Faixa de Gaza – Foto: ImageBank4u / Shutterstock.com
Khalil Al-Hayya, negociador-chefe do Hamas, anunciou nesta quinta-feira (9), em Gaza, o fim da guerra com Israel. O grupo aceitou a proposta de paz apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após garantias de mediadores árabes e americanos. O acordo visa interromper as hostilidades iniciadas em outubro de 2023, com foco na libertação de reféns e na entrada de ajuda humanitária.
O pronunciamento ocorreu em meio a negociações intensas no Egito, envolvendo Catar, Turquia e Egito como facilitadores. Al-Hayya destacou que o cessar-fogo permanente depende da implementação imediata das cláusulas iniciais. Autoridades israelenses devem votar a ratificação do plano nas próximas horas.
- Libertação de cerca de 20 reféns vivos e restos mortais de 28 outros em 72 horas;
- Troca por 1.700 a 2.000 prisioneiros palestinos detidos em Israel;
- Recuo parcial das tropas israelenses para posições pré-definidas na Faixa de Gaza.
Detalhes iniciais do acordo bilateral
O plano de Trump, com 20 pontos, estabelece a primeira fase como suspensão das operações militares. Tropas israelenses recuarão de áreas centrais em Gaza, permitindo a reabertura do cruzamento de Rafah em ambas as direções. Essa medida facilitará o fluxo de suprimentos essenciais para a população local.
Mediadores confirmaram que o documento inclui cronograma para reconstrução sob supervisão de um comitê internacional. O Hamas agradeceu o apoio de aliados regionais durante o conflito, mas enfatizou a necessidade de adesão estrita por todas as partes.
Histórico do conflito e números oficiais
O confronto começou com ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, resultando em 1.200 mortes em Israel e sequestro de 251 pessoas. A resposta israelense causou mais de 60 mil mortes em Gaza, segundo dados das autoridades palestinas e israelenses.
Desde então, tentativas de trégua falharam em novembro de 2023 e janeiro de 2025, devido a divergências sobre desarmamento e retirada total. A proposta atual aborda esses pontos com fases progressivas, priorizando a desmobilização gradual do Hamas.
A Assembleia Geral da ONU aprovou em junho uma resolução com 149 votos favoráveis, exigindo cessar-fogo incondicional e fim do bloqueio humanitário. Esses elementos influenciaram as negociações recentes, ampliando o escopo do acordo.
Garantias internacionais e implementação
Os Estados Unidos e mediadores árabes forneceram asseguramentos escritos de que a primeira fase leva ao encerramento definitivo da guerra. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou apoio à execução plena, com aumento na entrega de ajuda.
A Comissão Europeia elogiou o avanço, destacando a liberação de todos os reféns de forma digna. O presidente palestino, Mahmud Abbas, vê o pacto como base para uma solução política de longo prazo.
Medidas humanitárias imediatas
A entrada de 400 caminhões de ajuda diária ocorrerá nos primeiros cinco dias, com escalonamento gradual. Essa ação visa mitigar a crise de fome e deslocamento, afetando milhões na região. Organizações como a Cruz Vermelha coordenarão a distribuição inicial.
O acordo não especifica o desarmamento completo do Hamas, mas prevê anistia condicional para membros que se comprometam com a coexistência pacífica.
Reações de líderes regionais
O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, destacou o progresso nas discussões em Sharm el-Sheikh. Autoridades turcas relataram avanços significativos, com foco na retirada israelense completa em etapas futuras.
Em Israel, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, expressou reservas sobre o desmantelamento do Hamas, mas o gabinete deve aprovar o plano. Palestinos em Khan Younis registraram comemorações espontâneas nas ruas, conforme relatos locais.
Fontes egípcias indicam que o fluxo de suprimentos médicos priorizará hospitais no sul de Gaza. O ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, confirmou o empenho em um resultado positivo.
Fases subsequentes e supervisão
A segunda fase envolverá a libertação adicional de prisioneiros e o início da reconstrução sob um governo transitório liderado por tecnocratas palestinos. Essa estrutura temporária excluirá grupos armados, promovendo uma zona desmilitarizada.
O plano Trump exige a dissolução das capacidades militares do Hamas, com monitoramento por forças internacionais. Detalhes sobre o cronograma de retirada total permanecem em discussão, mas fontes indicam compromisso mútuo.
Uma fonte israelense revelou que mais da metade do território de Gaza será mantida inicialmente sob controle militar, com devolução progressiva. O Hamas insistiu em garantias contra violações, citando incidentes passados em março de 2025.
Avanços nas negociações mediadas
Delegações do Hamas, lideradas por Al-Hayya, e de Israel reuniram-se indiretamente no Egito desde domingo. O presidente Trump anunciou que o acordo está próximo de detalhes finais, com votação israelense prevista para esta tarde.
O plano aborda demandas palestinas por soberania, incluindo a formação de um Estado independente. Mediadores árabes coordenaram alterações à proposta original, incorporando calendários para cessar-fogo e ajuda.
Essa etapa inicial dura 42 dias, com extensão possível baseada em cumprimento. Autoridades americanas expressaram otimismo quanto à liberação rápida de reféns, aliviando a pressão sobre famílias israelenses.
Preparativos para a reconstrução
Gaza receberá suprimentos para reparar infraestruturas danificadas, com prioridade para água e eletricidade. A ONU participará dos esforços, garantindo transparência na alocação de recursos.
O acordo inclui a devolução de corpos de soldados israelenses em troca de prisioneiros condenados à perpétua. Essa troca humanitária marca um avanço em negociações paralisadas há meses.
Palestinos deslocados poderão retornar a áreas seguras, com apoio logístico internacional. O foco permanece na estabilização, evitando escaladas regionais envolvendo Líbano ou Iêmen.

