destilado, metanol – Foto: 5PH/Shutterstock.com
A Polícia Civil de São Paulo identificou na sexta-feira (17) dois postos de combustível no ABC Paulista como origem do etanol contaminado com metanol, usado em fábrica clandestina para falsificar bebidas alcoólicas. O esquema resultou em seis mortes e 38 casos confirmados de intoxicação no estado, com vítimas atendidas em hospitais da capital desde agosto. As investigações, iniciadas após os primeiros óbitos em setembro, apontam para uma operação familiar que distribuía os produtos a bares na Mooca e Saúde. Autoridades estaduais coordenam fiscalizações para interromper a cadeia de suprimentos.
Investigadores rastrearam transações financeiras que ligam os postos em Santo André e São Bernardo do Campo à fábrica em São Bernardo, fechada em 10 de outubro. Amostras de etanol colhidas nos locais revelaram concentrações acima de 40% de metanol, substância industrial tóxica proibida em alimentos. A Agência Nacional do Petróleo participou da operação, interditando os estabelecimentos.
- Principais sintomas observados nas vítimas incluem acidose metabólica e lesões neurológicas.
- Concentrações mínimas nocivas partem de 0,1%, conforme protocolos toxicológicos.
- Distribuição atingiu adegas na Zona Leste e Sul da capital paulista.
Origem do etanol contaminado nos postos do ABC
Dois postos de combustível em Santo André e São Bernardo do Campo forneciam o etanol batizado diretamente ao grupo criminoso. Agentes da Polícia Civil executaram mandados de busca na sexta-feira (17), apreendendo documentos que comprovam entregas regulares.
A análise pericial confirmou a presença irregular de metanol no combustível veicular, desviado para produção de destilados falsos. A Agência Nacional do Petróleo limitou a tolerância a 0,5% na composição, mas os níveis encontrados superaram em muito esse patamar.
Detalhes da fábrica clandestina em São Bernardo
A fábrica operava sem licenças sanitárias em imóvel residencial de São Bernardo do Campo, produzindo vodca, gim e uísque falsificados. Equipes policiais apreenderam centenas de garrafas, tambores de etanol e rótulos falsos durante o fechamento em 10 de outubro. O local abastecia distribuidores na capital paulista.
O imóvel incluía equipamentos de envase improvisados e depósitos para embalagens vazias. Peritos identificaram resíduos de metanol em superfícies e recipientes, ligando o site às amostras das vítimas fatais. Autoridades da Vigilância Sanitária interditaram o espaço permanentemente.
Família coordena produção e distribuição das falsificações
Vanessa Maria da Silva liderava o grupo familiar responsável pela adulteração, com participação do ex-marido, pai e cunhado em etapas como compra de insumos e entregas. A prisão de Vanessa ocorreu na semana anterior à operação principal, após rastreamento de uma vítima fatal.
Os familiares dividiam tarefas: o pai gerenciava aquisições de etanol, enquanto o cunhado atuava na distribuição para bares na Zona Leste. Pagamentos eletrônicos rastreáveis confirmaram as transações com os postos suspeitos. A rede familiar facilitava a logística, com depósitos próximos aos fornecedores.
Investigadores apuram se o grupo sabia da contaminação inicial do etanol. O delegado-geral destacou que o ciclo envolveu pelo menos três casos graves diretamente ligados à produção.
Logística facilita desvios de metanol para envase
O fornecedor de garrafas mantinha estoque em imóvel fronteiriço a um dos postos, agilizando transferências de etanol contaminado. Mais de mil embalagens vazias foram apreendidas em depósitos na capital e Grande São Paulo, muitas reutilizadas de marcas originais.
A proximidade geográfica reduzia custos de transporte e riscos de detecção. Equipes de busca identificaram rotas de distribuição para adegas na Mooca e Saúde, onde ocorreram as primeiras mortes confirmadas.
Garrafas eram envaseadas com misturas de etanol batizado e essências baratas, simulando destilados premium. A operação resultou em sete mandados cumpridos, com foco em interrupção da cadeia.
- Tambores plásticos continham até 200 litros de mistura tóxica cada.
- Rótulos falsos imitavam marcas conhecidas para venda em comércios informais.
- Entregas ocorriam em veículos comuns, sem licenças de transporte.
Vítimas e extensão das intoxicações confirmadas
Seis óbitos foram confirmados em São Paulo por ingestão de bebidas contaminadas, incluindo empresários na Mooca que consumiram vodca falsificada em bar local. Outras 38 pessoas apresentaram sintomas como cegueira temporária e falência orgânica, atendidas em unidades da rede estadual desde 22 de setembro.
Casos se concentram na capital, com investigações em Pernambuco ligando lotes semelhantes a duas mortes adicionais. O Ministério da Saúde registra 195 notificações nacionais, com 14 confirmações laboratoriais. Hospitais aplicam etanol intravenoso como antídoto em quadros graves.
A Secretaria Estadual de Saúde emitiu alertas para notificação imediata de suspeitas, ampliando testes toxicológicos em emergências. Vítimas variam de 40 a 60 anos, majoritariamente em contextos sociais de consumo.
Fiscalizações suspendem comércios envolvidos na venda
A Secretaria da Fazenda suspendeu inscrições estaduais de adegas flagradas com estoque adulterado, incluindo pontos na Zona Sul paulista. Vigilância Sanitária inspecionou 200 estabelecimentos desde agosto, apreendendo 802 garrafas contaminadas.
Bares na Bela Vista e Jardins foram interditados cautelarmente após testes positivos. A força-tarefa estadual coordena ações com a Polícia Federal para rastrear importadoras de metanol industrial.
Operações como Alquimia identificaram desvios de usinas etanol para o mercado ilegal, burlando notas fiscais. Autoridades recomendam verificação de selos em garrafas para prevenção.
Prevenção contra falsificações em destilados comuns
Bebidas como gim, uísque e vodca foram as mais afetadas, com metanol detectado em amostras acima de 40% de concentração. Consumidores devem priorizar compras em redes autorizadas e descartar embalagens vazias adequadamente para evitar reutilização.
A Anvisa reforça protocolos para análise de resíduos em produtos suspeitos. Hospitais estocam antídotos, com 4,3 mil ampolas distribuídas pelo Sistema Único de Saúde.

