Filha e neta de um idoso de 69 anos foram presas na terça-feira (18) como suspeitas de participação no homicídio do patriarca, em Rio Verde. O namorado da neta confessou ter atacado Geraldo Gomes Monteiro, de 69 anos, após uma discussão por som alto travada na casa da vítima. O autor tentou fuga para Uberlândia (MG), mas foi capturado após ter sido delatado pelo próprio idoso, que chegou ao hospital consciente e permaneceu internado por 30 dias antes evoluir a óbito. De acordo com o delegado Adelson Candeo, titular do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH), as duas mulheres teriam incentivado o ataque, e após as agressões, não acionaram socorro.
A apuração indica que os três passaram o dia do crime na casa consumindo bebidas alcoólicas e drogas. À noite, Geraldo foi dormir porque trabalharia na manhã seguinte. Depois de algum tempo, voltou ao cômodo onde estavam os outros três e pediu que diminuíssem o barulho. Segundo Candeo, antes da agressão, a filha e a neta teriam provocado o namorado. “Elas começaram a dizer para ele que o Geraldo tinha abusado dela quando era criança”, afirmou.
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Conforme expõe o delegado, o idoso foi empurrado sobre a cama e golpeado cinco vezes com arma branca. Familiares que moram na vizinhança forçaram entrada na residência após ouvirem a confusão e encontraram Geraldo ferido. Ele foi então encaminhado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA-24h) onde revelou os detalhes da agressão.

Brigas frequentes em casa
Geraldo morava com a filha e a neta, e os três enfrentavam conflitos frequentes relacionados à rotina da casa e ao uso de drogas. Familiares contaram que o idoso reclamava da sujeira e da presença de usuários no imóvel. “Ele trabalhava o dia inteiro e, quando chegava em casa, ainda tinha que lidar com a bagunça e com as reclamações”, afirmou o delegado.
Outro neto havia sido expulso da residência após, segundo a investigação, furtar objetos para trocá-los por drogas. Para familiares, a ausência de Geraldo poderia acabar com as cobranças e permitir o retorno dele à casa.
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Neta teria planejado fuga
Mesmo após a morte do avô, a neta continuou em contato com o namorado. Testemunhas relataram à polícia que ela disse que não o entregaria e, se necessário, fugiria com ele.
A mulher, porém, nega a declaração. Segundo Candeo, familiares também receberam informações de que ela tentava deixar a cidade.
“Uma testemunha nos disse que ela estava procurando duas passagens. A interpretação da família foi de que seriam uma para ela e outra para o companheiro”, relatou.
A atitude e as versões contraditórias apresentadas pelas duas mulheres levantaram suspeitas sobre a participação delas no homicídio. Inclusive, a filha teria impedido a entrada de familiares no imóvel, entre eles a própria irmã de Geraldo.
Internado por 30 dias
A violência do ataque provocou ferimentos graves. A lâmina utilizada pelo suspeito se quebrou, e um fragmento metálico ficou alojado no crânio de Geraldo. Ele sofreu fratura craniana e permaneceu internado por 30 dias, inclusive na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), até morrer.

A Polícia Civil informou que os três respondem, em tese, por homicídio doloso qualificado por motivo fútil e mediante recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.
Após o crime, o suspeito fugiu para Minas Gerais. Ele foi localizado e preso em uma ação do GIH de Rio Verde, com apoio da Delegacia de Homicídios de Uberlândia.
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