JR East confirmou que o mesmo painel de controle foi utilizado nos dois incidentes de desacoplamento ocorridos na linha Tohoku Shinkansen. O primeiro episódio aconteceu em 19 de setembro de 2024, entre as estações Furukawa e Sendai, na província de Miyagi, quando o trem Hayabusa-Komachi número 6, viajando a cerca de 315 km/h, sofreu separação involuntária das formações. O segundo registro data de 6 de março de 2025, próximo à estação Ueno, em Tóquio, envolvendo o Hayabusa-Komachi número 21, a aproximadamente 60 km/h.
A companhia identificou possível misfunctionamento no painel, que emitiu sinal de separação por erro. Nesses casos, não houve ferimentos entre os passageiros, mas as operações foram interrompidas temporariamente em toda a rede. A análise preliminar sugere que fragmentos metálicos ou falhas elétricas repetidas ativaram o mecanismo de desacoplamento.
Esses eventos marcam a primeira ocorrência de separação em movimento na história da linha, destacando vulnerabilidades no sistema de acoplamento entre trens de séries E5/H5 e E6. A JR East prioriza a segurança, com inspeções em todos os 96 conjuntos acoplados.
Detalhes dos incidentes na linha
O episódio de setembro de 2024 mobilizou equipes de manutenção rapidamente após a parada de emergência. O trem, com 320 passageiros a bordo, parou sem danos estruturais nas formações. Técnicos examinaram o mecanismo de acoplamento e detectaram resíduo metálico atrás do interruptor, o que provocou o sinal falso de separação.
Em março de 2025, o incidente perto de Ueno afetou 642 viajantes, que foram realocados para outros trens após três horas de interrupção. A separação ocorreu em velocidade reduzida, mas interrompeu serviços em linhas paralelas, como Joetsu e Hokuriku, por mais de duas horas.
A repetição em menos de seis meses expõe falhas no processo de verificação pós-incidente. A JR East admitiu que o painel de controle, após inspeção no primeiro caso, foi transferido para outra formação, sem detecção de defeito latente.
Investigação revela falha no painel compartilhado
A análise conjunta das duas formações apontou o painel de controle como elemento comum. Esse dispositivo gerencia sinais elétricos para o acoplamento, e testes indicaram emissão repetida de comandos de liberação. Especialistas em engenharia ferroviária destacam que o resíduo metálico do primeiro incidente poderia ter persistido, apesar das limpezas realizadas.
A companhia revisou dados de telemetria dos trens envolvidos, confirmando ativação involuntária do interruptor de separação. No segundo caso, o alavanca de desbloqueio funcionou de forma intermitente, sugerindo desgaste ou contaminação residual no circuito.
Medidas iniciais incluíram desativação temporária da função de separação forçada em todos os painéis. A JR East planeja substituição integral dos componentes afetados, com cronograma acelerado para evitar paralisações prolongadas.
Impacto operacional e ajustes imediatos
A suspensão de acoplamentos afetou rotas dependentes da integração entre Tohoku e linhas regionais. Para o Komachi, serviços limitaram-se a trechos curtos entre Akita e Morioka, enquanto o Tsubasa operou isolado entre Shinjo e Fukushima. Essa configuração reduziu a capacidade diária em cerca de 27 mil assentos.
- Operações suspensas em 60 trens por dia nas linhas Yamagata e Akita;
- Aumento de 20% na lotação em estações de conexão como Fukushima e Morioka;
- Realocação de 153 mil passageiros afetados em março de 2025;
- Retomada gradual de horários normais prevista para 15 de março de 2025.
Passageiros enfrentaram atrasos médios de 30 minutos, com opções de reembolso integral para bilhetes impactados. A JR East reforçou comunicações em estações para orientar sobre alternativas de transporte.
Medidas de correção e reforço de segurança
Engenheiros da JR East desenvolveram protótipos de fixadores metálicos para os interruptores de compressor de ar nos painéis. Esses dispositivos impedem desbloqueios acidentais, mesmo com sinais elétricos errôneos. A instalação ocorrerá em fases, priorizando os 96 conjuntos acoplados.
Treinamentos adicionais para operadores focam em detecção precoce de anomalias elétricas. A companhia investe em simulações digitais para testar cenários de falha, reduzindo riscos em velocidades variadas.
Auditorias independentes, coordenadas com agências reguladoras, validarão as modificações antes da retomada plena. O presidente da JR East, em coletiva recente, enfatizou compromisso com transparência total nos relatórios de investigação.
Histórico de acoplamentos no Shinkansen
O sistema de acoplamento permite integração eficiente entre linhas principais e regionais desde a extensão da Tohoku em 2011. Formações como Hayabusa e Komachi operam acopladas de Tóquio a Morioka, desacoplando em plataformas para rotas separadas. Essa prática otimiza frota e horários, transportando milhões anualmente.
Incidentes semelhantes em linhas convencionais ocorreram esporadicamente, mas nunca em alta velocidade como no Shinkansen. Registros de 2007 mostram falhas mecânicas em trens locais, resolvidas com reforços em ganchos.
A Tohoku Shinkansen, inaugurada em 1982, acumula mais de 2.900 km de extensão, com velocidades até 320 km/h. Manutenções anuais em 100% da frota mantêm taxa de pontualidade acima de 99%.
No contexto atual, a JR East avalia expansão de inspeções para outros painéis, garantindo uniformidade em séries E5, H5 e E6.
Reações e cronologia dos eventos
Autoridades de transporte japonês exigiram relatórios detalhados em 24 horas após cada incidente. A Agência de Ferrovias do Ministério de Terras, Infraestrutura e Turismo supervisiona as correções, com prazos estritos para implementação.
A cronologia destaca agilidade na resposta: em setembro de 2024, inspeções em toda frota concluíram em uma semana; em março de 2025, a suspensão de acoplamentos iniciou no mesmo dia. Até dezembro de 2025, todas as modificações devem estar operacionais.
Especialistas em segurança ferroviária recomendam monitoramento contínuo de circuitos elétricos via sensores IoT. Essa abordagem preventiva alinha-se a padrões globais, como os adotados em redes europeias de alta velocidade.


