Falsa biomédica relata prática irregular que, segundo ela, é mais comum do que se imagina

Redação
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Falsa biomédica relata prática irregular que, segundo ela, é mais comum do que se imagina

Vendedora Amanda Almeida Galdino foi indiciada por falsidade ideológica. Falsa biomédica Sheline Araújo também deve responder por três crimes após usar nome de profissional para comprar insumos

Polícia Civil e Vigilância Sanitária durante operação - (Goto: reprodução/PC)

Polícia Civil e Vigilância Sanitária durante operação – (Goto: reprodução/PC)

Pedro Moura

O indiciamento da falsa biomédica Sheline Araújo e da vendedora Amanda Almeida Galdino por usar indevidamente o nome e dados de um profissional da área de estética para abastecer uma clínica clandestina com insumos, em Goiânia, escancarou uma prática criminosa: a falsidade ideológica.

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Conforme depoimento de Amanda, que consta no inquérito policial ao qual o Mais Goiás teve acesso, ela afirmou que é comum na área de estética vender produtos para terceiros com o cadastro de outros profissionais sem a prévia autorização ou consentimento. 

Amanda foi indiciada pela Polícia Civil (PC) na última terça-feira (24) por criar um cadastro e falsificar a assinatura de uma biomédica para realizar ao menos três compras em nome da profissional, sem que a mulher soubesse. Os insumos tinham como destino a clínica de Sheline, também indiciada por falsidade ideológica. 

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A falsa biomédica ainda deve responder por falsificação de produtos medicinais e exercício ilegal da profissão. Sheline atendia a cerca de um ano e quatro meses no estabelecimento, tendo comprado ao menos R$ 200 mil em insumos em nome da vítima com o auxílio de Amanda, responsável pelas vendas. 

Além de atuar como biomédica sem ter formação na área, Sheline também se apresentava como graduada em enfermagem. No entanto, no inquérito, consta a indiciada não possui qualquer tipo de formação superior, sendo que ela mesma afirmou em depoimento não ser formada em enfermagem e que ainda está cursando biomedicina. 

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A afirmação é contrária ao que a mulher alegou nas redes sociais, logo depois que foi alvo de operação em 26 de fevereiro deste ano. Na ocasião, ela usou o Instagram para se apresentar como enfermeira e afirmou que aguarda registro junto ao Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), mas a corporação identificou que o diploma apresentado era falso.

Entenda o esquema 

Para conseguir abastecer a clínica com insumos, Sheline usava o registro e dados pessoais de uma profissional sem o consentimento dela. Ao todo, a falsa biomédica comprou ao menos R$ 200 mil em produtos em nome de terceiros apenas de uma fornecedora, conforme o relatório policial. A suspeita atendia na clínica a cerca de um ano e quatro meses.

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Em depoimento, Sheline afirmou que estava arrependida do crime e que não conhecia a verdadeira biomédica, tendo usado o nome da mulher em benefício próprio por sugestão da vendedora Amanda Almeida Galdino. Conforme a falsa biomédica, Amanda afirmou que era amiga da vítima e assinou três compras em nome da profissional – motivo pelo qual também foi indiciada. 

“Ela nega ter feito o cadastro em nome da biomédica na empresa, mas alega que teriam lhe oferecido a possibilidade de compras pela vendedora Amanda em nome da biomédica. Afirmou que assinou em nome da biomédica a pedido de Amanda e informou que Amanda se responsabilizaria por qualquer problema proveniente da fiscalização do conselho de biomedicina”, diz trecho do depoimento de Sheline registrado na PC.

Amanda, por outro lado, negou as afirmações de Sheline e também tentou imputar os crimes à falsa biomédica, conforme depoimento. Segundo ela, o cadastro em nome da vítima foi feito a pedido da própria biomédica em abril de 2025, após elas se conhecerem em outras empresas. No entanto, afirma que realizou as compras sem o consentimento da vítima e que agiu a pedido de Sheline.

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A vendedora contou à PC que o “proprietário da empresa tinha conhecimento de todas as vendas realizadas para Sheline no cadastro da biomédica. O responsável técnico também tinha conhecimento”. Os dois, porém, não foram indiciados.

O Mais Goiás entrou em contato com Sheline para que se posicionasse, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A defesa de Amanda não foi localizada.

Investigação 

A investigação teve início após a vítima procurar a PC para denunciar o crime, depois de ser advertida pelo Conselho Regional de Biomedicina devido a compra de insumos. À corporação, ela informou não conhecer a clínica ou Sheline.

“Ela não tem CNPJ. Pode responder por falsidade ideológica, crimes financeiros, crimes sanitários e, ainda, exercício ilegal da profissão”, afirmou o delegado Diogo Luiz Barreira ao Mais Goiás no dia da operação.

“Há seis meses ela compra medicamentos em nome dessa biomédica. Ela [Sheline] tinha todos os dados dela [biomédica], usava o nome dele, assinava em nome dela”, concluiu.

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