Governo anuncia que seis empresas devem participar de leilão do Galeão – O Globo

O governo federal anunciou nesta quinta-feira que seis empresas demonstraram interesse em participar do leilão de concessão do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, que está previsto para acontecer em 30 de março.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), foi feito o ”roadshow”, uma série de reuniões em que o governo apresentou às empresas detalhes do modelo de concessão, leilão, e diretrizes contratuais. A iniciativa foi conduzida pelo MPor, em parceria com a Casa Civil e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Para o secretário Nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, as reuniões cumpriram um papel fundamental para dar previsibilidade e segurança ao mercado.

— O roadshow foi uma oportunidade importante para apresentar, de forma transparente, os avanços do projeto e ouvir o mercado. Tivemos um diálogo qualificado, que reforça a confiança dos investidores e contribui para o sucesso do leilão do Galeão — destacou.

Para Marcus Quintella, diretor da Fundação Getulio Vargas Transportes (FGV), o leilão é importante para permitir os investimentos no Galeão. Segundo ele, houve mudanças importantes na modelagem, com nova configuração, com regras que podem interessar aos investidores, como a saída da Infraero, o compartilhamento de risco e a outorga variável.

— É uma situação que pode contribuir para os investimentos futuros no Galeão, e para que a prestação de serviços continue boa. A modelagem financeira precisa fechar a conta. Isso é fundamental para a continuidade do Galeão.

O especialista em aviação Alessandro Vieira, da Unicuritiba, diz que, embora o modelo de venda assistida do Galeão traga avanços importantes do ponto de vista institucional e econômico, o valor mínimo é elevado e pode restringir o número de interessados, especialmente em um cenário ainda marcado por incertezas no setor aéreo.

— Outro ponto de atenção é a capacidade do novo operador de retomar os investimentos e recuperar a atratividade do Galeão frente a outros aeroportos da região, o que exigirá uma estratégia comercial agressiva e eficiência operacional. O modelo é mais maduro e corrigiu distorções do passado, mas o sucesso da privatização dependerá da confiança do mercado.

Próximo passo

O Galeão é o terceiro maior aeroporto do país. No ano passado, 17,5 milhões de passageiros passaram pelo aeroporto, que registrou 5,6 milhões em voos internacionais.

Após a rodada de reuniões com as empresas, o próximo passo do processo de licitação do Galeão será a realização de uma sessão pública de esclarecimentos no dia 26 de fevereiro, na B3, em São Paulo.

O leilão simplificado do aeroporto foi uma solução costurada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) com o governo, a Anac e o concessionário para resolver o problema financeiro do contrato, diante de projeções que não se confirmaram.

Com lance mínimo de R$ 932 milhões, o leilão vai vencer quem apresentar a melhor proposta econômica, definida pela contribuição inicial, ou seja, o consórcio, que se comprometer a pagar o maior valor logo no início do contrato.

A empresa vencedora do leilão assumirá o compromisso de pagar à União uma contribuição variável anual correspondente a 20% do faturamento bruto da concessão até 2039. Além disso, a companhia será a única controladora do terminal, já que o acordo com o TCU prevê o fim da participação acionaria da Infraero.