Uma grande aeronave cinza, com identificação da Força Aérea dos Estados Unidos, aparece com parte faltando e a cauda inclinada

Crédito, Facebook

    • Author, Emma Pengelly
    • Author, Shayan Sardarizadeh
    • Author, Jake Horton
  • Tempo de leitura: 4 min

Imagens verificadas pela BBC Verify, serviço de verificação de dados e imagens da BBC, mostram que uma aeronave de comando e controle dos Estados Unidos foi destruída em uma base aérea na Arábia Saudita.

As imagens parecem ter sido publicadas inicialmente por uma página no Facebook dedicada a notícias militares dos EUA. Elas mostram que a aeronave E-3 Sentry parece ter sido partida ao meio.

A BBC Verify confirmou que as fotos foram tiradas na Base Aérea Príncipe Sultan, a cerca de 100 km a sudeste da capital da Arábia Saudita, Riad. Os elementos visíveis nas imagens, como postes, unidades de armazenamento e marcações no pavimento, coincidem com imagens de satélite.

O Comando Central dos EUA ainda não comentou publicamente o incidente. A BBC pediu um posicionamento.

Segundo informações públicas do governo americano, a aeronave E-3 Sentry tinha um custo estimado de US$ 270 milhões em 1998 (cerca de US$ 545 milhões, ou R$ 2,8 bilhões em valores corrigidos pela inflação).

Em depoimento no Congresso americano em 2023, em meio a investigações sobre balões chineses sobrevoando os EUA, a consultoria AirWise citou dados do governo americano que apontavam um custo de pelo menos US$ 22.412 (cerca de R$ 117 mil no câmbio atual) por hora de voo de uma aeronave Boeing E-3B Sentry (AWACS).

Segundo relatórios do governo americano, o custo de operação, aprimoramento e manutenção de cada uma dessas aeronaves pode chegar a quase US$ 30 milhões por ano (cerca de R$ 157 milhões).

Na sexta-feira (27/3), um funcionário dos EUA disse à agência de notícias Reuters que 12 militares americanos ficaram feridos, dois deles em estado grave, em um ataque militar iraniano a essa base. O jornal Wall Street Journal informou que ao menos duas aeronaves de reabastecimento também foram danificadas.

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No domingo (29/3), a agência de notícias Fars, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), afirmou que um drone Shahed atingiu a aeronave E-3.

A BBC Verify também identificou uma aeronave E-3 neste local em uma imagem de satélite capturada em 11/3. Não é possível afirmar se se trata da mesma aeronave.

Em uma das imagens verificadas, é possível ver o número de identificação da aeronave. Com base nisso, consultamos o site de rastreamento de voos Flightradar24, que indicou que ela estava em voo nas proximidades da base em 18/3.

Uma imagem de satélite capturada na sexta-feira (27/3) parece mostrar um incêndio no pátio da base aérea, a cerca de 1.600 m a leste do E-3. Não está claro se isso fez parte do mesmo ataque em que a aeronave vista nas imagens foi danificada.

Imagem de arquivo de avião E-3 AWACS

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, O radar do E-3 permite rastrear possíveis alvos a longas distâncias (imagem de arquivo)

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O Boeing E-3 Awacs — sigla para Airborne Warning and Control System (Sistema Aerotransportado de Alerta e Controle, em tradução livre) — é baseado no avião comercial Boeing 707 e possui um característico disco de radar giratório montado na parte traseira da fuselagem.

Esse radar permite detectar e rastrear possíveis alvos a longas distâncias, oferecendo alerta antecipado de ameaças durante operações de combate.

Segundo o site da Força Aérea dos EUA, a aeronave fornece “informações para que comandantes de operações aéreas possam obter e manter o controle da batalha aérea”,

O primeiro exemplar desse modelo entrou em operação em 1977, e há relatos de que o E-3 deve permanecer em serviço na USAF até 2035.

O jornal americano The Wall Street Journal fala em um custo de US$ 700 milhões (R$ 3,6 bilhões) para substituir a aeronave por um modelo mais moderno, o E-7 Wedgetail, da Boeing, ainda em fase de desenvolvimento. Atualmente, segundo o jornal, o governo dos EUA tem em atividade 16 aeronaves do modelo E-3, mas já chegou a ter 31 em atividade ao longo das décadas, afirmam relatórios do governo.