Disque denúncia eleva recompensa a R$ 100 mil por Doca, líder do Comando Vermelho no Rio

Disque Denúncia oferece recompensa de 100 mil pela captura de Doca

Disque Denúncia oferece recompensa de 100 mil pela captura de Doca – Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira (28), uma megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte, para cumprir 51 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho. O Disque Denúncia anunciou recompensa de R$ 100 mil por informações que levem à captura de Edgar Alves Andrade, conhecido como Doca da Penha ou Urso, de 55 anos, apontado como chefe da facção na região. A ação visa enfraquecer o tráfico de drogas e a expansão territorial do grupo criminoso, com apoio do Ministério Público e do Batalhão de Operações Policiais Especiais.

O valor representa o maior prêmio já oferecido pelo serviço, equiparado à recompensa de 2000 por dados sobre Fernandinho Beira-Mar, atual líder preso do Comando Vermelho. Até o momento, a operação resultou em 81 prisões, apreensão de 76 fuzis e 60 mortes, incluindo quatro policiais e 56 criminosos.

Forças de segurança mobilizaram 2.500 agentes para ações coordenadas.

  • Nicolas Fernandes Soares, operador financeiro de Doca, foi detido como um dos alvos iniciais.
  • Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, braço direito de Doca, caiu na Favela da Chatuba.
  • Armas pesadas e munições foram recolhidas em bocas de fumo no Complexo da Penha.

Perfil de Doca na estrutura do crime

Edgar Alves Andrade acumula mais de 20 mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. As investigações o ligam a 329 inquéritos desde 2003, com foco em tráfico de drogas e homicídios. Ele comanda escalas de vigilância em pontos de venda e determina regras para o comércio ilegal na Penha.

Autoridades o identificam como articulador de invasões em comunidades da Zona Oeste, como Gardênia Azul e Rio das Pedras. Em fevereiro de 2025, ordenou ataque a uma delegacia em Duque de Caxias para resgate de aliado. A operação Buzz Bomb, da Polícia Federal em 2024, o mirou por uso de drones em lançamentos de granadas contra rivais.

Doca também responde por execuções de crianças e desaparecimentos de moradores em territórios controlados.

Ação policial nos complexos

Agentes da Polícia Civil e Militar isolaram acessos ao Complexo da Penha desde as primeiras horas do dia. Helicópteros sobrevoaram a área para monitorar movimentos de traficantes. Equipes do BOPE avançaram em ruas estreitas, cumprindo buscas em residências suspeitas.

A operação integrou inteligência do Ministério Público para mapear hierarquia do Comando Vermelho. Dez mandados visavam líderes como Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, e Carlos Costa Neves, o Gardenal. Gerentes de contabilidade e abastecimento de drogas foram alvos secundários.

Washington Cesar Braga da Silva, o Grandão, figura na lista de denunciados por ordenar execuções de dissidentes. Até o início da tarde, 15 gerentes foram localizados em esconderijos na região.

Forças de apoio bloquearam vias expressas próximas para impedir fugas.

carro da polícia civil
carro da polícia civil – Foto: rafaelnlins / Shutterstock.com

Histórico de investigações contra o líder

Desde 2023, Doca aparece em apurações sobre o assassinato de três médicos na Barra da Tijuca, durante congresso de medicina. As vítimas foram atingidas por erro de identificação com milicianos de Rio das Pedras. A denúncia do Ministério Público o aponta como mandante, com execução de uma quarta pessoa frustrada.

Em maio de 2025, o mesmo grupo o acusou de invasão à delegacia de Duque de Caxias, com uso de fuzis e granadas. Dois agentes foram feridos no incidente, que visava libertar Rodolfo Manhães Viana, o Rato. Transferido horas antes, o preso evitou o resgate.

Investigações revelam ligações de Doca com presídios federais para coordenação de ações interestaduais. Ele expandiu influência para além da capital, contrabalançando rivais como o Primeiro Comando da Capital.

O nome surge em casos de desaparecimento de três meninos em Belford Roxo, com ordens para eliminar envolvidos.

Expansão territorial do Comando Vermelho

O Complexo da Penha serve como hub logístico para escoamento de drogas e armamentos, graças à proximidade com avenidas principais. A facção retomou áreas de milícias em Jacarepaguá, usando-as para distribuição em outros municípios. Em 2024, ataques coordenados ampliaram o controle para 15 comunidades na Zona Oeste.

Doca orienta a Tropa do Urso, grupo de segurança armado que monitora fronteiras de territórios. A estratégia inclui alianças em presídios para recrutamento de novos membros. Operações recentes apreenderam veículos blindados usados na logística.

A facção intensificou presença em Baixada Fluminense, com envios de carregamentos semanais.

  • Gardênia Azul: Base para ataques a milícias em 2025.
  • César Maia: Ponto de armazenamento de fuzis.
  • Juramento: Área de treinamento para vigilantes.

Outros alvos e funções na facção

Pedro Bala gerencia escalas de plantão em bocas de fumo no Alemão. Gardenal supervisiona contabilidade de vendas diárias, estimadas em milhares de reais. Grandão coordena monitoramento armado em acessos periféricos.

Quinze denunciados atuam como gerentes de suprimentos, garantindo fluxo de cocaína e maconha. O restante da estrutura envolve olheiros e seguranças com fuzis de grosso calibre. A 42ª Vara Criminal da Capital recebeu a denúncia completa.

A operação identificou 30 mandados contra foragidos de outros estados, ampliando o escopo interestadual.

Balanço inicial da operação no Rio

Agentes registraram 81 detenções em residências e ruas do Complexo da Penha. Apreensões incluíram 76 fuzis, pistolas e explosivos caseiros. Confrontos resultaram em 60 mortes, com balanço parcial até o meio-dia.

Duas unidades policiais sofreram ataques retaliatórios, mas sem baixas adicionais. Equipes de inteligência processam celulares confiscados para novas pistas. A ação prossegue com buscas noturnas em áreas remanescentes.

O Disque Denúncia mantém canais abertos para denúncias anônimas sobre Doca.

Recompensas históricas no combate ao crime

O prêmio de R$ 100 mil equipara-se ao de Beira-Mar, pago após sua prisão em 2000. Desde então, valores variaram entre R$ 5 mil e R$ 50 mil para outros foragidos. O serviço processou mais de 10 mil denúncias em 2024, levando a 2.500 prisões.

Campanhas semelhantes enfraqueceram facções em Niterói e São Gonçalo. Em 2023, recompensa de R$ 30 mil capturou operador de milícia na Zona Oeste. O foco atual prioriza líderes com alto impacto na violência urbana.

Denúncias podem ser feitas pelo telefone (21) 2253-1177 ou aplicativo oficial.

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