Ex-piloto que deixou goiano em coma está sendo ameaçado por policiais na prisão, diz defesa

A agressão ocorreu no dia 23 de janeiro e teria sido motivada por uma briga envolvendo um chiclete

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Pedro Turra, de 19 anos, suspeito de agredir Rodrigo (Foto: Reprodução)

Luanna Marques

A defesa do ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, preso preventivamente por agredir e deixar em coma o adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, afirma que o jovem sofreu ameaças dentro do sistema prisional do Distrito Federal. Segundo o advogado Eder Fior, Pedro teria sido ameaçado tanto por outros detentos quanto por um agente policial.

“E, dentro do sistema prisional, Pedro foi ameaçado por um agente policial”, afirmou o advogado. A defesa pediu que Pedro fosse colocado em uma cela individual e que a situação fosse investigada. “Os demais presos, inclusive, têm ameaçado Pedro. Isso é grave”, pontuou Eder Fior, em entrevista ao portal Metrópoles.

Em nota, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) disse que “qualquer denúncia envolvendo conduta de policiais civis é tratada com seriedade”, e que será analisada “de forma imparcial” pela Corregedoria-Geral da corporação.

Fior também criticou a manutenção da prisão preventiva, decretada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) e mantida após a negativa de habeas corpus. Para ele, medidas cautelares alternativas, como o uso de tornozeleira eletrônica, seriam suficientes. O advogado questionou ainda a atuação da Polícia Civil, sugerindo que a prisão teria caráter de “resposta social” diante da repercussão do caso. Segundo ele, Pedro estaria sendo condenado antecipadamente pela opinião pública, antes mesmo de ser julgado.

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Justiça manteve a prisão

Em decisão proferida na segunda-feira (2), o desembargador Diaulas Costa Ribeiro manteve a prisão. Como justificativa, apontou a gravidade da agressão, o histórico de comportamento violento reiterado e o risco à ordem pública como fundamentos para negar o habeas corpus. Também foram considerados indícios de tentativa de obstrução da Justiça, já que o investigado teria orientado testemunhas a sustentar uma versão de legítima defesa.

“Diante do comportamento socialmente alarmante e da tentativa de manipulação da instrução processual, medidas alternativas à prisão mostram-se ineficazes”, afirmou o magistrado.

Pedro está preso desde a última sexta-feira (30), quando foi detido na casa da mãe. Inicialmente, ficou custodiado na Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP), sendo transferido na segunda-feira (2) para o Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda.

O TJDFT determinou que a direção do CDP informe, no prazo de cinco dias, se há necessidade de manter o preso em cela individual. Em nota, a Polícia Civil informou que eventuais denúncias envolvendo a conduta de seus agentes são apuradas pela Corregedoria-Geral.

A vítima permanece internada em coma há 12 dias, em um hospital particular de Águas Claras.

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Defesa da vítima

Em comunicado oficial, o advogado da família de Rodrigo Castanheira, Albert Halex, classificou como “totalmente acertada” a decisão que manteve a prisão. Segundo ele, a agressão “rompeu padrões mínimos de civilidade” e o episódio registrado em vídeo “lembra confrontos de MMA”.

Halex também afirmou haver indícios de que o adolescente não teria sido agredido de forma isolada, mas possivelmente por mais de uma pessoa. De acordo com o defensor, há sinais de combinação de versões e ameaças a testemunhas, o que reforçaria a necessidade da prisão para garantir a integridade do processo.

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Relembre o caso

A agressão ocorreu na noite de 23 de janeiro, em Vicente Pires. Segundo a investigação, a briga começou após Pedro jogar um chiclete mascado em um amigo. Rodrigo Castanheira teria respondido que “não deixaria barato” se a situação tivesse ocorrido com ele.

Pedro e Rodrigo teriam trocado socos. O adolescente sofreu traumatismo craniano, está intubado e respira com auxílio de aparelhos em um hospital particular de Brasília. A Polícia Civil investiga o caso como lesão corporal grave, mas a tipificação pode ser alterada conforme a evolução do quadro clínico.

Após a repercussão, outras três ocorrências policiais envolvendo Pedro Turra no Distrito Federal vieram à tona, incluindo denúncia de agressão anterior, briga de trânsito e uma suposta coação para que uma adolescente ingerisse bebida alcoólica.

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