A atriz Glória Menezes, um dos nomes mais notáveis da teledramaturgia nacional, faleceu em 18 de agosto de 2026, aos 91 anos de idade.
Nascida em Pelotas, Rio Grande do Sul, no dia 19 de outubro de 1934, Glória Menezes tinha Nilcedes Soares de Magalhães como seu nome de registro uma combinação dos nomes de seus pais, Nilo e Mercedes. A artista costumava brincar que “não é um nome, é uma coisa” ao explicar sua escolha por “Glória”, um apelido que considerava fácil de pronunciar em qualquer idioma.
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Quando tinha apenas seis anos, Glória Menezes e sua família se mudaram para São Paulo, local onde ela cresceu e desenvolveu um profundo amor pelo teatro. Aos 17, casou-se com Arnaldo Britto, seu primo, com quem viveu por oito anos e teve dois filhos, Maria Amélia e João Paulo. Com o consentimento do então marido, ela ingressou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo e fundou o coletivo Jovens Independentes. Sua entrega aos palcos a fez largar o curso universitário e, em pouco tempo, atraiu o interesse de profissionais do cinema e da televisão. Em 1959, fez sua estreia televisiva na novela “Um Lugar ao Sol”, exibida pela TV Tupi. Logo depois, em 1962, participou do filme “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte, obra que fez história ao ser a primeira e única produção sul-americana a receber a Palma de Ouro no Festival de Cannes. No cinema, ela também esteve nos longas “Lampião, o Rei do Cangaço” (1964) e “O Descarte” (1973), ambos em colaboração com Anselmo Duarte.
A parceria duradoura com Tarcísio Meira e os grandes momentos na televisão
Em meio ao crescimento de sua carreira, nos bastidores do teatro, Glória conheceu Tarcísio Meira, que se tornaria seu marido e companheiro de trabalho. Juntos, eles atuaram na TV Tupi, no teleteatro “Uma Pires Camargo”, e em 1963, estrelaram “25499 Ocupado”, a primeira novela diária do Brasil, transmitida ao vivo pela Excelsior. No ano seguinte, em 1964, Glória deu à luz seu filho, Tarcísio Filho.
A união pessoal entre Glória e Tarcísio se refletiu intensamente em suas jornadas profissionais na dramaturgia. Na Excelsior, o casal participou de produções como “A Deusa Vencida” (1965) e “Almas de Pedra” (1966). Nos cinemas, estiveram juntos em filmes como “Máscara da Traição” (1969), “Independência ou Morte” (1972) e “O Caçador de Esmeraldas” (1979).
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Em 1967, Glória e Tarcísio transferiram-se para a TV Globo, onde estrelaram o folhetim “Sangue e Areia”, escrito por Janete Clair. A colaboração do casal com a autora Janete Clair se tornou fundamental, resultando em clássicos televisivos como “Rosa Rebelde” (1969), “Irmãos Coragem” (1970), “O Homem que Deve Morrer” (1971) e “O Semideus” (1974). Em “Irmãos Coragem”, Glória demonstrou grande versatilidade ao dar vida a três personagens femininas distintas, do recato à sedução, impulsionando sua carreira. Em 1979, ela reencontrou Janete Clair para outro papel icônico em “Pai Herói”, interpretando Ana Preta, a proprietária destemida de uma casa de samba.
A grande aceitação do público pela dupla Glória e Tarcísio levou à criação da série “Tarcísio & Glória” em 1988, roteirizada por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon. Na trama, Glória interpretava Ava Becker, uma extraterrestre com a missão de perpetuar sua espécie, enquanto Tarcísio era um empresário corrupto que se envolvia com ela.
Outro nome proeminente na trajetória de Glória, além de Janete, foi o dramaturgo Silvio de Abreu. Ele escreveu para a atriz em diversas produções, incluindo “Jogo da Vida” (1981), “Guerra dos Sexos” (1983), “Rainha da Sucata” (1990), “Deus nos Acuda” (1992), “A Próxima Vítima” (1995) e “Torre de Babel” (1998), esta última ao lado de Tarcísio. “Rainha da Sucata” é um marco em seu currículo. Ela deu vida à vilã Laurinha Figueroa, uma socialite decadente que se tornou a primeira personagem a cometer suicídio em uma novela brasileira. Glória Menezes afirmou que o acontecimento “estava na primeira página de um grande jornal no dia seguinte”.
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Em trabalhos mais recentes, Glória Menezes interpretou a feiticeira Zoroastra em “O Beijo do Vampiro” (2002); a Baronesa de Bonsucesso, que enfrentava o Mal de Alzheimer, em “Senhora do Destino” (2004); e teve uma breve participação em “Páginas da Vida” (2006), novamente ao lado de Tarcísio. Em “A Favorita” (2008), ela obteve grande reconhecimento como Irene, personagem que vê seu filho e marido serem assassinados por Flora (Patrícia Pillar). Sua atuação final em novelas foi como Stelinha, em “Totalmente Demais” (2015).

