Os gastos de brasileiros em viagens a negócios no exterior cresceram 50% nos últimos dez anos. Em 2016, as despesas deste tipo fora do território nacional somaram US$ 4,01 bilhões, mas cresceram ao longo do tempo e alcançaram US$ 6,04 bilhões, conforme dados levantados pelo Metrópoles no site do Banco Central (BC).
Por outro lado, o contrário, os gastos de estrangeiros no Brasil em viagens de negócios em 2016 e 2025 foram praticamente os mesmos. O registro é de US$ 1,52 bilhão no primeiro ano da série e de US$ 1,57 ao fim do período. Com isto, a variação foi de apenas 3,29%.
- Em 2025, brasileiros gastaram US$ 15,7 bilhões em viagens pessoais no exterior.
- Também no ano passado, os estrangeiros deixaram aqui US$ 6,3 bilhões, o que proporcionou um déficit de US$ 9,4 bilhões.
- De 2016 a 2025, o déficit referente a gastos com viagens pessoais passou de US$ 5,98 bilhões para US$ 9,39 bilhões, incremento de 57%.
- Os números ajudaram a engordar o déficit de conta corrente do Brasil no ano passado, o maior dos últimos 11 anos: US$ 68,8 bilhões.
O aumento dos gastos de brasileiros no exterior em viagens de negócio e a estabilidade nas despesas dos gringos em empreitadas por aqui fez com que o déficit desta conta aumentasse 79% no intervalo analisado. Em 2016, o déficit foi de US$ 2,49 bilhões, mas passou para US$ 4,46 bilhões no ano passado.
Veja os números
As despesas de viagens a negócios foram severamente afetadas pela pandemia de Covid-19 a partir de 2020. Em 2016, brasileiros gastaram US$ 4,01 bilhões em viagens corporativas a partir das nossas fronteiras. Em 2020, a despesa foi de US$ 1,43 bilhão, patamar semelhante ao do ano seguinte (US$ 1,39 bilhão). A recuperação veio a partir de 2022, quando este dado chegou a US$ 3,58 bilhões.
Professor de finanças da Strong Business School, Jarbas Thaunahy considera que parte do aumento é reflexo da busca do Brasil em expandir parcerias comerciais no exterior.
“O entendimento é que os deslocamentos internacionais para negócios estão priorizando agendas mais estratégicas. Então, mesmo podendo fazer reuniões on-line, existe a questão do estar presencialmente, a questão estratégica. As negociações que são mais relevantes e também diante do retorno de eventos de comércio, como feiras e rodadas de negociação”, avalia Thaunahy.
O especialista considera que, mesmo antes da assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, empresários brasileiros já atuavam por novos mercados.

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Exportações
Pádua Martins/Ascom Ipece

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Tarifaço comercial dos EUA atingiu fortemente o Brasil
Reprodução/FGV

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Divulgação/ Agência Brasil

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Trânsito de mercadorias no Porto-Paranaguá
APPA/Divulgação
“Como nós tivemos recentemente essa assinatura do acordo da União Europeia com o Mercosul e já havia tratativas de bastidores nos últimos anos, sim, tem uma relação direta entre os gastos”, sustenta Thaunahy.
Índia e China
Diante da política econômica do governo do presidente Donald Trump nos Estados Unidos, com a imposição de tarifas, o governo federal reforçou a atuação para diversificar as parcerias comerciais a partir de abril do ano passado.
As relações com a China foram reforçadas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou na China em maio de 2025 para participação na cúpula China-Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) em meio à guerra tarifária daqueles dias com os EUA.
Agora, Lula prepara uma comitiva com o objetivo de uma grande viagem para a Índia logo após o Carnaval. O Brasil alugou, por dois dias, um auditório com capacidade para cerca de 500 pessoas durante a visita de Lula ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Um grupo de 200 empresários brasileiros credenciado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) vai percorrer os ambientes corporativos no anseio de fechar novos negócios.


