Mensagens evidenciam uma busca pelo apoio de mulheres fragilizadas
Grupo para venda de abortivos revela dor e isolamento (Fotos: enviadas ao Mais Goiás)
Uma pessoa procurou o Mais Goiás, nesta quinta-feira (19), para revelar a sua inclusão em grupo de WhatsApp que funciona como comércio ilegal de medicamentos abortivos no Brasil, com entregas pessoais em Goiânia e Senador Canedo. As mensagens entre as participantes, contudo, revelam dor e isolamento, com mulheres que arriscam a vida em procedimentos complexos para interromper a gestação.
As mensagens também evidenciam uma busca pelo apoio de mulheres fragilizadas, que também passam, passaram ou passarão pela mesma situação. Há, inclusive, textos de solidariedade. “Você foi muito forte, parabéns.” E ainda: “Que bom que deu tudo certo. Depois conta como foi.” Em outra publicação, uma das participantes sugere o que fazer após o aborto. “Põe em uma caixinha e enterra.” A pessoa, contudo, afirma que já tinha deixado “em um saco preto.” As trocas revelam cumplicidade e parceria, além de desabafos e pedidos de ajuda.
“O teu feto desceu pelo vaso. O meu acabei de enterrar. Era grande, não desceu pelo vaso”, narra uma pessoa no grupo. “Caiu no vaso, mas não peguei, estou em pânico, nervosa”, disse outra. Em mais relatos, uma participante revela que sentiu uma dor “insuportável” por duas horas após o uso do medicamento. “Saiu meninas. Depois de horas e horas com dor, saiu. O feto inteiro. Agora não sei o que fazer com ele, porque já está grande”, detalhou mais uma participante. “Eu não sangrei nada. Só um pouquinho, faltando cinco minutos para sair, mais ou menos.”
Há, ainda, um relato mais longo de uma gestante após concluir o procedimento. “Meninas, gostaria de dizer que o aborto foi concluído mesmo estando com 17 semanas. As pílulas funcionaram. Comecei 11h36 da manhã terminei 1h30 da manhã. Confiem, meninas, confiem no processo. Confesso que eu fiquei um pouco desacreditada mais para o final. Só sentia dores, frio diarreia… Mas no final, deu certo”, revela e agradece outras participantes do grupo. “Mesmo estando com 17 semanas, 12 pílulas funcionaram normalmente. Não mandarei foto do feto, pois não gosto de olhar.”
A pessoa que procurou o Mais Goiás diz que entrou no grupo por um link. Ela, que ainda está presente, diz não conhecer nenhum dos 889 membros. Ao todo, 11 são administradores. Questionada se fez alguma denúncia às autoridades, ela afirma que ainda não, mas que tem interesse.

