Do Master ao Pleno: entenda motivo de todas liquidações desde novembro

Redação
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Do Master ao Pleno: entenda motivo de todas liquidações desde novembro

De 18 de novembro de 2025 até essa quarta-feira (18/2), o Banco Central (BC) determinou a liquidação extrajudicial de dez instituições financeiras, nove delas com alguma relação com o Banco Master. As medidas foram motivadas, em sua maioria, por desrespeito a normas da autoridade monetária, suspeitas de fraudes e falta de liquidez, ou seja, dificuldade de honrar o pagamento de dívidas.

A primeira liquidação extrajudicial da série, que também é a de maior impacto, foi a do Banco Master. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central adotou a medida contra o banco e outras quatro instituições financeiras do conglomerado.


Confira a lista das liquidações:

  • Banco Master S.A. – 18/11/2025;
  • Banco Master Múltiplo S.A. – 18/11/2025;
  • Banco Master de Investimento S.A. – 18/11/2025;
  • Banco Letsbank S.A. (pertencente ao conglomerado do Master) – 18/11/2025;
  • Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários – 18/11/2025;
  • Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.) – 15/1/2026;
  • Advanced Corretora de Câmbio Ltda – 15/1/2026;
  • Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento – 21/1/2026;
  • Banco Pleno S.A. – 18/2/2026;
  • Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. – 18/2/2026.

“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do Conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”, argumentou o Banco Central à época da liquidação em um comunicado à imprensa.

O Master é alvo da Operação Compliance da Polícia Federal (PF). A ação da polícia foi deflagrada no mesmo dia da liquidação. O dono do banco, Daniel Vorcaro, entre outras pessoas, foi preso naquela data.

O banco de Vorcaro é investigado por supostamente criar e tentar vender carteiras de crédito e fundos falsos, sem lastro. O montante chegaria a até R$ 12 bilhões. A defesa do banqueiro nega haver irregularidades. A liquidação do Master em 18 de novembro de 2025 arrastou outras quatro empresas do conglomerado.

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Metrópoles

Fachada do Banco Master

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Fachada do Banco Master

Michael Melo/Metrópoles

Instalações do Will Bank

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Instalações do Will Bank

Will Bank

Banco Master

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Banco Master

Reprodução/Banco Master

Reag Investimentos

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Reag Investimentos

Divulgação

Will Bank

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Reprodução / Redes sociais

Em 15 de janeiro deste ano, foi a vez de o Banco Central liquidar extrajudicialmente a Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., que respondia pela denominação de CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

A Reag é investigada por supostamente manter fundos que facilitavam a constituição de empresas laranja. Conforme as apurações da Polícia Federal, o Master emprestava recursos a empresas supostamente laranjas.

Essas empresas realizavam a aplicação de dinheiro em fundos da Reag em um sistema de retroalimentação. O Banco Central identificou seis fundos da Reag suspeitos, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões. O BC encerrou as atividades da Reag oficialmente alegando ter havido “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN”.

Além disso, a Reag Investimentos é uma das empresas que foram alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Receita Federal, em setembro passado, para desarticular esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis que envolve integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e fintechs e fundos de investimentos da Faria Lima.

Mais liquidações

No mesmo dia em que o Banco Central liquidou a Reag, o mesmo processo foi aplicado à Advanced Corretora de Câmbio Ltda. por “comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN”. Não há evidências de ligações societárias entre a corretora e a Reag.

Em novembro de 2025, quando realizou a liquidação do Master, o Will Bank, pertencente ao mesmo conglomerado financeiro, recebeu uma espécie de alerta. A situação da instituição ficou insustentável em 21 de janeiro deste ano e o Will também foi liquidado em “razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse”.

As duas últimas liquidações extrajudiciais foram efetuadas nessa quarta. O Banco Central encerrou as atividades do Banco Pleno S.A., com a extensão do regime especial à Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliário S.A..

“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”, explicou o Banco Central.

Impacto no FGC

A série de liquidações extrajudiciais iniciada pelo Banco Central em 18 novembro de 2025 já impactou o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em valor perto de R$ 51,8 bilhões.

O FGC é uma espécie de seguro que garante o ressarcimento a usuários do Sistema Financeiro Nacional (SFN), sob determinadas condições, em caso de liquidação de bancos e afins.

A cobertura máxima pelo fundo é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição financeira. No entanto, há ainda uma trava com limite de R$ 1 milhão dentro do período de 4 anos.

O maior valor a ser arcado pelo FGC refere-se ao Master, com R$ 40,6 bilhões e depois vem o Will Bank, com R$ 6,3 bilhões. Por último estão os R$ 4,9 bilhões do Pleno. Somados, os valores equivalem a R$ 51,8 bilhões.

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O grande volume de retiradas levou o FGC a passar por uma reestruturação. Na última quarta-feira (10/2) foi aprovado um plano emergencial para recompor o caixa após o impacto financeiro. Os bancos terão de adiantar pagamentos ao fundo para recompor o fundo.

O balanço patrimonial mensal do FGC de setembro de 2025, o último disponível no site do avalizador, informava que a instituição possuía R$ 160 bilhões. Ou seja, o valor contabilizado ainda não havia sofrido o impacto dos cerca de R$ 52 bilhões em garantias da série de liquidações iniciada em novembro passado.

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