Entenda o processo de restauração da imagem histórica que foi descaracterizada em Pirenópolis

Redação
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Entenda o processo de restauração da imagem histórica que foi descaracterizada em Pirenópolis

Também foram recuperadas as imagens do Senhor Morto e de Nossa Senhora do Rosário

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Esculturas históricas de Pirenópolis foram recuperadas (Foto: Divulgação)

Luanna Marques

O processo de restauração da imagem de Nossa Senhora das Dores foi concluído no último sábado (14), após meses de trabalho técnico que envolveram diagnóstico detalhado, remoção de repinturas e reintegração cromática da pintura original. A intervenção foi realizada após uma polêmica causada por uma revitalização não autorizada que alterou as feições da imagem, incluindo traços do rosto e o tom da pele, o que gerou críticas de fiéis nas redes sociais.

A nova intervenção foi conduzida pela restauradora Adriana Vera Duarte. Desta vez, todo o processo foi acompanhado tecnicamente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e seguiu critérios rigorosos de conservação.

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Etapas da restauração

De acordo com o relatório da restauradora, o trabalho teve início em abril de 2025, com a fase de diagnóstico. Nessa etapa, foi realizada uma análise detalhada do estado de conservação da peça por meio de exames, testes e registros fotográficos. Paralelamente, ocorreram reuniões com representantes do Iphan e da Igreja Matriz para definir as diretrizes da intervenção.

Com base nesses levantamentos, foi elaborado um projeto de restauro com o objetivo de recuperar a autenticidade da imagem, revelando suas características estéticas e valores históricos que haviam sido encobertos pela repintura realizada. O projeto foi aprovado ainda em 2025 pela Igreja e pelo Iphan.

Os trabalhos práticos começaram em janeiro de 2026, já na Igreja Matriz de Pirenópolis. Inicialmente, a imagem foi desmontada para passar por higienização, limpeza e reparos na estrutura interna e vestes.

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Nossa Senhora das Dores (Foto: arquivo enviado ao Mais Goiás)

Na sequência, foi feita a remoção minuciosa da repintura aplicada sobre a carnação (cabeça, mãos e pés) da escultura.

“A remoção da repintura é a etapa mais desafiadora, pois requer extremo cuidado para não se atingir a pintura original. A remoção é realizada com auxílio de luz UV, lupa, um instrumento muito pequeno para aplicação do solvente, além de muita prática e experiência do profissional”, explicou Adriana Vera.

Após a revelação da pintura original, foram realizados pequenos pontos de reintegração cromática em áreas com perda da camada pictórica, utilizando técnicas e materiais apropriados para restauração. Ao final, a peça recebeu uma camada de verniz.

O processo foi concluído com a elaboração de um relatório técnico detalhado, que reúne todas as etapas executadas e as devidas aprovações.

Além de Nossa Senhora das Dores, também passaram por restauração as imagens do Senhor Morto, que havia sido modificada anteriormente, e de Nossa Senhora do Rosário, padroeira da cidade.

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Imagem do Senhor Morto também foi restaurado (Foto: reprodução)

Recuperação histórica

Segundo Adriana Vera, foi possível recuperar praticamente toda a pintura original que estava encoberta. Durante toda a intervenção, técnicos do Iphan acompanharam os trabalhos para garantir o cumprimento das normas de preservação.

A imagem de Nossa Senhora das Dores integra o conjunto de bens históricos e religiosos da Igreja Matriz de Pirenópolis, cuja origem remonta ao século XVIII. Trata-se de uma imagem de roca em estilo barroco, modelo comum nas tradições católicas ibéricas, em que apenas rosto, mãos e pés são esculpidos em madeira, enquanto o restante do corpo é estruturado internamente e coberto por vestimentas.

O templo está ligado à história da Irmandade do Santíssimo Sacramento, fundada em 1728, considerada uma das instituições religiosas mais antigas de Goiás.

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Nossa Senhora do Rosário também foi restaurada (Foto: reprodução)
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