SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, SP (FOLHAPRESS) – Doença transmitida por carrapatos, a febre maculosa provocou 17 mortes distribuídas por pelo menos cinco regiões de São Paulo nos sete primeiros meses deste ano. Além disso, É o que aponta um levantamento da Secretaria de Estado da Saúde.
Dessa forma, os óbitos ocorreram nas regiões da Vigilância Epidemiológica de Piracicaba, Sorocaba e Campinas, com três registros cada; Santo André, com um; e São José dos Campos, também com um. Com isso, no restante dos casos, os locais prováveis de infecção seguem em investigação. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a Febre maculosa continuam sendo acompanhados com atenção.
Nesse sentido, A vítima mais recente é o engenheiro civil Rubens Allan Bizarro, 37, de Americana, que morreu no dia 30 de junho após permanecer internado no Hospital Municipal Dr. Portanto, waldemar Tebaldi. Em seguida, A confirmação da causa da morte foi divulgada na terça-feira (14) pela Secretaria da Saúde local, após a emissão do laudo do Instituto Adolfo Lutz. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de Febre maculosa nos últimos dias.
Contexto e detalhes sobre Febre maculosa
De acordo com as apurações, segundo a Vigilância Epidemiológica da cidade, o local provável da infecção ainda está sendo investigado pelo PVCE (Programa de Vigilância e Controle do Escorpião e Carrapato).
O número total de mortes em São Paulo, embora menor do que em 2025 -quando foram 44 o ano inteiro no estado, de um total de 61 casos-, preocupa dada a letalidade da doença. Por outro lado, segundo a Secretaria da Saúde estadual, oficialmente foram contabilizados neste ano 18 casos, dos quais 17 resultaram em mortes.
Vale destacar que entre os anos de 2020 e 2025, o estado de São Paulo registrou 489 casos da doença e 244 óbitos.
Principais pontos e impactos da decisão
O número de casos neste ano, porém, pode ser maior, a depender de confirmações de casos suspeitos espalhados pelo interior. Até o momento, Americana registrou 22 notificações de febre maculosa neste ano, dos quais 16 foram descartados, 5 estão em investigação e 1 óbito foi confirmado. De acordo com a Secretaria de Saúde, não há outros óbitos suspeitos relacionados à doença.
“A Saúde orienta a população a evitar locais de risco, como áreas às margens de rios, córregos, lagoas e da Represa do Salto Grande, e se for necessário adentrá-las, adotar cuidados como o uso de roupas claras, verificar o corpo a cada três horas e observar sintomas, entre outras medidas. Americana conta, desde 2006, com o PVCE, que monitora as áreas de risco e mantém placas de advertência à população, alertando sobre a presença do carrapato-estrela nesses locais”, informou a prefeitura, em nota.
Americana pertence à região do Grupo de Vigilância Epidemiológica de Campinas, uma das que mais registraram mortes no estado. Assim como a cidade de Araras, que contabiliza outras duas mortes e tem 25 casos suspeitos em investigação, o maior número da região.
O que dizem as partes envolvidas
As duas vítimas em Araras eram crianças, sendo um menino de 8 anos e uma menina de 9, ambos moradores do Jardim Aeroporto e estudantes da mesma escola. Os óbitos foram em janeiro.
Diante do cenário, a Prefeitura de Araras afirma que intensificou as medidas de prevenção. Entre elas está o treinamento de equipes de saúde para ampliar o reconhecimento precoce da doença, considerada decisiva para reduzir o risco de morte.
Além do reforço da sinalização em áreas de risco e ampliação de campanhas educativas e o monitoramento de locais com grande circulação de capivaras, principais hospedeiras do carrapato-estrela, vetor da bactéria causadora da febre maculosa.
Próximos passos e desdobramentos
“As duas crianças estiveram em uma área em comum, que posteriormente foi vistoriada pela Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. A partir desses casos, a Secretaria da Saúde intensificou a capacitação dos profissionais para fazer o diagnóstico precoce, assim como o trabalho de conscientização da população e o monitoramento e identificação de áreas suscetíveis ao aparecimento do aracnídeo na cidade”, informou a prefeitura.
A doença é causada por uma bactéria do gênero Rickettsia, transmitida pela picada do carrapato. No Brasil, duas espécies de riquétsias estão associadas a quadros clínicos da doença. Ela é transmitida por carrapatos como o “carrapato-estrela”, “carrapato-de-cavalo” ou “rodoleiro”, muitas vezes presentes em áreas de vegetação onde há animais como capivaras, equinos e até mesmo cães e gatos.
O diagnóstico da febre maculosa é um desafio para os serviços de saúde porque os primeiros sintomas se confundem com doenças como dengue e viroses.
Febre alta, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e mal-estar costumam ser os primeiros sinais. As manchas avermelhadas, características da doença, podem aparecer apenas em fases mais avançadas, quando o quadro já se agravou.
Em nota, a Secretaria estadual da Saúde informou que também desenvolve ações integradas para reduzir a incidência e a letalidade da febre maculosa, com foco na detecção precoce, investigação oportuna e resposta rápida aos casos.
“Entre as principais estratégias estão a notificação compulsória e investigação epidemiológica de todos os casos suspeitos e óbitos, o monitoramento contínuo da situação epidemiológica, a identificação dos locais prováveis de infecção, o fortalecimento do diagnóstico laboratorial, o treinamento permanente dos profissionais de saúde para reconhecimento precoce da doença e início imediato do tratamento, além da integração entre as vigilâncias epidemiológica, ambiental e laboratorial para identificação de áreas de risco e implementação de medidas de prevenção e comunicação de risco à população”, informou a pasta.
O tratamento para a doença é feito com antibióticos, mas precisa ser iniciado ainda na primeira semana de sintomas. Quanto maior a demora, maior o risco de complicações e morte. Por isso, a principal orientação é que pessoas com febre, após frequentarem áreas de mata, vegetação alta ou locais com presença de capivaras, cavalos e carrapatos informem imediatamente essa exposição ao procurar atendimento médico.
Segundo orientação do Ministério da Saúde, medidas simples, como usar roupas claras e de mangas compridas em áreas de risco, colocar a barra da calça dentro da meia, inspecionar o corpo após passeios e retirar rapidamente carrapatos encontrados na pele ajudam a reduzir o risco de infecção. Não existe vacina contra a doença.
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