GO: Filha denuncia falta de exames antes de procedimento com PMMA que levou mulher à morte

Redação
8 Min Read
GO: Filha denuncia falta de exames antes de procedimento com PMMA que levou mulher à morte

Jéssica Keller afirma que a mãe tinha diabetes descontrolada, consulta foi online e questiona conduta médica após complicações

Isabel x PMMA (1)

Filha diz que clínica não pediu exames pré-operatórios antes de procedimento estético com PMMA que antecedeu morte da mãe em Goiânia (Foto: Reprodução/Instagram – Júnior Gonzaga)

A servidora pública Jéssica Keller denunciou a falta de exames adequados antes de um procedimento estético com PMMA, que levou à morte de Isabel Cristina Oyama Jacinto Gonzaga. A vítima, de 59 anos, que também é mãe do vereador de Leopoldo de Bulhões, Júnior Gonzaga, foi a óbito após complicações causadas depois do procedimento realizado em uma clínica do Setor Marista, em Goiânia. A família pede que a investigação apure se houve falhas na avaliação médica e no acompanhamento da paciente.

Segundo Jéssica, a mãe tinha diabetes, mas a condição não estaria controlada no momento em que os exames foram apresentados para a médica responsável pelo procedimento. “Eles falam que o procedimento só é feito com diabetes controlada. Mas por que não fizeram uma conduta individualizada com a minha mãe? Eu levei os exames e a diabetes dela nem controlada estava. Ela nem poderia estar fazendo esses exames pré-procedimento”, afirmou.

A filha também diz que a avaliação médica inicial ocorreu de forma online, e que Isabel só teria sido examinada presencialmente no dia da aplicação do PMMA. “A consulta foi online. Ela [médica] só viu minha mãe pessoalmente no dia do procedimento. Está certo isso? Uma consulta online para um procedimento desse porte?”, questionou.

isabel x pmma GO: Filha denuncia falta de exames antes de procedimento com PMMA que levou mulher à morte
Isabel Cristina, de 59 anos (Foto: Reprodução/Instagram – Júnior Gonzaga)

Jéssica afirma que entrou em contato com outros pacientes atendidos na mesma clínica, mas realizados com outros médicos, e que o processo de avaliação teria sido bem diferente. Segundo ela, os pacientes passaram por um conjunto maior de exames antes de realizar o procedimento. “Com outros pacientes fizeram uma série de exames, fez um check-up de pé à cabeça, fez até risco cirúrgico. Por que essa conduta também não foi feita com a minha mãe?”, disse.

Isabel morreu no domingo (08) após dias de internação em um hospital de Anápolis.

  • “Mamãe te ama muito”: veja como mãe de vereador se despediu após procedimento com PMMA em Goiás
  • GO: Falsa biomédica vai a júri popular por morte de influenciadora após procedimento estético

Médica atingiu vaso sanguíneo

A filha também questiona os cuidados indicados após a intervenção estética. Segundo ela, Isabel foi liberada para casa no mesmo dia e recebeu apenas medicamentos para dor, náusea e hematomas. “Minha mãe saiu da clínica tomando só remédio para dor, para vômito e para roxo. Não teve antibiótico, não teve anticoagulante”, afirmou.

isabel x pmma
Isabel Cristina Gonzaga, de 59 anos, morreu após complicações de procedimento estético com PMMA em Goiânia (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

De acordo com a família, cerca de cinco dias após o procedimento, Isabel começou a apresentar dores intensas e acúmulo de líquido na região onde o produto foi aplicado. Ela retornou ao Instituto aproximadamente nove dias depois, quando foi realizada uma drenagem.

Segundo Jéssica, durante o procedimento também foi retirada uma quantidade de sangue, e a médica teria comentado que poderia ter atingido um vaso sanguíneo.

“Quando minha mãe voltou lá, não tiraram só o seroma. Tiraram seroma e sangue. A médica falou que podia ter “pegado um vasinho”. Minha mãe sendo diabética, por que não entrou com anticoagulante naquele momento?”, questionou.

Para a filha, exames simples poderiam ter ajudado a identificar possíveis complicações. “Por que não pediram um hemograma, um PCR [Proteína C Reativa, exame de sangue que indica inflamação ou infecção no corpo], um exame básico para ver se já tinha alguma infecção começando?”, disse.

Contato com a médica

A filha também relata que a médica responsável pelo procedimento só entrou em contato com a família na sexta-feira à noite, quando Isabel já estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Quem falava com a gente antes era a equipe da clínica pelo WhatsApp. Ela mandou áudio falando que estava fora do país e que tudo ia dar certo. Depois que eu mandei o exame mostrando que minha mãe estava com embolia pulmonar, ela não respondeu mais nada. Depois que minha mãe faleceu, não teve nem uma mensagem de sentimentos. Nada”, explicou.

  • Mãe de vereador fez procedimento com PMMA em clínica que atendeu Bolsonaro em Goiânia
  • Modelo morre após passar por procedimento estético em Goiânia
  • Mulher que perdeu lábio por PMMA termina cirurgias de reconstrução; veja resultado

Jéssica afirma que o objetivo da família é esclarecer se houve erro ou negligência durante o atendimento. “O PMMA em si não mata ninguém quando é feito da forma correta. O que eu quero saber é se o procedimento foi feito da forma certa e se a conduta médica foi correta. É isso que precisa ser investigado”, disse.

O que diz o Instituto de Longevidade?

Em nota, o Instituto de Longevidade informou que Isabel possuía condições de saúde pré-existentes, como diabetes mellitus, hipertensão arterial e terapia de reposição hormonal, fatores que poderiam ter influenciado na evolução do quadro clínico.

instituto de longevidade x clinica x pmma GO: Filha denuncia falta de exames antes de procedimento com PMMA que levou mulher à morte
Instituto de Longevidade, no Setor Marista, em Goiânia (Foto: Reprodução/Google Street View)

Segundo a clínica, a análise inicial dos registros médicos indica “ausência de nexo causal entre o procedimento com PMMA e o desfecho clínico”.

  • Clínica se pronuncia sobre morte após aplicação de PMMA em Goiânia
  • PMMA: substância usada por Karine Gouveia em clínica ilegal

A instituição também informou que a conduta da médica responsável, Dra. Eline Corrêa, está sendo analisada internamente e que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

O Mais Goiás procurou a médica responsável pelo procedimento para que ela se manifestasse sobre os questionamentos apresentados pela família, incluindo a realização de exames pré-operatórios, o acompanhamento da paciente após o procedimento e as orientações médicas adotadas no caso. Também questionou em que fase está a investigação interna sobre a conduta médica da Dra. Eline Corrêa. No entanto, até o fechamento desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

Share This Article