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- Estudo internacional com 300 mil adultos do UK Biobank associa cronotipo noturno a maior risco de infarto e AVC.
- Pesquisa, com acompanhamento de até 14 anos, identificou piores indicadores cardiovasculares em indivíduos com perfil noturno.
- Risco cardiovascular elevado em notívagos pode estar ligado a hábitos como sono irregular, sedentarismo e desalinhamento do relógio biológico.
Pessoas que costumam dormir e acordar mais tarde podem enfrentar um risco maior de problemas cardiovasculares, como infarto e AVC, ao longo da vida. A associação foi identificada em um amplo estudo internacional que acompanhou mais de 300 mil adultos por vários anos.
A pesquisa utilizou dados do UK Biobank, banco de informações de saúde do Reino Unido, e avaliou a relação entre o chamado cronotipo — a tendência natural de cada pessoa para funcionar melhor pela manhã ou à noite — e a saúde do coração.
Os resultados indicaram que indivíduos com perfil claramente noturno apresentaram, de forma consistente, piores indicadores cardiovasculares quando comparados a pessoas com rotina intermediária ou mais matutina. Durante o período de acompanhamento, que chegou a cerca de 14 anos, o grupo noturno registrou maior incidência de eventos como infarto e acidente vascular cerebral.
Relógio biológico e hábitos cotidianos
Para medir a saúde cardiovascular, os pesquisadores adotaram os critérios do Life’s Essential 8, conjunto de métricas da American Heart Association que considera fatores como alimentação, sono, atividade física, colesterol, pressão arterial, glicemia e tabagismo.
A análise mostrou que o risco associado ao cronotipo noturno foi mais acentuado entre mulheres. Segundo os autores, parte dessa diferença pode estar ligada ao desalinhamento do relógio biológico com as exigências sociais, o que favorece noites mal dormidas, alimentação irregular e outros comportamentos que impactam diretamente o coração.
Especialistas ressaltam que dormir tarde, por si só, não determina o desenvolvimento de doenças cardíacas. No entanto, hábitos modificáveis associados à rotina noturna — como privação de sono, sedentarismo e tabagismo — ajudam a explicar o risco aumentado observado no estudo.
Os autores destacam que os dados reforçam a importância de considerar o ritmo biológico individual na prevenção cardiovascular, ao lado de estratégias clássicas como alimentação equilibrada, atividade física regular e cuidado com o sono.
