacionais unificados.
Avanços na ajuda humanitária
A proposta garante suprimentos mínimos de alimentos, remédios e equipamentos para remoção de escombros, beneficiando 2,3 milhões de habitantes. Isso inclui reabertura de padarias e estradas, essencial após bombardeios que destruíram 80% da infraestrutura.
Organizações internacionais preparam logística para distribuição equitativa, evitando interrupções vistas em fases anteriores do conflito.
O influxo de ajuda visa mitigar a fome, que já causou 440 mortes, incluindo 147 crianças, segundo dados da ONU.


