Goiano de 19 anos conta o que fez para ser aprovado em quase 10 faculdades de Medicina; confira

Angelo Sartorato conquistou vagas nas universidades mais disputadas do país. Ao Mais Goiás ele relata rotina, estratégias e sacrifícios

Imagens mostram estudante no dia da aprovação

Estudante goianiense dá dicas aos jovens que buscam tão sonhada vaga em Medicina (Foto: Arquivo pessoal)

Felipe Cardoso

Aos 19 anos, o jovem Angelo Sartorato, natural de Goiânia, alcançou um feito raro entre estudantes que buscam o tão sonhado acesso às universidades públicas: a aprovação em 8 vestibulares de Medicina. Em meio à extensa lista, constam as faculdades estaduais e federais mais disputadas do Brasil. 

Sartorato garantiu acesso, por exemplo, às universidades de São Paulo (USP e Unifesp), de Campinas (Unicamp), de Goiás (UFG), de Uberlândia (UFU), de Mato Grosso (UFMT), e à estadual paulista (Unesp). Como se não bastasse, o jovem ainda foi convocado em segunda chamada para a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp). A notícia foi recebida na manhã desta segunda-feira (9/2).

SAIBA MAIS:

  • 1º lugar em Medicina na UFG dá dicas: ‘é preciso saber estudar’
  • ‘Realização de um sonho’: aluna aprovada em 1º lugar em Medicina na UFG garante vaga na USP | Mais Goiás

Chegar a esse lugar, porém, não foi tarefa fácil. A preparação de Angelo começou a ganhar força no terceiro ano do ensino médio e se estendeu por mais dois anos de cursinho. Os resultados, segundo ele, foram aparecendo aos poucos, até que, enfim, viu seu nome dentre os aprovados em diferentes universidades do país. “Foi muito gratificante. É o momento em que todo esforço é recompensado”, diz ao lembrar da divulgação e conferência das listas. 

“Mais qualidade, menos tempo”

Para o estudante, o principal diferencial esteve na mentalidade e na constância. “O principal diferencial, na minha cabeça, foi que nunca pensei que eu não daria conta”, diz. Ele destaca também a importância de uma base teórica sólida aliada à resolução de questões. “É muito importante você ter uma teoria forte e resolver muitas questões. Tem que buscar exercícios de diferentes níveis e estilos”, completa.

foto materia 6 Goiano de 19 anos conta o que fez para ser aprovado em quase 10 faculdades de Medicina; confira
Angelo entendeu que precisava atribuir mais qualidade ao tempo de estudo (Foto: Arquivo pessoal)

Angelo conta que estudava, em média, das 7h às 19h, aproveitando inclusive os intervalos da academia. Em alguns períodos, especialmente no terceiro ano, o ritmo foi ainda mais pesado. “No terceiro ano eu estudava às até às 23h. Às vezes chegava às 2h da madrugada fazendo simulados”, relembra. Com o tempo, no entanto, ele percebeu que isso poderia ser um erro e buscou equilibrar carga horária e rendimento. “Entendi que era melhor estudar com mais qualidade do que por muito tempo.” 

Apesar da redução do tempo de estudo, o estudante avalia que o processo exigiu muitos sacrifícios. “É claro que eu me sentia muito cansado, muito frustrado às vezes”, diz ao lembrar que via amigos aproveitando momentos de lazer enquanto ele mantinha o foco nos estudos.

Entre as estratégias que mais contribuíram para o desempenho, ele destaca as revisões de matérias, resolução de exercícios e simulados frequentes. “Eu resolvia geralmente 200 por dia”, conta, chegando, em alguns momentos, a fazer 400 questões diárias. “Mas só depois de dominar bem o conteúdo teórico”, explica.

“Busque amigos que ajudam”

Aos estudantes que sonham com o curso de Medicina, Angelo deixa um conselho: “não se desmotivar”. Ele reforça a importância do estudo com qualidade, do envolvimento ativo com o conteúdo e do suporte emocional. “Você tem que estudar com sangue no olho, estudar ativamente. Nesse período, é importante ter amigos que te ajudam a melhorar ao invés atrapalhar. Na minha avaliação, esse é um diferencial muito expressivo.”

LEIA MAIS:

  • Estudante abre mão de vaga em IA na UFG: ‘curso superestimado’ | Mais Goiás
  • IA e mercado de trabalho; cargos que a inteligência artificial criou

Com o equilíbrio de todos esses fatores, Angelo avalia ter lidado bem com a ansiedade. “Comparado a algumas pessoas que conheço e convivi, vejo que nunca senti muita tensão emocional e ansiedade”, relata ao destacar a importância do apoio daqueles que o cercam.  “Às vezes, uma conversa de cinco minutos durante o intervalo das aulas já te ajuda a rir, a melhorar seu astral e acaba te puxando para cima.”

Questionado, por fim, sobre o porquê escolheu Medicina, o estudante não titubeou: “A minha mãe teve câncer quando eu tinha 10 anos, então acho que isso me motivou a seguir esse caminho”. Segundo ele, “graças aos bons médicos, hoje ela está bem”. Para o futuro, o jovem mantém expectativas positivas. “Tenho muita esperança de conseguir me destacar e contribuir com a sociedade”, pontua.