Três suspeitos de integrar uma quadrilha que aplicou golpes com cartão-alimentação em comerciantes de 220 municípios de diferentes estados do Brasil foram presos temporariamente pela Polícia Civil de Goiás nesta quarta-feira (23/9). O grupo criminoso deixou um prejuízo de R$ 800 mil para donos de supermercados de uma cidade goiana.
O Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF), da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), conduziu a investigação. Os agentes descobriram que os golpistas ganharam centenas de licitações para administrar cartões vale-alimentação e vale-refeição concedidos a servidores. Para vencer as licitações, eles ofereceram descontos inexequíveis, com deságios de 17%, que poderiam chegar a 30,5%, segundo a investigação.
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Os investigados cobravam preços bem menores que os reais e, segundo a PC, não conseguiram quitar os débitos com os estabelecimentos. Para manter os pagamentos, eles realizavam uma espécie de pirâmide. “Os valores dos novos contratos eram usados para cobrir repasses atrasados dos contratos anteriores, mas quando a captação de novos municípios desacelerou, o esquema entrou em colapso”, descreveu o delegado Murilo Freire.
Os administradores dos cartões alegavam aos comerciantes que tinham sido vítimas de um ataque hacker para justificar o não repasse dos valores que já haviam recebido das prefeituras. Eles também diziam que um processo para apurar a suposta fraude já estava em andamento na Justiça de São Paulo.
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Goiano perdeu R$ 200 mil
A PC/GO descobriu o esquema depois que, em setembro do ano passado, a empresa que administrava os cartões deixou de pagar os comerciantes de Barro Alto, mesmo após receber integralmente os valores repassados pela prefeitura. Os comerciantes da cidade tiveram, juntos, um prejuízo de R$ 800 mil. Somente um deles contou ter perdido R$ 200 mil com a fraude.
Durante as investigações, os agentes descobriram que o grupo aplicou o mesmo golpe em Barueri, Limeira e na capital paulista, além de diferentes cidades do Paraná, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Segundo a apuração, os investigados distribuíram os valores obtidos com as fraudes entre empresas e contas. A polícia não revelou as identidades dos suspeitos.
Além das três prisões, a polícia cumpriu seis mandados de busca e apreensão. A Justiça também decretou o sequestro e o bloqueio de bens e valores dos investigados, incluindo seis imóveis em São Paulo. Os três presos responderão por apropriação indébita, estelionato, associação criminosa e lavagem de capitais.
A Polícia Civil de Goiás contou com o apoio de colegas de São Paulo e com a colaboração do Ministério da Justiça e Segurança Pública durante as investigações.
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