Disputa entre Lyra e Campos acirra em PE e bênção de Lula vira trunfo

Redação
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Disputa entre Lyra e Campos acirra em PE e bênção de Lula vira trunfo

Recife — A corrida pelo governo de Pernambuco ficou mais acirrada nos últimos meses e a “bênção” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tornou-se essencial para quem pretende comandar o Palácio do Campo das Princesas a partir de 2027.

Os dois principais nomes na disputa são os do prefeito de Recife, João Campos (PSB), e da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD). O cenário, que no início apontava para uma vitória de Campos no primeiro turno, ficou mais acirrado nas últimas semanas.

A nova pesquisa do Datafolha, divulgada no dia 8 de fevereiro, mostrou que a vantagem de Campos sobre Lyra no primeiro turno caiu de 22 pontos percentuais para apenas 12. Confira os números:

  • João Campos (PSB): 47%; (-6 p.p)
  • Raquel Lyra (PSD): 35%; (+4 p.p)
  • Eduardo Moura (Novo): 5%; (- 1 p.p)
  • Ivan Moraes (PSOL): 1%; (=)
  • Brancos e nulos: 10%; (+2 p.p)
  • Não responderam ou não souberam responder: 2%. (=)

Com o acirramento da disputa, os oponentes usaram o Carnaval pernambucano para se aproximar do eleitorado e participaram de diversos eventos culturais pela região.

Um dos momentos mais marcantes do feriadão ocorreu na manhã de sábado (14/2), no tradicional Galo da Madrugada, em Recife. Na ocasião, João Campos, Raquel Lyra e o presidente Lula dividiram o mesmo camarote.

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Metrópoles

Lula, Raquel Lyra e João Campos no Galo da Madrugada, em Recife

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Lula, Raquel Lyra e João Campos no Galo da Madrugada, em Recife

Ricardo Stuckert/Presidência da República

João Campos, Lula, Janja e Tabata Amaral no Galo da Madrugada, no Rio de Janeiro

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João Campos, Lula, Janja e Tabata Amaral no Galo da Madrugada, no Rio de Janeiro

Ricardo Stuckert/Presidência da República

João Campos, Lula, Janja e Tabata Amaral no Galo da Madrugada, no Rio de Janeiro

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João Campos, Lula, Janja e Tabata Amaral no Galo da Madrugada, no Rio de Janeiro

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Lula, Raquel Lyra e João Campos no Galo da Madrugada, em Recife

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Lula, Raquel Lyra e João Campos no Galo da Madrugada, em Recife

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Lula, Raquel Lyra e João Campos no Galo da Madrugada, em Recife

Ricardo Stuckert/Presidência da República

Lula posou para fotos com Lyra e Campos e depois foi fotografado assistindo o desfile ao lado dos dois oponentes. Após o encontro, o prefeito e a governadora conversaram com à imprensa e se disseram “honrados” com a visita de Lula.

“Tenho a alegria de poder receber o presidente Lula, que tem ajudado e sido muito generoso com Pernambuco, em obras e ações estruturadoras, e veio aqui, para ver, sentir, e presenciar de perto o melhor carnaval do planeta”, disse Lyra.

Já João Campos destacou o carinho do público com Lula e disse que o presidente ficou impressionado com a festa e o afeto recebido. “Isso mostra um respeito muito grande que as pessoas têm por ele”, afirmou o prefeito de Recife.

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Lyra e Campos se cumprimentaram e foram cordiais um com o outro. O encontro entre os dois oponentes ocorre em um momento delicado, quando a Polícia Federal (PF) investiga uma acusação de espionagem da Polícia Civil do estado contra integrantes da gestão de João Campos.


