Gilberto Gil e família processam padre Danilo César por R$ 370 mil por danos morais após ofensas à fé de Preta Gil

Redação
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Gilberto Gil e família processam padre Danilo César por R$ 370 mil por danos morais após ofensas à fé de Preta Gil
Gilberto Gil e Preta Gil

Gilberto Gil e Preta Gil – Foto: Instagram

A família de Preta Gil, incluindo o cantor Gilberto Gil, ajuizou ação na Justiça do Rio de Janeiro contra o padre Danilo César, pároco da Paróquia São José em Campina Grande, na Paraíba. O processo, protocolado nesta segunda-feira (13), pede indenização de R$ 370 mil por danos morais, com base em acusações de intolerância religiosa e racismo religioso.

O motivo central reside em declarações feitas pelo sacerdote durante uma homilia transmitida ao vivo em julho, logo após a morte da cantora. Preta Gil faleceu em 20 de julho de 2025, aos 50 anos, nos Estados Unidos, vítima de câncer colorretal.

Autores da ação incluem Gilberto Gil, sua esposa Flora Gil, os irmãos de Preta – Nara, Marília, Bela, Maria, Bem e José – e o filho dela, Francisco.

Detalhes da homilia polêmica

A homilia ocorreu em 27 de julho de 2025, na Paróquia de Areial, ligada à Diocese de Campina Grande. O padre Danilo César, de 31 anos e natural de Monteiro, questionou publicamente a fé da família Gil em religiões de matriz africana.

Ele citou diretamente Gilberto Gil ao afirmar que o cantor realizou orações aos orixás, mas questionou por que essas entidades não teriam intervindo na saúde de Preta. A transmissão ao vivo ampliou o alcance das falas para redes sociais.

O vídeo gerou repercussão imediata, com remoção posterior do YouTube, mas cópias circularam amplamente.

Acusações no processo judicial

Os advogados da família argumentam que as palavras do padre ultrapassaram limites da liberdade de expressão religiosa. Elas teriam ofendido a memória de Preta Gil e desrespeitado tradições ancestrais.

A petição destaca que o discurso incentivou comentários discriminatórios online, ampliando o dano. Uma notificação extrajudicial foi enviada à Diocese em agosto, solicitando retratação pública e punição, mas não obteve resposta.

O valor de R$ 370 mil reflete o impacto coletivo sofrido pelos autores.

Repercussão inicial das declarações

Uma associação de religiões de matriz afro-indígena denunciou o padre à Polícia Civil da Paraíba logo após o vídeo viralizar. O inquérito investigou racismo religioso, com oitiva de testemunhas em Areial.

Bela Gil, irmã de Preta, criticou as falas em post no Instagram, chamando o sacerdote de desrespeitoso. A família enfatizou o contexto de luto recente.

A Diocese de Campina Grande informou que o padre prestaria esclarecimentos, mas não detalhou medidas internas.

  • Denúncia formal em 29 de julho de 2025 à Polícia Civil.
  • Inquérito aberto em 30 de julho para apurar intolerância.
  • Vídeo removido do YouTube após repercussão nas redes.
  • Críticas públicas de familiares e entidades religiosas.

Contexto da morte de Preta Gil

Preta Gil lutou contra o câncer colorretal diagnosticado em 2022, com tratamento nos Estados Unidos. Ela manteve a fé em orixás pública, integrando-a à carreira musical.

Gilberto Gil homenageou a filha em shows e entrevistas, destacando sua resiliência. A morte ocorreu em hospital de Los Angeles, com translado do corpo para o Brasil.

A família realizou cerimônia fúnebre no Rio de Janeiro, com presença de artistas e fãs. O episódio com o padre surgiu em meio ao período de duelo.

O caso reacende debates sobre sincretismo religioso no Brasil, onde católicos frequentemente incorporam elementos afro-brasileiros. Autoridades monitoram incidentes semelhantes anualmente.

Medidas legais anteriores

Em agosto de 2025, Gilberto Gil enviou notificação à Diocese exigindo retratação. O documento descreveu as falas como violação ao Código Penal, com pena de dois a cinco anos.

O padre foi ouvido pela polícia e negou intenção de ofender religiões específicas. Ele alegou foco em lições sobre fé e sofrimento durante a missa.

A ação judicial atual busca não só compensação, mas reconhecimento do dano causado. Os autos tramitam na 10ª Vara Cível do Rio.

Posição da defesa do padre

O sacerdote Danilo César deletou perfis em redes sociais após a polêmica inicial. A Paróquia São José não emitiu nota oficial sobre o processo.

Consultas a advogados indicam que a defesa pode argumentar liberdade de pregação religiosa. O caso depende de análise de provas, incluindo o vídeo.

A família Gil aguarda citação para prosseguir.

Discurso completo analisado

Durante a homilia no 17º Domingo do Tempo Comum, o padre abordou temas de saúde e fé. Ele usou o exemplo de Preta Gil para ilustrar limites da intervenção divina.

As frases exatas incluem referência a “forças ocultas” e desejo de que o diabo interviesse em práticas mistas. Isso gerou acusações de estigmatização.

O Ministério Público acompanha o inquérito policial paralelo. Entidades como o Disque 100 registram queixas semelhantes.

Família reforça união em luto

Gilberto Gil dedicou canções à filha em apresentações recentes. Os irmãos mantêm perfis ativos em defesa de causas culturais.

Francisco, filho de Preta, reside no Rio e participa de projetos musicais. A ação judicial reflete coesão familiar frente ao ocorrido.

O processo pode durar meses, com possibilidade de acordo.

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