A morte de Thaliton Henrique Dias Machado pode ter sido motivada por um segredo guardado durante duas décadas. Segundo o delegado Tiago Escandolhero, responsável pela investigação, a vítima acreditava que o próprio pai havia matado sua mãe, Aparecida Almeida Dias, cerca de 20 anos atrás e ameaçava procurar a polícia caso não recebesse uma dívida de aproximadamente R$ 50 mil.
A suspeita surgiu durante a investigação do homicídio de Thaliton, morto a tiros na zona rural de Trindade, e passou a ser considerada pelos investigadores como a principal motivação do crime. Conforme a Polícia Civil, Ozanan Ananias Martins, de 59 anos, pai do Thaliton, teria decidido mandar matar o próprio filho para impedir que o desaparecimento da ex-esposa voltasse a ser investigado.
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“O Thaliton tinha muita convicção de que foi o pai. A viúva contou que ele cobrava os R$ 50 mil e dizia que, se não recebesse, procuraria a polícia. Nós acreditamos que, na cabeça do Ozanan, aquele crime de 20 anos era um crime perfeito e, com medo de ser descoberto, ele mandou matar o próprio filho”, afirmou o delegado Thiago Escandolhero.
Segundo o investigador, ainda não há provas materiais que permitam concluir o que aconteceu com Aparecida Almeida Dias, desaparecida há cerca de 20 anos numa região de rio em Pires do Rio. A Polícia Civil tenta localizar o boletim de ocorrência registrado na época para entender como o caso foi conduzido.
“Nós estamos tentando localizar esse boletim porque queremos saber se foi tratado apenas como desaparecimento ou como homicídio. Acreditamos que tenha sido registrado como desaparecimento, com a versão de que ela teria se afogado. A família chegou a dizer que havia muitas sucuris no rio, mas é uma versão que chama a atenção e levanta dúvidas”, disse.

Crianças teriam sido trancadas antes do desaparecimento
O delegado também revelou detalhes do relato que embasa a atual linha de investigação. Segundo ele, Ozanan levou a então esposa e os três filhos pequenos para uma chácara. Durante o trajeto, o casal teria discutido. Ao chegarem ao imóvel, as crianças foram trancadas em um quarto enquanto os pais saíram.
De acordo com o delegado Thiago Escandolhero, Thaliton contava à esposa que, ainda criança, ouviu um grito de socorro feminino pouco antes de a mãe desaparecer.
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“A vítima relatava para a viúva que ouviu um grito de socorro feminino. Depois disso, ela nunca mais foi vista. Desde então, permanece uma incógnita o que realmente aconteceu”, afirmou.
Apesar da nova linha investigativa, a Polícia Civil ressalta que ainda não há elementos suficientes para confirmar a dinâmica do desaparecimento nem para apontar o destino da vítima.
Os investigadores também evitam divulgar se haverá buscas em locais específicos relacionados ao caso. Segundo o delegado, a polícia recebeu informações que podem orientar futuras diligências, mas prefere manter essas informações sob sigilo para não comprometer as investigações.

Crime antigo pode nunca ser julgado
Embora a investigação sobre o desaparecimento tenha ganhado novo fôlego após o homicídio de Thaliton, o delegado afirma que uma eventual responsabilização criminal pelo caso ocorrido há cerca de duas décadas pode não ser mais possível.
Segundo ele, tudo indica que não houve processo judicial na época, e o tempo transcorrido dificulta qualquer persecução penal relacionada ao desaparecimento.
Ainda assim, a Polícia Civil pretende esclarecer as circunstâncias do caso, que passou a ocupar papel central na investigação da morte de Thaliton.
Relembre o caso
Thaliton Henrique Dias Machado foi assassinado na noite de 23 de janeiro deste ano, quando saiu até a horta da chácara onde morava, na zona rural de Trindade. A investigação concluiu que o pai da vítima, Ozanan Ananias Martins, teria contratado Wanderson da Silva Sousa para executar o crime mediante pagamento de R$ 15 mil.
Além de Ozanan e do suposto executor, a atual companheira do investigado, Simone Viana Silva, também foi presa. Segundo a Polícia Civil, após o homicídio, Ozanan ainda teria tentado contratar outra pessoa para matar Simone e Wanderson, numa tentativa de eliminar testemunhas que poderiam ligá-lo ao assassinato do próprio filho. As investigações continuam.

