Furacão Melissa categoria 5 avança sobre Jamaica com 7 mortes no Caribe e alertas de inundações

Furacão

Furacão – Foto: bymuratdeniz/istock

O furacão Melissa, classificado como categoria 5 na escala Saffir-Simpson, faz landfall na Jamaica nesta terça-feira (28) com ventos sustentados de 280 km/h. A tempestade, considerada a mais forte do ano em todo o mundo, já causou sete mortes no Caribe antes de tocar o solo da ilha. Autoridades jamaicanas ativaram evacuações em massa para mitigar os riscos de inundações e deslizamentos.

A intensificação rápida do Melissa ocorreu nas águas quentes do Caribe Ocidental, onde temperaturas superficiais superam 29°C. O fenômeno avança lentamente a 5 km/h, prolongando a exposição das áreas afetadas a chuvas torrenciais de até 1 metro. O Centro Nacional de Furacões dos EUA emitiu alertas para Jamaica, Haiti e República Dominicana, destacando o potencial de danos catastróficos à infraestrutura.

Três das vítimas fatais ocorreram na Jamaica durante preparativos, quando árvores caíram sobre trabalhadores. Outras quatro mortes foram registradas em nações vizinhas, por deslizamentos e enchentes causados pela passagem inicial como tempestade tropical.

Trajetória lenta agrava riscos

O movimento lento do Melissa permite que ele absorva mais umidade, elevando o volume de precipitação em regiões montanhosas. Essa característica explica por que o furacão já isolou comunidades no sul da Jamaica, com rios transbordando e estradas bloqueadas por detritos.

Previsões indicam que o olho da tempestade atravessará a ilha de sudeste a noroeste, afetando diretamente Kingston e áreas costeiras. Equipes de resgate posicionaram abrigos para abrigar até 1,5 milhão de pessoas, conforme estimativas da Cruz Vermelha.

Mortes e danos iniciais no Caribe

Três óbitos no Haiti resultaram de deslizamentos perto de Porto Príncipe, onde chuvas acumularam 30 cm em poucas horas. Uma vítima na República Dominicana pereceu em Santo Domingo, vítima de enchente urbana que inundou bairros residenciais.

  • Mais de 750 residências danificadas na República Dominicana.
  • 3.760 deslocados e 48 comunidades isoladas por inundações.
  • No Haiti, 15 hectares de plantações de milho destruídos, agravando a fome para 5,7 milhões de habitantes.

O furacão também derrubou árvores e postes de energia, interrompendo serviços em Hispaniola. Uma pessoa permanece desaparecida desde os eventos iniciais.

🇯🇲🌪 Imagens incríveis feitas pelos caçadores de furacões da Reserva da Força Aérea dos EUA mostram o enorme olho e as poderosas paredes oculares do furacão Melissa. pic.twitter.com/30qf8RdNUS

— Julio Schneider 🇧🇷🇺🇸 (@juliovschneider) October 28, 2025

Preparativos urgentes na Jamaica

O governo jamaicano ordenou o fechamento de aeroportos e escolas, com o primeiro-ministro Andrew Holness alertando para interrupções prolongadas em energia e comunicação. Pacientes de hospitais costeiros foram transferidos para andares superiores devido ao risco de maré de tempestade de até 4 metros.

Autoridades relataram 13 feridos em acidentes durante a poda de árvores, incluindo quedas de escadas e telhados. O ministro da Saúde, Christopher Tufton, coordenou a distribuição de suprimentos essenciais para abrigos.

A Jamaica, acostumada a furacões, enfrenta um evento sem precedentes desde o Charlie em 1951, que matou 152 pessoas. Moradores estocaram alimentos enlatados e água potável, esvaziando supermercados em bairros como Port Royal.

Alertas para Cuba e Bahamas

Após atravessar a Jamaica, o Melissa deve alcançar Cuba nas próximas horas, com ventos acima de 250 km/h. Evacuações afetam dezenas de milhares em províncias orientais, onde inundações podem acumular 60 cm de chuva.

Nas Bahamas, condições de furacão são esperadas para quarta-feira, com ventos fortes e surtos de maré. O arquipélago, ainda se recuperando de eventos passados, ativou planos de contingência para proteger ilhas baixas.

O Centro Nacional de Furacões monitora o trajeto, prevendo uma curva para nordeste que evitaria impactos diretos nos EUA. No entanto, chuvas residuais podem afetar o sul da Flórida.

Histórico de furacões na região

Furacões como o Ivan, em 2004, causaram 17 mortes e danos de US$ 600 milhões na Jamaica. O Melissa supera esses eventos em intensidade, com pressão central de 892 mb, a terceira mais baixa registrada.

A Organização Meteorológica Mundial classifica o fenômeno como a “tempestade do século” para o Caribe, impulsionada por águas 2-3°C acima da média sazonal. Isso reflete padrões de aquecimento oceânico observados em tempestades recentes.

Especialistas destacam que o ritmo lento agrava os efeitos, permitindo acúmulo de água em solos já saturados. Regiões montanhosas enfrentam o maior risco de deslizamentos, com alertas para evacuação imediata.

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