O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, confirmou a paralisação de taxas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos canadenses, medida que se estenderá até 21 de agosto. A informação foi dada pelo chefe de governo canadense horas após o ex-presidente americano, Donald Trump, anunciar a interrupção temporária das cobranças, indicando que as duas nações teriam alcançado um consenso.
Em comunicado divulgado na madrugada de 19 de julho, Carney enfatizou que o Canadá manteve diálogos intensos com os Estados Unidos para resolver pendências comerciais e oferecer maior estabilidade e ganhos tangíveis para empresas, trabalhadores, agricultores e famílias canadenses.
“Avanços significativos foram alcançados, contudo, ainda há um trabalho fundamental a ser feito. Enquanto esse processo continua, os Estados Unidos concordaram em postergar a aplicação de sua tarifa de 50% sobre diversos produtos canadenses, conforme a Seção 338 da Lei Tarifária dos EUA de 1930, até o final do dia 21 de agosto”, declarou o premiê em nota.
“À medida que avançamos com esta tarefa, o Canadá permanece dedicado a edificar uma economia mais vigorosa, autônoma e competitiva em nível nacional”, concluiu Carney.
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Em 18 de julho, Trump havia informado a suspensão, por três dias, das tarifas sobre mercadorias do Canadá.
“Eu suspendi as tarifas de 50% contra o Canadá, que estavam previstas para entrar em vigor amanhã pela manhã, por um período de três dias, com base no fato de que o Canadá e os Estados Unidos, após a finalização da documentação, chegaram a um ACORDO!”, escreveu o ex-presidente dos Estados Unidos.
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Em publicação na rede social Truth Social, Trump também indicou a possível “ressurreição” do oleoduto Keystone XL, projeto que foi cancelado pelo ex-presidente Joe Biden em 2021, após anos de oposição de comunidades indígenas e ativistas ambientais, mas não forneceu detalhes.
O pronunciamento de Trump ocorreu depois de uma conversa com Carney na tarde de 18 de julho, o segundo encontro entre os dois na semana, sucedendo semanas de negociações intensas e pouco transparentes.
As taxas americanas sobre automóveis representavam um ponto de desacordo, conforme revelaram duas fontes do setor familiarizadas com as discussões.
As novas tarifas dos Estados Unidos poderiam abranger cerca de 20 bilhões de dólares em importações e seriam aplicadas independentemente de os produtos canadenses se beneficiarem do tratamento preferencial sob o acordo comercial USMCA (EUA-México-Canadá), que antes protegia grande parte da indústria do Canadá de tarifas americanas anteriores.
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Especialistas em comércio e representantes da indústria alertam que a imposição das novas tarifas poderia resultar na perda de empregos e no encerramento de negócios em setores sensíveis, como o de madeira, vinho e laticínios. Eles também apontam que a disputa pode complicar as negociações mais amplas do USMCA, gerando incerteza econômica que afeta diretamente o planejamento e investimento das empresas canadenses, mantendo-as em um estado de alerta constante.
“Há bilhões em mercadorias anualmente que não eram afetadas antes, mas que agora correm o risco de serem significativamente impactadas”, observou Candace Laing, CEO da Câmara de Comércio do Canadá.
“As empresas têm se mantido em uma situação instável por mais de um ano, postergando contratações, investimentos e expansão no Canadá”, afirmou.
O ministro canadense encarregado do comércio com os Estados Unidos, Dominic LeBlanc, e a principal negociadora, Janice Charette, estão em Washington desde a semana passada para os diálogos.
Em 17 de julho, os representantes do Canadá se encontraram por quase duas horas com o Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e o Secretário de Comércio, Howard Lutnick.
Greer mencionou repetidamente as tarifas canadenses que se seguiram às taxas iniciais dos EUA, a recusa de algumas províncias em comercializar bebidas alcoólicas americanas e o sistema de gestão da oferta de laticínios do Canadá como algumas das queixas dos Estados Unidos.
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Duas fontes indicaram que um dos principais pontos de atrito eram as tarifas americanas sobre veículos do Canadá.
As partes discutiram a possibilidade de reduzir as tarifas americanas da Seção 232 sobre veículos canadenses de 25% para 15%, com mais reduções baseadas na quantidade de conteúdo americano em cada veículo, disseram as fontes.
Os detalhes exatos do acordo divulgado por Trump ainda não foram totalmente esclarecidos.

