Casa Branca vai mudar o foco para a questão interna em breve e pretende resolver a situação internacional o mais depressa possível
Primeiro eram 24 horas, depois eram 100 dias e o tempo passou e passou para mais de um ano em que os Estados Unidos continuam a tentar acabar uma guerra que parece impossível de resolver.
Agora, e segundo a agência Reuters, a administração Trump tem um novo prazo: o mês de março foi apontado pelos negociadores norte-americanos como a altura ideal para chegar à paz.
Isso mesmo disseram três fontes familiarizadas com as negociações trilaterais que continuam a decorrer entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia, e que esta semana juntaram delegações em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.
Ainda assim, quem está por dentro do que se passou nas longas conversas entende que março é uma meta demasiado ambiciosa, já que parece não haver grande avanço naquele que é o tema mais complexo, o do território.
A Rússia quer todo o Donbass e a Ucrânia não admite abdicar de território sem que a população o legitime. Cada uma das partes tem estes pontos bem assentes desde o início e, desde então, pouco ou nada se evoluiu.
E o cenário de um referendo é o que os Estados Unidos colocam em cima da mesa, mas não só. Também por essa altura, quando se estiver prestes a chegar à paz, a administração Trump pretende que também se realizem eleições nacionais.
A equipa norte-americana, liderada pelo enviado-especial Steve Witkoff e pelo genro de Donald Trump, Jared Kushner, deixou essa intenção bem clara aos parceiros ucranianos nas mais recentes reuniões de Abu Dhabi e Miami.
O melhor é que essa eleição ocorra em breve, frisaram, no que não deixa de ser uma cedência a uma das pretensões de Vladimir Putin, que quer ver Volodymyr Zelensky fora do poder, na esperança de que possa ascender à presidência um político pró-russo.
E a explicação para a pressa dos Estados Unidos é fácil de entender: Donald Trump está com os olhos postos nas eleições intercalares de novembro, em que os norte-americanos vão redefinir o Congresso, o que pode facilitar ou dificultar a vida na Casa Branca.
A administração Trump quer dedicar-se a isso o quanto antes, o que deixará menos tempo e espaço para pensar noutros assuntos, nomeadamente os de política externa.
Para já, e sem resultados melhores para apresentar, Ucrânia e Rússia conseguiram concordar em trocar 314 prisioneiros de guerra, além de um comprometimento para novo encontro em breve. De acordo com Volodymyr Zelensky, essa nova reunião pode ocorrer nos Estados Unidos.
E caso se confirme que março é uma meta demasiado ambiciosa para as três partes, tanto Estados Unidos como Ucrânia já estão a discutir uma possibilidade mais concreta: que as eleições presidenciais e o referendo sobre o território se realizem em maio.
A esse desejo a Ucrânia respondeu que só o planeamento do ato eleitoral demora cerca de seis meses, pelo que até o mês de maio parece uma utopia neste momento.
Quem vai assistindo é a Rússia, que vai arrastando as negociações como pode para continuar com os avanços no terreno.


