metanol – Foto: chemical industry/Shutterstock.com
A Secretaria de Saúde da Bahia descartou, neste domingo (5), os dois casos suspeitos de intoxicação por metanol registrados no estado. Os episódios ocorreram em Feira de Santana e Salvador, onde pacientes apresentaram sintomas iniciais compatíveis com o quadro.
Exames laboratoriais analisaram amostras biológicas e bebidas consumidas, confirmando ausência de contaminação ou adulteração. A medida alivia preocupações locais em meio ao aumento de notificações nacionais.
Detalhes dos episódios locais
Em Feira de Santana, um homem de 56 anos, identificado como Marcos Evandro Santana da Costa, deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento de Queimadinha na sexta-feira (3) com perda de consciência e palidez.
Ele faleceu no local, mas laudos posteriores descartaram metanol como causa, apontando para outras condições de saúde. Familiares relataram que o paciente foi encontrado desacordado em casa, sem histórico recente de consumo alcoólico suspeito.
O segundo caso envolveu um homem internado em Salvador na mesma noite, com quadro estável e sintomas como náusea e dor abdominal.
Testes rápidos e análises aprofundadas no Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde confirmaram resultados negativos para a substância tóxica.
Panorama nacional de notificações
O Ministério da Saúde registrou 195 notificações de intoxicação por metanol em todo o Brasil até sábado (4), com 14 casos confirmados e 181 em investigação.
São Paulo concentra a maioria, com 162 registros, incluindo duas mortes oficiais ligadas ao consumo de bebidas destiladas adulteradas.
Outros estados como Pernambuco, com seis casos em análise, e o Distrito Federal, com dois, também notificaram ocorrências.
- Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Piauí reportaram os primeiros suspeitos na última semana.
- O governo federal distribuiu 580 ampolas de etanol farmacêutico como antídoto para cinco unidades da federação.
- Autoridades apreenderam mais de 50 mil garrafas suspeitas em operações policiais desde setembro.
Riscos à saúde associados ao metanol
O metanol, álcool industrial incolor usado em solventes e combustíveis, difere do etanol presente em bebidas comuns.
Quando ingerido, o fígado converte a substância em compostos tóxicos que afetam o sistema nervoso central, medula óssea e nervo óptico.
Sintomas iniciais incluem dor de cabeça, vômito e visão embaçada, evoluindo para convulsões, coma ou falência de órgãos em doses acima de 30 mililitros.
Procedimentos para detecção e tratamento
Ações preventivas em estabelecimentos
A Vigilância Sanitária da Bahia emitiu alertas para bares e distribuidoras verificarem selos de procedência em bebidas incolores como vodca e gin.
- Inspeções surpresa aumentaram em 30% nas últimas semanas em Salvador e Feira de Santana.
- Produtores devem separar frações voláteis durante a destilação para evitar contaminação acidental.
- Consumidores recebem orientação para evitar compras em fontes não autorizadas.
Estoque de antídotos como fomepizol foi reforçado em hospitais universitários, com aquisição de 4,3 mil unidades pelo Ministério da Saúde.
Histórico de incidentes no país
Em 1999, a Bahia enfrentou um surto grave com 35 mortes e cerca de 400 intoxicações por cachaça batizada com metanol em dez municípios.
Análises da época detectaram concentrações de até 20 mililitros por 100 mililitros de álcool em amostras de bares.
Na década de 1990, São Paulo registrou 27 casos e cinco óbitos no ABC Paulista por adulteração similar em destilados.
Autoridades ligam o atual aumento a práticas ilegais de redução de custos em produção clandestina, monitoradas pela Anvisa.
O Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde consolida dados diários desde 1º de outubro para rastrear padrões.
Medidas de vigilância estadual
A Sesab mantém diálogo com o Ministério da Saúde e emite boletins semanais sobre fiscalizações em unidades de saúde.
Portas de emergência foram treinadas para identificar sintomas precocemente, com notificação obrigatória em até 24 horas.
Recomendações para o consumo seguro
Bebidas devem ser adquiridas em estabelecimentos licenciados, com rótulos intactos e datas de validade visíveis.
Em caso de suspeita, procure atendimento imediato em centros de intoxicação, disponíveis em 32 unidades no país.
O governo reforça que a notificação imediata de contatos expostos acelera respostas e reduz complicações.


