‘Diziam que eu era louca’: engenheira formada na UEG que faz sucesso na Noruega conciliou estudos e maternidade

Redação
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‘Diziam que eu era louca’: engenheira formada na UEG que faz sucesso na Noruega conciliou estudos e maternidade

Ao decidir fazer um pós-doutorado na Inglaterra, Carla precisou deixar para trás uma rotina estável e se adaptar a um novo país

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Carla Ferreira foi reconhecida como uma das 50 mulheres mais influentes na área de tecnologia da Noruega (Foto: Arquivo cedido ao Mais Goiás)

Luanna Marques

Reconhecida na Noruega como uma das mulheres mais influentes da tecnologia, a engenheira civil Carla Ferreira, de 41 anos, conta que sua trajetória profissional foi marcada por desafios que vão além da área técnica. Entre eles, atuar em ambientes ainda dominados por homens e conciliar a carreira com a maternidade.

Segundo Carla, pessoas diziam que ela era corajosa, e até “um pouco louca” por ir sozinha com um filho pequeno para outro país. Ao olhar para trás, a engenheira diz não se arrepender da decisão, pelo contrário, afirma que o processo a transformou e fortaleceu pessoal e profissionalmente. “Somos capazes de enfrentar situações muito mais difíceis do que imaginamos.”

Natural de Tucuruí, no Pará, Carla cresceu em Anápolis, onde concluiu o curso de Engenharia Civil pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) em 2006. Segundo ela, as mulheres continuam sendo minoria em áreas como engenharia e tecnologia. “Mais do que uma questão de justiça, diversidade também melhora os resultados. Equipes com diferentes perspectivas tendem a construir soluções mais robustas e mais adequadas para a sociedade”, defende.

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O caminho até chegar à empresa DNV, na Noruega, onde atualmente trabalha desenvolvendo métodos para avaliar riscos e garantir a segurança de sistemas de inteligência artificial aplicados a infraestruturas críticas, exigiu resiliência de Carla. Durante sua trajetória, ela decidiu se mudar para a Inglaterra para realizar um pós-doutorado na Universidade de Durham, levando o filho, que na época tinha apenas dois anos.

“No início da minha carreira muitas vezes eu era a única mulher na sala ou no canteiro de obras, e isso naturalmente exige mais esforço para conquistar espaço e demonstrar competência”, disse em entrevista ao Mais Goiás.

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Maternidade sem rede de apoio

Antes da mudança, a família morava no Rio de Janeiro e tinha uma rotina estabelecida. A nova fase, porém, trouxe uma realidade completamente diferente. “No início éramos apenas eu e ele. Meu marido continuou no Brasil por cerca de oito meses, embora nos visitasse sempre que possível”, comenta.

Sem familiares por perto, Carla precisou assumir sozinha toda a rotina entre trabalho e cuidados com o filho. “No dia a dia, eu precisava conciliar todas as responsabilidades: levar meu filho para a creche pela manhã, pegar transporte público até a universidade, trabalhar no pós-doutorado e depois voltar para buscá-lo”, lembra.

Além da rotina intensa, o processo de adaptação também foi desafiador para o filho, que ainda estava começando a falar. Segundo Carla, ele enfrentou duas dificuldades ao mesmo tempo: o idioma e a alimentação. “A comida era muito diferente do que ele estava acostumado, e ele também não falava inglês. No início ninguém conseguia entendê-lo e ele também não entendia as outras crianças”, relata.

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Com o passar dos meses, a situação melhorou, mas a rotina seguia cansativa. “À noite, quando finalmente conseguia colocá-lo para dormir, eu precisava escolher o que fazer primeiro: organizar a casa, preparar comida, lavar roupa ou descansar. Durante um bom tempo minhas refeições eram muito simples, porque a prioridade era dar conta da rotina”, conta.

Reconhecimento

Carla Ferreira foi incluída na lista “Norges 50 fremste tech-kvinner 2026”, que reúne as 50 mulheres mais influentes do setor de tecnologia na Noruega. A premiação ocorreu no dia 6 de março e faz parte de uma iniciativa voltada à valorização de mulheres na área e ao incentivo de novas gerações nas carreiras de tecnologia e ciências exatas.

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