Engenheiro é absolvido por morte de menino que caiu de toboágua em Caldas Novas

Redação
5 Min Read
Engenheiro é absolvido por morte de menino que caiu de toboágua em Caldas Novas

Justiça entendeu que não ficou comprovada a responsabilidade do engenheiro na retirada de barreira que dava acesso ao toboágua

O menino de 8 anos morreu após cair de um toboágua de 10 metros de altura, em Caldas Novas (Foto: Reprodução - Redes Sociais)

O menino de 8 anos morreu após cair de um toboágua de 10 metros de altura, em Caldas Novas (Foto: Reprodução – Redes Sociais)

A Justiça de Goiás absolveu o engenheiro civil responsável pela reforma do toboágua onde o menino Davi Lucas de Miranda, de 8 anos, morreu após uma queda em 2022, em um parque aquático de Caldas Novas. A decisão concluiu que não foi possível comprovar a autoria ou participação direta do profissional no fato que levou ao acidente.

Davi morreu no dia 13 de fevereiro de 2022 depois de cair de uma altura de aproximadamente 13 metros no parque aquático DiRoma Splash. O brinquedo, conhecido como “Vulcão”, estava em manutenção e com a estrutura parcialmente desmontada.

Na sentença, o juiz considerou que o engenheiro não tinha como prever que o tapume que isolava a área seria retirado. Segundo o entendimento judicial, a conduta do profissional só se tornou relevante por causa de uma “ação autônoma e imprevisível de terceiro”, no caso, a abertura de uma brecha na barreira de proteção.

O gerente do clube na época também respondia pelo caso, mas firmou acordo com o Ministério Público e não foi levado a julgamento. Ele assumiu ter retirado o tapume que bloqueava o acesso à obra, o que permitiu a entrada da criança na estrutura. Como parte do acordo, pagou R$ 8 mil a uma creche do município e evitou eventual condenação criminal.

Criança caiu de toboágua

Davi estava em viagem com a família. Natural de Conselheiro Lafaiete (MG), ele visitava a cidade turística quando subiu pela única escada de acesso ao toboágua. Segundo a perícia, não havia sinalização clara na entrada indicando interdição ou manutenção.

A Prefeitura de Caldas Novas emitiu nota e lamentou a morte de um menino que caiu de um toboágua desativado em um parque aquático na cidade. (Foto: reprodução)
A Prefeitura de Caldas Novas emitiu nota e lamentou a morte de um menino que caiu de um toboágua desativado em um parque aquático na cidade (Foto: reprodução)

Laudo da Polícia Técnico-Científica apontou que a escada não tinha placas visíveis nem barreiras adequadas que impedissem o acesso. Havia apenas uma corrente no chão e uma placa pequena, considerada pouco perceptível. No topo da escada, apenas um dos quatro escorregadores estava isolado com fita zebrada.

Leia também:

  • Perícia contradiz DiRoma e afirma que toboágua em que garoto morreu não estava sinalizado
  • Prefeitura lamenta morte de menino que caiu de toboágua desativado em Caldas Novas
  • Após tragédia, bombeiros de Goiás emitem alerta para uso de toboáguas

A principal hipótese é que o menino tenha entrado em um dos tubos parcialmente desmontados. Sem a estrutura completa e sem água na pista, ele caiu em queda livre, batendo em uma estrutura metálica antes de atingir o solo.

Davi foi socorrido por guarda-vidas, por uma enfermeira do parque, por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e pelo Corpo de Bombeiros. Ele chegou a ser intubado e levado ao Hospital Municipal de Caldas Novas, mas não resistiu. A causa da morte foi apontada como traumatismo craniano seguido de afogamento, após parada cardiorrespiratória.

Morte evitável

Durante a investigação, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO) destacou que, em locais de grande circulação, é recomendável manter vigilância permanente e estruturas reforçadas de interdição para impedir o acesso de pessoas não autorizadas a áreas em obra.

Relatórios policiais também indicaram que poderiam ter sido adotadas medidas adicionais de isolamento, como reforço de barreiras físicas e presença de funcionários para orientar visitantes. Na época, o DiRoma afirmaou que, ao longo de 50 anos de história, a empresa nunca havia sofrido ‘uma tragédia dessa magnitude’.

Com a absolvição do engenheiro e o acordo firmado pelo gerente, o caso é encerrado na esfera criminal.

A família não se pronunciou até o momento.

Share This Article