O nome de Roberto Soriano, conhecido como “Tiriça” e ex-integrante da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), retornou ao centro do noticiário após ele ser alvo de uma punição rigorosa. A Polícia Penal Federal determinou um isolamento de 30 dias para o detento após ser encontrado um objeto cortante improvisado em sua cela. O material era um osso de frango que foi afiado, descoberto na Penitenciária Federal em Mossoró, no Rio Grande do Norte. A situação intensifica o cenário de crise interna na facção criminosa, onde Soriano se posiciona como um inimigo declarado de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado a liderança máxima.
A rivalidade entre os dois criminosos é classificada por autoridades de segurança como o maior racha na história do PCC. O objeto encontrado, conforme relatos de policiais federais, estava com uma ponta tão afiada quanto uma faca, gerando preocupação de que pudesse ser utilizado contra agentes, outros detentos ou em uma eventual tentativa de fuga.
Isolamento em Mossoró e a arma improvisada
O ex-líder do PCC foi condenado a uma pena de isolamento que se estenderá até 11 de dezembro. Nesse período, Soriano terá restrições severas.
O banho de sol, que normalmente é de duas horas diárias, será suspenso, e o preso também perderá o direito de receber visitas de familiares. A Penitenciária Federal em Mossoró, uma das unidades de segurança máxima do sistema prisional brasileiro, mantém custódia de importantes lideranças criminosas.
Embora a proteína servida aos detentos, que recebem seis refeições diárias, geralmente não contenha ossos, é possível que, de forma pontual, o chamado “panelão” — a refeição principal — apresente essa ocorrência. A defesa de Soriano não se manifestou sobre a punição imposta.
A disputa interna pelo poder
A crise entre Soriano e Marcola se aprofundou em julho, quando documentos vieram à tona detalhando a briga na cúpula da organização. Tiriça, que já foi o número 2 da facção, é um dos responsáveis por uma decisão interna que culminou na exclusão e na decretação da morte de Marcola em um “salve”, o comunicado oficial da facção.
Ele, juntamente com Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, acusou Marcola de “caguetagem” — gíria para delação —, além de traição e má conduta. Em uma declaração que reflete a intensidade do conflito, Soriano já afirmou: “eu não sou inimigo do PCC. Sou inimigo do Marcola.”
Acusações de traição e a gravação de 2022
O ponto central da ruptura foi uma gravação de junho de 2022, feita durante uma entrevista com Marcola na Penitenciária Federal de Porto Velho. No áudio, o líder máximo do PCC apontou Tiriça como o mandante do assassinato do agente federal de Execução Penal Alex Belarmino Almeida Silva, ocorrido em 2016. Essa revelação foi considerada um crime imperdoável pelas regras da facção.
A repercussão do áudio foi tão negativa que os advogados de Marcola tentaram anular a gravação judicialmente, classificando-a como uma “captação ambiental clandestina”.
- A solicitação visava impedir que o conteúdo chegasse ao conhecimento da cúpula do PCC.
- A defesa alegou ilegalidade na interceptação do material.
- A juíza responsável pelo caso, no entanto, autorizou o uso das declarações no processo, o que intensificou o descontentamento interno.
Desdobramentos e consequências das falas
As declarações de Marcola na gravação incluíram ainda menções à rebelião de 2001 em Taubaté, onde ele teria afirmado ter “administrado a penitenciária”. Essas falas, somadas à acusação direta contra Soriano, foram recebidas com extrema desconfiança por antigos aliados e aprofundaram a crise. O julgamento do assassinato de Belarmino, em junho de 2025, revisitou o tema quando Abel Pacheco, o Vida Loka, acusou formalmente Marcola de ter delatado Soriano. A tentativa frustrada da defesa de Marcola em ocultar o áudio consolidou a gravação como prova central, deflagrando o racha mais significativo já registrado entre os principais líderes do PCC.
Condenações e histórico de Tiriça
Roberto Soriano possui um histórico de condenações por crimes de alta gravidade no sistema penitenciário federal. Ele foi apontado pelas autoridades como o mandante do assassinato de Alex Belarmino de Souza, agente penitenciário federal em Cascavel, no Paraná, em 2016. Além disso, Soriano também foi condenado pelo homicídio qualificado de Melissa Almeida, psicóloga da unidade de Catanduvas, ocorrido em 2017. As condenações por ataques a servidores públicos federais demonstram a posição de destaque e o alto grau de periculosidade do detento.

