Lideranças de caminhoneiros anunciaram o início de uma paralisação nacional nesta quinta-feira, 4 de dezembro de 2025, em várias regiões do país. O movimento, articulado principalmente pela União Brasileira dos Caminhoneiros, busca reivindicações trabalhistas como estabilidade contratual e melhorias na infraestrutura rodoviária. A convocação ocorre em meio a divisões internas na categoria, mas com suporte jurídico protocolado na Presidência da República.
Representantes como Chicão Caminhoneiro, da União Brasileira dos Caminhoneiros, e o desembargador aposentado Sebastião Coelho confirmaram a ação em vídeo divulgado nas redes sociais. Eles enfatizaram que a paralisação respeitará a legalidade, com foco em demandas setoriais.
A mobilização pode afetar o transporte de cargas em estradas federais, especialmente no Sudeste, onde se concentra grande parte da frota autônoma.
- Principais pontos de partida incluem rodovias em São Paulo e Minas Gerais.
- Expectativa de adesão inicial em cerca de 20% dos 1,2 milhão de autônomos.
- Suporte de associações como a Associação Catarinense dos Transportadores Rodoviários de Cargas.
Divisões internas marcam articulação da paralisação
Entidades representativas da categoria expressaram preocupações sobre a falta de consenso para a greve. A Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo informou que não participa nem convoca o movimento. Representantes destacam a ausência de assembleias formais para aprovar as demandas.
Para o presidente da Cooperativa dos Caminhoneiros Autônomos do Porto de Santos, Marcelo Paz, decisões como essa exigem diálogo amplo e votação entre os trabalhadores. Ele alertou que ações isoladas podem prejudicar a imagem da categoria.
O deputado federal Zé Trovão, ligado ao setor, repudiou a iniciativa em vídeo, argumentando que ela não aborda problemas estruturais do transporte.
Reivindicações centrais impulsionam o movimento
A pauta da greve inclui a revisão do marco regulatório do transporte de cargas para reduzir burocracia. Caminhoneiros pedem estabilidade contratual e cumprimento efetivo das leis trabalhistas.
Outra demanda envolve a destinação de 30% das cargas de empresas estatais para autônomos, visando maior competitividade no mercado.
O influenciador Daniel Souza, com quase 100 mil seguidores, reforçou a precariedade da profissão, citando baixa remuneração e insegurança nas estradas.
- Aposentadoria especial após 25 anos de contribuição comprovada.
- Melhoria nas condições das rodovias, com redução de buracos e áreas de descanso.
- Limitação de eixos para veículos, alterando regras atuais de circulação.
Essas propostas diferem das de 2018, quando o foco era nos preços de combustíveis, mas mantêm o caráter setorial.
Suporte jurídico garante legalidade da ação
O desembargador aposentado Sebastião Coelho comprometeu-se a acompanhar o processo jurídico da paralisação. Ele afirmou que o movimento protocolou ações para assegurar conformidade com a Constituição.
Chicão Caminhoneiro destacou que a greve respeitará o direito de ir e vir, sem bloqueios totais de vias. A iniciativa começou com petição entregue ao Planalto na terça-feira, 2 de dezembro.
Analistas observam que o respaldo legal pode atrair mais adesões, evitando retaliações imediatas.
Essa estrutura visa proteger participantes de sanções, conforme previsto na legislação trabalhista.
Histórico de mobilizações influencia expectativas
A greve de 2018, que durou dez dias, causou desabastecimento de combustíveis e alimentos em várias regiões. Na ocasião, o governo federal atendeu demandas como subsídios ao diesel após negociações intensas.
Diferentemente daquele ano, o movimento atual surge sem escalada prévia de preços de combustível, mas com insatisfação acumulada por infraestrutura deficiente.
Líderes como Luciano Régis, de Santa Catarina, criticam a mistura de pautas políticas em reivindicações trabalhistas. Ele defendeu foco exclusivo no transporte rodoviário.
O setor transporta cerca de 60% das cargas no país, o que amplifica o potencial de impacto logístico.
Possíveis efeitos no abastecimento preocupam setores
Uma adesão ampla pode interromper a distribuição de produtos essenciais nas primeiras horas do dia 4 de dezembro. Postos de combustível e supermercados monitoram estoques para mitigar faltas.
A Polícia Rodoviária Federal planeja reforçar patrulhas em pontos estratégicos para evitar obstruções. Especialistas estimam que bloqueios iniciais ocorram em 40 pontos nacionais.
Indústrias dependentes de insumos diários, como a automotiva, preparam contingências para linhas de produção.
- Aumento pontual nos preços de gasolina e diesel em áreas afetadas.
- Atrasos em entregas de medicamentos e alimentos perecíveis.
- Pressão sobre portos para priorizar cargas essenciais.
Governo federal acompanha o cenário via ministérios de Transportes e Economia.
Lideranças pedem adesão gradual e organizada
Chicão Caminhoneiro orientou que a paralisação inicie por setores, com expansão conforme apoio. Ele espera união da base para pressionar por respostas rápidas.
Hemerson Galdim, da Fenttrocar, apontou que a ausência de rituais decisórios enfraquece o movimento desde o início.
Outros representantes, como Wallace Landim, cobram cautela para evitar prejuízos à categoria.
Essa abordagem setorial visa construir momentum sem colapso imediato na logística nacional.
Pautas políticas geram controvérsias na categoria
Algumas demandas incluem anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, o que divide opiniões. Luciano Régis classificou isso como questão de toda a sociedade, não exclusiva dos caminhoneiros.
A reforma tributária surge como bandeira para simplificar impostos sobre o setor de transporte.
Chicão negou viés partidário, insistindo em foco trabalhista, mas o apoio de figuras como Sebastião Coelho alimenta debates.
A categoria, com 1,2 milhão de autônomos, busca equilíbrio entre protesto e sustentabilidade econômica.
Monitoramento inicial indica baixa adesão matinal
Até as primeiras horas desta quinta-feira, rodovias federais registram tráfego normal sem bloqueios significativos. A Polícia Rodoviária Federal relata ausência de mobilizações em Brasília e entorno.
Postagens em redes sociais indicam que a greve pode ter começado de forma limitada, com foco em pontos isolados.
Analistas atribuem a isso as divisões internas e a falta de convocação unificada por sindicatos maiores.
O dia prossegue com expectativa de atualizações sobre eventuais paradas em rodovias do Sudeste e Sul.

