SPFC – Foto: Guilherme Videira / São Paulo FC
Diego Fernandes, empresário de 40 anos e torcedor do São Paulo, surge nos bastidores como potencial investidor no clube paulista. Ele avalia opções de entrada financeira ou administrativa, após receber apoio de sócios influentes e de um banco nacional especializado em serviços digitais. A iniciativa ocorre em meio à dívida de cerca de R$ 1 bilhão do Tricolor, agravada pela eliminação na Libertadores deste ano.
O movimento de Fernandes ganhou força após ele intermediar a contratação de Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira, em maio de 2025. Fundador da O8 Partners, empresa de gestão financeira para atletas como Vinícius Jr. e Neymar, o executivo mantém perfil discreto no mercado financeiro, com experiência anterior na Bovespa.
A proposta ainda está em fase inicial, sem contratos firmados, e pode envolver a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), modelo adotado por clubes como Botafogo e Cruzeiro.
- Apoio inicial de sócios do São Paulo para viabilizar negociações.
- Contato com banco digital para aportes financeiros iniciais.
- Estudo de modelos como o de Leila Pereira no Palmeiras.
Trajetória profissional impulsiona interesse no Tricolor
Diego Fernandes construiu carreira no setor financeiro antes de se aproximar do futebol. Aos 39 anos, ele atuou na antiga Bolsa de Valores de São Paulo e fundou a O8 Partners, que gerencia investimentos de mais de 100 atletas e ex-jogadores.
Em 2014, Fernandes idealizou o projeto Panela FC, que permitia a torcedores comprar cotas de direitos econômicos de jogadores, semelhante a ações no mercado. A iniciativa foi suspensa pela CVM por irregularidades, mas demonstrou sua visão de unir finanças e esporte.
Sua proximidade com dirigentes da CBF facilitou a negociação com Ancelotti, rendendo comissão de R$ 7,7 milhões à O8 Partners, além de reembolso de despesas. Fernandes viajou a Madri para contatos diretos e acompanhou o técnico no desembarque no Rio de Janeiro.
O empresário mantém laços com o mundo do esporte além do futebol, como fã de Fórmula 1, e frequenta hotéis da Seleção Brasileira durante Datas Fifa.
Formas de investimento sob análise detalhada
O São Paulo ocupa a oitava posição no Brasileirão 2025, com o campeonato como única competição restante após a virada sofrida para o Palmeiras por 3 a 2 no Morumbi, no último domingo.
A gestão de Julio Casares prioriza negociações com a Galápagos Capital, administradora do FIDC do clube, que tem direito de preferência em uma possível SAF para o centro de formação de Cotia. O fundo visa captar até R$ 350 milhões, com o São Paulo detendo 70% das ações e 30% para a gestora.
Uma proposta anterior de R$ 1 bilhão para quitar dívidas foi rejeitada por garantias frágeis, envolvendo títulos do Banco do Brasil considerados inadequados. Casares classificou especulações sobre investidores externos como “sem pé nem cabeça”, focando em parcerias sustentáveis.
Nos bastidores, o clube avalia o impacto de aportes em projetos de base, essenciais para revelar talentos e reforçar o caixa.
Apoio inicial de sócios e instituições financeiras
Sócios influentes do São Paulo sinalizaram interesse na proposta de Fernandes, vendo potencial para injeção de recursos sem perda de controle total. Um banco descrito como gigante digital confirmou aval preliminar para operações iniciais.
Esses contatos ocorrem em meio a debates sobre a governança do clube, com o conselho deliberativo analisando o FIP de Cotia. A Galápagos, ao lado do empresário grego Evangelos Marinakis, lidera aportes potenciais no fundo.
Fernandes busca alianças no Brasil e exterior para montar grupo robusto, evitando dependência de um único aporte. A estratégia inclui parcerias para gestão financeira de jogadores, área de expertise da O8 Partners.
O clube nega contatos oficiais com o empresário, mas reconhece a necessidade de investimentos para equilibrar contas.
Estratégias para engajar a torcida no processo
Diego Fernandes contrata instituto de pesquisa para sondar opiniões dos torcedores sobre o futuro administrativo do São Paulo. O levantamento visa medir aceitação de mudanças na gestão e preparar abordagens personalizadas.
Influenciadores ligados ao Tricolor receberam materiais sobre o perfil do empresário, com o objetivo de inserir seu nome em discussões online. Essa tática busca gerar debate orgânico sem confrontos diretos com a diretoria atual.
A torcida, com mais de 22 milhões de apoiadores no Brasil, representa 9,9% da população e é vista como aliada para pressões positivas. O São Paulo, tricampeão mundial, nunca foi rebaixado e busca manter tradição em meio a desafios financeiros.
Modelos de SAF no futebol brasileiro em expansão
A criação de SAFs ganhou tração desde a Lei 14.193/2021, permitindo que clubes se transformem em empresas para atrair capital. Botafogo e Cruzeiro adotaram o modelo, com investidores como John Textor e Ronaldo Fenômeno.
No São Paulo, uma SAF para Cotia priorizaria revelação de jovens, com o clube retendo maioria das ações. Propostas como a de R$ 1 bilhão foram descartadas por riscos, reforçando foco em estruturas transparentes.
Outros clubes, como o Bragantino com a Red Bull, mostram benefícios em contratações e arenas. Para o Tricolor, o modelo poderia injetar recursos sem alterar o nome do estádio Morumbi.
- Benefícios observados em SAFs: profissionalização da gestão e redução de dívidas.
- Exemplos: Botafogo captou R$ 400 milhões; Cruzeiro quitou R$ 700 milhões em pendências.
- Riscos evitados: dependência de garantias frágeis em negociações iniciais.
Posição oficial da diretoria sobre movimentações
Julio Casares mantém preferência pela Galápagos em qualquer estrutura de investimento, com negociações avançadas para o FIP. O presidente enfatiza solidez em projetos de base, essenciais para o futuro do clube.
O São Paulo rejeita propostas sem plano claro, como a de títulos podres do Banco do Brasil. A diretoria vê no fundo de Cotia uma forma de captar R$ 350 milhões de forma sustentável.
Casares, reeleito em 2023, enfrenta críticas por eliminações recentes, mas defende foco em longo prazo. O clube acumula 32 títulos nacionais e 12 internacionais, reforçando necessidade de estabilidade financeira.


