A agência de aplicação da lei da União Europeia, Europol, revelou em 24 de agosto de 2026 uma nova e preocupante tendência no cenário do crime organizado. Os roubos de obras de arte na Europa estão se tornando cada vez mais violentos, com um foco crescente em ouro e joias, e as tradicionais quadrilhas especializadas foram substituídas por grupos improvisados, recrutados por meio de redes sociais, operando sob um modelo de “crime como serviço”.
Nova face da criminalidade: Violência em alta e alvos estratégicos
O relatório divulgado pela Europol aponta para uma escalada na agressividade dos assaltos a estabelecimentos e vitrines. Os criminosos utilizam ferramentas brutais como marretas, machados, pés-de-cabra e, em alguns casos, até explosivos para invadir os locais. Esse método de confronto direto difere significativamente das abordagens mais furtivas observadas em ondas de roubos anteriores.
A mudança nos alvos também é notável, com uma preferência crescente por metais preciosos, joias e artefatos culturais de alto valor. A agência explicou que esses itens oferecem lucros substanciais e são mais facilmente convertidos em dinheiro no mercado ilícito, o que os torna particularmente atraentes para os novos grupos criminosos.
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O modelo “crime como serviço”: recrutamento e descentralização
A Europol identificou uma transformação profunda na estrutura das organizações criminosas envolvidas nesses roubos. Ao contrário das quadrilhas tradicionais, que contavam com um líder central e membros especializados, os assaltos recentes são executados por grupos descentralizados e oportunistas. Eles são recrutados rapidamente através de plataformas de redes sociais, utilizando uma abordagem conhecida como “crime como serviço”.
Essa metodologia de “crime como serviço” permite que os indivíduos se unam para um roubo específico e se dispersem em seguida, dificultando a identificação e desarticulação das redes. A natureza improvisada desses grupos significa que a especialização individual é menos valorizada do que a disposição para agir de forma rápida e violenta, o que amplia o número de potenciais recrutas.
A valorização do ouro impulsiona roubos e dificulta rastreamento
O preço do ouro disparou 85% nos últimos dois anos, à medida que investidores e bancos centrais recorreram ao metal como um porto seguro em um cenário econômico instável. Essa valorização histórica tornou o ouro um ativo extremamente cobiçado, não apenas para investimentos legítimos, mas também para o mercado ilícito.
A London Bullion Market Association, responsável pela supervisão do centro de negociação de ouro em Londres, alertou para um aumento preocupante nos “fluxos ilícitos e distorções de mercado” impulsionados por esses preços elevados. Os criminosos têm mirado itens de ouro que variam de pepitas e moedas a joias complexas.
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A facilidade de ocultar a origem dos bens roubados é um fator crucial que atrai os ladrões para metais e joias. Metais preciosos podem ser rapidamente derretidos, não deixando rastros para as autoridades e facilitando sua venda ilegal. Da mesma forma, pedras preciosas em joias podem ser facilmente removidas e revendidas separadamente, o que desvincula a pedra do roubo original. Essa capacidade de alterar ou fragmentar os itens roubados representa um grande desafio para as investigações:
- Alto valor agregado em volume compacto.
- Capacidade de derreter o ouro, eliminando marcas de identificação.
- Facilidade de remover e vender pedras preciosas de forma individual.
- Dificuldade em rastrear a origem dos bens após sua transformação ou descaracterização.
- Demanda consistente no mercado paralelo, garantindo liquidez.
Grandes assaltos evidenciam a ousadia dos grupos
O Museu do Louvre, em Paris, foi palco de um desses ataques em outubro do ano passado, servindo como um exemplo marcante da nova onda de criminalidade. Ladrões ameaçaram guardas e visitantes, levando joias avaliadas em 88 milhões de euros, incluindo a tiara da imperatriz Eugênia. O incidente destacou a disposição dos assaltantes para usar a violência e o confronto direto.
Em janeiro do ano passado, um incidente na Holanda mostrou a extrema audácia desses grupos, quando ladrões utilizaram explosivos para roubar um capacete daciano de ouro de 2.500 anos e três pulseiras antigas de ouro de um museu. Embora os artefatos tenham sido recuperados e devolvidos à Romênia, uma das pulseiras ainda permanece desaparecida, sublinhando os desafios contínuos na recuperação total desses bens.
A Europol também notou um aumento nos roubos de artefatos de porcelana chinesa antiga, como vasos da dinastia Ming, que se tornaram alvos valiosos devido à alta demanda. A diversidade de alvos demonstra a adaptabilidade dos grupos criminosos às oportunidades de mercado.
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Perspectivas futuras no combate ao crime de arte
A agência de aplicação da lei continua monitorando a situação e adaptando suas estratégias para combater essa evolução na criminalidade. A cooperação entre as autoridades policiais de diferentes países europeus é fundamental para enfrentar grupos que operam de forma descentralizada e transnacional.
Os esforços de investigação estão focados em rastrear as redes de recrutamento online e os canais de revenda dos itens roubados, que são rapidamente movimentados. A capacidade de uma resposta rápida e a identificação de padrões nas operações criminosas são cruciais para desmantelar essas novas modalidades de crime antes que mais danos ocorram ao patrimônio cultural e econômico da Europa.

