Sexta-feira, 23 de outubro de 2026
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Força Espacial dos EUA fica sem foguetes após recusa da SpaceX

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Força Espacial dos EUA fica sem foguetes após recusa da SpaceX

Além disso, A decisão da SpaceX de aposentar gradualmente o foguete Falcon 9 para concentrar suas operações no veículo de grande porte Starship deixou a Força Espacial dos Estados Unidos sem propostas de lançamento para três missões futuras de satélites militares. Dessa forma, A companhia do fundador e diretor-executivo Elon Musk recusou-se a oferecer o serviço de transporte nas licitações mais recentes, e nenhuma outra empresa do setor aeroespacial apresentou oferta para assumir os voos.

Com isso, O bloqueio nas contratações ocorreu dentro do programa National Security Space Launch (NSSL), sistema oficial de aquisição de lançamentos espaciais de segurança nacional dos Estados Unidos. Nesse sentido, duas das três missões sem foguete pertencem à Agência de Desenvolvimento Espacial (Space Development Agency, ou SDA), braço da Força Espacial responsável por construir uma constelação de centenas de satélites militares em órbita terrestre baixa, dedicada à transmissão de dados e ao alerta e rastreamento de mísseis. Portanto, procurada para esclarecer a recusa nas ofertas para os voos militares, a SpaceX não respondeu aos pedidos de comentário.

Em seguida, O general de brigada Eric Zarybnisky, executivo interino de aquisição de acesso ao espaço da Força Espacial dos Estados Unidos (Space Systems Command Assured Access to Space), descartou o risco de cancelamento definitivo das operações, mas admitiu a necessidade de ajustes no setor. “Eu não diria que há missões que me preocupam quanto à capacidade de voar; diria que estamos trabalhando para encontrar a maneira certa de atender a esses clientes”, afirmou o oficial. De acordo com as apurações, segundo ele, o momento de transição exige adaptações no cronograma militar. “Temporariamente, há algumas questões que precisaremos resolver enquanto novos fornecedores começam a operar”, disse Zarybnisky.

Contexto e detalhes sobre Força Espacial

Números e contratos do programa Falcon 9 na defesa dos EUA

Força Espacial

Foto: SpaceX – JHVEPhoto/ istockphoto.com

Por outro lado, A ausência de propostas nas licitações recentes reflete a dependência do programa espacial norte-americano em relação aos veículos da SpaceX e o volume bilionário de negócios firmados entre a empresa e o Pentágono ao longo de 2026.

  • Participação de mercado da SpaceX: 85% do total de lançamentos espaciais realizados nos Estados Unidos ao longo de 2025.
  • Contrato de maio de 2026: US$ 6,5 bilhões em acordos de satélites vencidos pela SpaceX junto à Força Espacial dos Estados Unidos.
  • Contrato de 29 de julho de 2026: US$ 1,6 bilhão em pedidos da Força Espacial para a SpaceX realizar 18 lançamentos do foguete Falcon 9 até o ano de 2027.
  • Volume militar acumulado em 2026: pelo menos US$ 7 bilhões em contratos militares somados pela empresa no ano.
  • Projeto Golden Dome: escudo de defesa antimísseis dos Estados Unidos, com custo total estimado em US$ 185 bilhões, cujos preparativos incluem os lançamentos contratados em 2026.

Limitações técnicas do Starship e falhas em concorrentes do Falcon 9

Vale destacar que A substituição direta do Falcon 9 pelo Starship enfrenta barreiras de engenharia e de disponibilidade operacional para atender às demandas imediatas de defesa. Considerado pela SpaceX um veículo mais eficiente e lucrativo, o Starship foi projetado inicialmente para transportar satélites empilhados de forma plana e horizontal, padrão utilizado nas cargas da rede de internet Starlink, da própria companhia.

Essa configuração cria dificuldades técnicas para acomodar satélites militares, que são desenhados para compartimentos de carga tradicionais. Além da questão estrutural, a capacidade futura do novo foguete para atender ao Pentágono disputa espaço com planos internos da SpaceX, que preveem o uso do veículo na construção de centros de dados orbitais e em outras prioridades corporativas.

Acompanhe: Starship da SpaceX chega à órbita da Terra em voo com suposto OVNI azul

Enquanto a transição de frota da SpaceX avança, as empresas concorrentes enfrentam problemas técnicos e atrasos que impedem a absorção imediata das missões militares norte-americanas. A United Launch Alliance (ULA) registrou falhas nos propulsores auxiliares sólidos de seu foguete Vulcan, o que deixou o veículo temporariamente impedido de voar e obrigou a Força Espacial a transferir missões anteriormente agendadas para a própria SpaceX.

Já a Blue Origin sofreu um revés em maio de 2026, quando um foguete New Glenn explodiu na única plataforma de lançamento da companhia na Flórida, incidente que deve manter o modelo fora de operação até 2027. No segmento de empresas emergentes, Rocket Lab, Stoke Space e Relativity Space desenvolvem foguetes de porte médio e capacidade intermediária, mas nenhuma das três realizou voos de teste bem-sucedidos com seus novos veículos até o momento.

Leia também: Starship da SpaceX alcança órbita pela primeira vez no 14º voo de teste e libera satélites Starlink

Domínio da família Falcon e disputa por vagas após 2028

Para tentar ampliar a concorrência no setor, a Força Espacial dos Estados Unidos estruturou o programa National Security Space Launch em duas faixas distintas de contratação. A primeira modalidade é voltada para missões menos exigentes e mais tolerantes a riscos, criada especificamente para atrair novos fornecedores como Rocket Lab, Stoke Space e Relativity Space, enquanto a segunda faixa concentra as missões de segurança nacional mais complexas. Na prática, contudo, a SpaceX dominou ambas as frentes de contrato utilizando os foguetes da família Falcon, consolidando a posição que a levou a responder por 85% dos voos espaciais norte-americanos em 2025.

O fim programado do Falcon 9 também afeta o setor privado, onde fabricantes comerciais de satélites relatam dificuldades para contratar transporte e alguns já não conseguem garantir lançamentos no veículo da SpaceX após o ano de 2028.

A disputa por espaço nos foguetes é agravada por uma diferença regulatória entre os setores público e privado: as regras atuais da Força Espacial exigem que novas empresas comprovem voos bem-sucedidos antes de disputar contratos militares, ao passo que companhias comerciais já compram vagas antecipadas em foguetes que ainda não estrearam, elevando a pressão por capacidade de lançamento até o final da década de 2030.

Diante do gargalo projetado para os próximos anos, integrantes da indústria espacial defendem que a Força Espacial e o Congresso dos Estados Unidos reformulem o sistema de compras públicas para permitir a reserva antecipada de múltiplos lançamentos, inclusive em foguetes que ainda não realizaram seu voo inaugural.

Apesar do impasse nas licitações divulgado nesta quinta-feira (22), os detalhes sobre a natureza da terceira missão militar que ficou sem propostas e as datas exatas em que a Força Espacial pretendia lançar os três voos não foram revelados. A data do último lançamento do Falcon 9 para os militares também segue indefinida: a Força Espacial mantém conversas com a SpaceX para monitorar o cronograma de construção e testes dos satélites já contratados e determinar quando ocorrerá a missão final do foguete para o serviço de defesa.

Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.

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Redação Foco Goiás