Denúncia diz que mulher matou a mãe por se irritar ao perceber que vítima amarrou cabelo da neta para cortar. Filha segue presa
Justiça aceita denúncia por feminicídio contra filha acusada de matar a mãe a facadas em Guapó (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
A Justiça recebeu a denúncia apresentada contra a ex-comissária de voo de 32 anos acusada de matar a própria mãe a facadas, Maria de Lourdes de Jesus, de 62 anos, dentro da casa onde moravam, em Guapó. A decisão, assinada pela juíza Luciane Cristina Duarte da Silva, reconheceu que há indícios suficientes para abertura de ação penal por feminicídio e determinou a continuidade da prisão preventiva da investigada, que já está detida desde janeiro.
O processo foi aberto após manifestação formal do Ministério Público de Goiás (MPGO), que enquadrou o caso como homicídio qualificado com circunstâncias agravantes. Entre elas estão motivo considerado fútil, crime cometido contra ascendente, convivência na mesma residência e contexto de violência doméstica, com aplicação também da Lei Maria da Penha.
De acordo com a denúncia, o crime aconteceu na madrugada de 25 de janeiro, dentro da casa da família. A promotoria afirma que a discussão começou após a avó prender o cabelo da neta para cortá-lo, o que irritou a mãe da criança. Após o desentendimento, a ex-comissária pegou uma faca e atacou a idosa.
Os golpes atingiram tórax, abdômen, braços e pernas. A promotoria sustenta que a violência foi contínua e que a vítima não teve chance de defesa, principalmente por causa da idade e de problemas de saúde. O laudo aponta que a morte ocorreu em razão das lesões provocadas pelos ferimentos.
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Criança presenciou a cena
No momento do crime, a filha da suspeita, uma menina de 5 anos, estava dentro da casa e teria presenciado parte da situação. Esse fator também foi destacado pela acusação como elemento que agrava a gravidade do caso.
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Após o crime, a mulher permaneceu algumas horas na residência e depois saiu levando a criança. Segundo o Ministério Público, ela chegou a ligar para uma testemunha e confessar o homicídio, dizendo que fugiria para outro estado e que ainda estava com a faca usada.
A suspeita foi localizada ainda no mesmo dia por equipes da Polícia Militar, na casa de parentes em Goiânia. Ela foi presa em flagrante e, na audiência de custódia realizada no dia seguinte, a prisão foi convertida em preventiva.
O procedimento foi acompanhado pela Defensoria Pública do Estado de Goiás, que não se opôs à manutenção da custódia naquele momento.
Histórico de conflitos familiares
Durante a audiência, foi mencionado que mãe e filha mantinham uma relação conturbada havia anos. A vítima já havia obtido uma medida protetiva contra a filha anteriormente, mas pediu a revogação meses depois. Segundo relato judicial, a ex-comissária teria dito que não tinha relação afetiva com a mãe e que a convivência sempre foi difícil.
Com o recebimento da denúncia, a ação penal passa para fase de instrução, quando testemunhas serão ouvidas, provas serão analisadas e a defesa poderá apresentar sua versão formal. Somente após essa etapa o Judiciário vai decidir se a mulher vai a julgamento e por quais crimes.


