A heavy machinery works in an affected area after Hurricane Melissa made landfall, in Santa Cruz, Jamaica, October 29, 2025. REUTERS/Octavio Jones
O furacão Melissa atingiu a Jamaica na terça-feira (28) como uma tempestade de categoria 5, com ventos de 298 km/h, o mais forte já registrado na ilha. Autoridades jamaicanas declararam o país em desastre, com danos extensos em infraestrutura e residências. Pelo menos oito mortes foram confirmadas na Jamaica, incluindo uma criança atingida por árvore caída.
Na sequência, o ciclone avançou para Cuba na madrugada de quarta-feira (29), rebaixado para categoria 3 com ventos de 193 km/h, impactando a província de Santiago de Cuba.
Mais de 735 mil pessoas foram evacuadas em Cuba, onde 241 comunidades rurais ficaram isoladas, afetando cerca de 140 mil residentes sem comunicação.
O Haiti registrou 23 mortes por inundações em Petit-Goâve, elevando o total no Caribe para mais de 30 vítimas.
Trajetória e intensidade da tempestade
O Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC) monitorou Melissa desde sua formação, que ganhou força rapidamente devido a águas quentes do Atlântico. A tempestade seguiu para nordeste após Cuba, rebaixada para categoria 2 com ventos de 160 km/h, ameaçando as Bahamas e Turks e Caicos com chuvas de até 25 cm e surtos de mar.
Alertas de furacão foram emitidos para as ilhas das Bahamas, com evacuações em áreas costeiras.
Danos na Jamaica
A Jamaica enfrentou o impacto direto na região oeste, onde o primeiro-ministro Andrew Holness descreveu a situação como catastrófica.
Cerca de 77% da população ficou sem eletricidade, com estradas destruídas e mais de 500 mil afetados na paróquia de St. Elizabeth, submersa por inundações. Hospitais registraram danos estruturais, e o aeroporto de Kingston planeja reabertura para quinta-feira (30).
O NHC estimou até 61 cm de chuva em áreas montanhosas, agravando deslizamentos de terra.
- Demolição de residências em Black River e Montego Bay.
- Queda de árvores bloqueando vias principais.
- Danos em propriedades comerciais e agrícolas.
Evacuações e preparativos em Cuba
Autoridades cubanas evacuaram 735 mil pessoas para abrigos, priorizando zonas vulneráveis em Santiago de Cuba, segunda maior cidade do país.
O presidente Miguel Díaz-Canel mobilizou 2.500 trabalhadores para reparos em linhas elétricas, com corte total de energia no leste da ilha. Rios transbordaram, isolando comunidades rurais de Guantánamo a Santiago.
Previsões indicam 50 cm de chuva acumulada, com riscos de deslizamentos em áreas montanhosas.
Impactos no Haiti e República Dominicana
Chuvas torrenciais de Melissa causaram transbordamento de rios no Haiti, resultando em 23 mortes em uma semana de precipitações.
A companhia aérea Sunrise Airways cancelou voos até quarta-feira, e mais de 160 casas foram inundadas em Port-au-Prince.
Na República Dominicana, uma morte foi registrada, com buscas por desaparecidos em curso.
Histórico e comparações com furacões passados
Meteorologistas da AccuWeather classificam Melissa como o terceiro furacão mais intenso no Caribe, atrás de Wilma (2005) e Gilbert (1988).
O ciclone registrou pressão mínima de 892 mb, superando recordes recentes na bacia atlântica.
Fatores como aquecimento oceânico contribuíram para sua rápida intensificação, com ventos dobrando em 24 horas.
A temporada de 2025 já viu três furacões de categoria 5, um recorde para o mês de outubro.
Medidas de recuperação imediata
Equipes de resgate dos EUA foram enviadas para Jamaica, Haiti e Bahamas, coordenadas pelo Departamento de Estado.
O presidente Donald Trump autorizou assistência, incluindo suprimentos médicos e engenheiros.
Na Jamaica, esforços focam na restauração de energia, com 900 abrigos mantidos abertos.
Cuba iniciou reparos em estradas e colheitas, afetadas na safra de inverno.
- Distribuição de alimentos em abrigos cubanos.
- Limpeza de detritos em vias jamaicanas.
- Monitoramento de saúde pública contra doenças pós-inundação.
Alertas para próximas áreas
O NHC emitiu avisos para as Bahamas, prevendo ventos danosos e surtos de até 3 metros.
Ilhas Turks e Caicos enfrentam alerta de tempestade tropical, com chuvas intensas esperadas até quinta-feira.
Bermuda monitora o avanço, com possível aproximação na sexta-feira (31).
Melissa deve se dissipar no Atlântico aberto após a passagem pelas ilhas.


