Hacker expõe perfis de brasileiros em aplicativo de relacionamento para supremacistas brancos

Redação
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Hacker expõe perfis de brasileiros em aplicativo de relacionamento para supremacistas brancos

Uma hacker alemã revelou ter invadido três sites ligados a movimentos de supremacistas brancos, roubando mais de 100 GB de dados e retirando as plataformas do ar durante uma ação realizada ao vivo. Conhecida como Martha Root, a ativista executou o ataque enquanto participava de uma conferência de cibersegurança na Alemanha, onde se apresentava vestida como Power Ranger rosa.

Os sites derrubados foram o WhiteDate, voltado a relacionamentos amorosos entre supremacistas brancos; o WhiteChild, que conectava doadores de esperma e óvulos com a mesma ideologia; e o WhiteDeal, focado em networking e desenvolvimento profissional para pessoas com visão de mundo racista. Apesar de atuarem em nichos diferentes, todas as plataformas eram operadas pelo mesmo grupo da extrema-direita alemã.

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Com roupa de Power Ranger, hacker Marta Root mostra na tela imagem de site de encontros supremacista branco. (Reprodução do YouTube)

Segundo Martha, a ação começou com a criação de um “exército” de chatbots, programados para interagir com usuários dos sites. Os bots se passavam por mulheres brancas e europeias, simulando interesse romântico enquanto coletavam informações. No entanto, a hacker afirmou que acabou descobrindo uma forma mais simples de acessar diretamente os servidores e baixar toda a base de dados das plataformas.

A partir do material obtido, Martha identificou a responsável pelos sites, uma mulher alemã. Sobre ela, a ativista afirmou que se trata de uma estrutura organizada para promover a supremacia branca sob a aparência de aplicativos de relacionamento. “Ela está criando uma verdadeira rede de supremacistas brancos fascistas disfarçada de um aplicativo de namoro. Os usuários são alertados sobre autoridades e possíveis infiltrados ‘anti-brancos’”, declarou.

No X (antigo Twitter), a administradora das plataformas confirmou o ataque e a derrubada dos servidores. “Eles deletaram publicamente todos os meus sites enquanto a audiência se divertia. Isto é ciberterrorismo”, escreveu.

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Fantasiada de Power Ranger rosa, Martha Root derrubou três sites ligados a organização de supremacistas brancos — Foto: Reprodução/Youtube

Perfis brasileiros

Cerca de oito mil perfis foram divulgados em um site criado especificamente para a exposição dos dados. Nele, Martha e sua equipe organizaram um mapa com a localização declarada pelos usuários e, quando possível, informações extraídas de metadados de imagens. A hacker afirmou que permite que os donos dos perfis solicitem a exclusão de seus dados pessoais.

Entre os perfis expostos, ao menos dez são apontados como sendo de brasileiros, hospedados no site okstupid.lol. Três estariam no estado de São Paulo e dois em Curitiba.

Um dos perfis, com o nome de usuário “Thanos”, em referência ao vilão da Marvel, indica que o autor mora em Santos (SP). Na descrição, ele afirma procurar uma “parceira mulher branca” e diz que, onde vive, “a maioria das brancas prefere caras negros/mestiços”. O usuário relata ainda o desejo de se mudar para a Europa, alegando ter parentes gregos, e afirma querer “preservar seus genes”, com o objetivo de ter pelo menos dois filhos com uma mulher branca.

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Cada batata representa um perfil; alguns brasileiros — Foto: Reprodução

As plataformas permitiam o preenchimento detalhado de informações pessoais, como renda anual, “raça”, altura, dieta e presença de tatuagens. Um usuário de Curitiba, por exemplo, afirma ter um QI entre 140 e 159, característica frequentemente valorizada em círculos supremacistas brancos.

Entre os perfis brasileiros identificados, apenas um seria de uma mulher. Com o nome “Snow White” (Branca de Neve), ela afirma morar em São Paulo, ter 1,58 metro de altura, não ser vacinada contra a Covid-19 e se definir como “pro-branco, tradicionalista e monarquista”.

Outro perfil, de Jaú (SP), descreve com precisão as características físicas da parceira desejada, incluindo cor da pele, olhos, altura e tipo de corpo. O usuário afirma buscar “fortalecer a nossa bela e inteligente raça branca” e diz se considerar uma minoria no Brasil. Ele relata ter conhecido o WhiteDate por meio da American Renaissance, revista supremacista branca fundada em 1990 por Jared Taylor, cujas conferências são frequentadas por grupos neonazistas e nacionalistas brancos.

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Usuário diz procurar uma mulher de no máximo 1,58, corpo pequeno e de pele “alva” — Foto: Reprodução
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