Denúncia de espionagem contra funcionários de Campos

  • O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal investigue suposto monitoramento indevido feito pela Polícia Civil de Pernambuco contra dois funcionários da Prefeitura de Recife;
  • A gestão do prefeito João Campos acusa policiais civis de monitorarem a rotina do secretário Gustavo Queiroz Monteiro e do irmão dele, assessor municipal.
  • O Governo de Pernambuco confirmou que houve investigação, mas negou que tenha ocorrido espionagem contra os aliados do prefeito.
  • Gilmar Mendes afirmou que a investigação feita pela PCPE teve desvio de finalidade, falta de delimitação clara e violou o princípio de neutralidade estatal
  • O ministro classificou a investigação como uma “fishing expedition”, ou seja, uma busca ampla e genérica por indícios, prática considerada ilegal no Brasil.
  • O secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, disse que a apuração foi motivada por denúncia de recebimento de propina envolvendo um veículo da frota municipal.
  • Segundo ele, a denúncia era grave, mas não permitia abrir inquérito; por isso, foi feita apenas uma checagem, que não confirmou irregularidades e acabou arquivada.
  • A governadora Raquel Lyra comentou o caso e afirmou não se tratar de uma perseguição contra funcionários da prefeitura.
  • “Não existe por parte do governo de Pernambuco nenhuma orientação de perseguir quem quer que seja”, afirmou a governadora. “No entanto, nada nem ninguém jamais deixará de ser investigado se houver indícios suficientes para isso”, completou.

O efeito Lula

Os afagos dos dois candidatos têm motivo: a alta popularidade de Lula no estado. O presidente é pernambucano, nasceu em Caetés, no agreste. Ele deixou Pernambuco aos 7 anos de idade, em um “pau de arara”, e partiu para o litoral de São Paulo, em tentativa de fugir da fome e miséria que a família enfrentava.

A história de vida do presidente o aproximou do eleitorado pernambucano e ele sempre venceu as eleições no estado. Em 2022, conquistou 69% dos votos válidos do segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL).

E a popularidade do presidente ainda segue firme. A última pesquisa Datafolha mostra que 54% do eleitorado pernambucano pretende votar no petista no primeiro turno do pleito presidencial, com uma vantagem de 29 pontos percentuais sobre o oponente mais bem posicionado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tem 25%.

Com mais da metade do eleitorado disposto a votar em Lula, torna-se improvável vencer sem os eleitores lulistas.

O candidato do petista na disputa em Pernambuco é o prefeito João Campos, de quem o presidente se aproximou nos últimos anos e construiu uma relação a partir de diversos encontros. O último antes do Carnaval ocorreu em 10 de fevereiro, no Palácio do Planalto.

No encontro, João Campos e Lula debateram os palanques estaduais na eleição deste ano. A previsão é que PT e PSB estejam juntos em 15 das 27 unidades da federação.

Campos ainda pediu que Lula tenha palanque único em Pernambuco e apoie apenas a candidatura dele para o governo.

Lyra lutou para entrar na base do governo Lula

Mesmo com o apoio a João Campos, Lula também é próximo da governadora Raquel Lyra, como foi mostrado no Galo da Madrugada. O Metrópoles apurou que os dois políticos têm bom relacionamento e Lyra é grata pelas parcerias entre os governos federal e estadual durante o mandato dela.

A governadora relata para interlocutores que sempre encontra a porta aberta com Lula e nunca escondeu o desejo de integrar a base do governo.

Com isso, Lyra, que é do PSD, pode adotar uma posição de independência nas eleições presidenciais deste ano ou até mesmo apoiar explicitamente a candidatura de Lula.

O partido dela vai lançar um nome ao Planalto, e o governador do Paraná, Ratinho Jr., é o favorito para o posto. Mesmo assim, o  presidente da sigla, Gilberto Kassab, não deve cobrar dos governadores do partido — principalmente os de estados mais petistas — um apoio explícito a Ratinho.

“Se ela (Lyra) optar por uma outra candidatura isso não será problema, porque existem casos assim em outros estados”, afirmou Kassab no evento de filiação de Lyra no PSD, em março de 2025.

Na eleição de 2022, Raquel Lyra apoiou Simone Tebet (MDB) no primeiro turno do pleito presidencial. No segundo turno, ela optou pela neutralidade e não endossou nem Lula nem Jair Bolsonaro — movimento que vem sendo lembrado pela campanha de João Campos para desgastar a imagem de Lyra com o eleitorado petista.

Em 2022, Lyra era filiada ao PSDB. Após a vitória, a governadora pernambucana tentou articular a entrada do partido na base do governo Lula, mas não teve sucesso e decidiu mudar de sigla.

Agora, Lyra trabalha para reforçar a proximidade com Lula e mostrar para o eleitorado que, mesmo apoiando João Campos, o presidente é um aliado e não rejeitaria trabalhar com a governadora por mais quatro anos.

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