Weberthon Luiz da Silva tinha 28 anos quando deixou Goiânia rumo aos Estados Unidos. Como milhares de imigrantes que atravessam fronteiras em busca de uma vida melhor, levava na bagagem disposição para trabalhar e a esperança de conseguir construir um futuro para a família. Não imaginava, naquela época, que acabaria dono de dois restaurantes de comida brasileira nos Estados Unidos.
Hoje, 22 anos depois, o goiano de São Luís de Montes Belos é proprietário de duas unidades do The Taste of Brazil, em Filadélfia e Newark, em Nova Jersey. Ao lado da esposa, dos três filhos e do irmão, comanda uma equipe de aproximadamente 40 funcionários.
Mas a história de Weber, como é mais conhecido, começou bem longe das cozinhas. “Cheguei pelo México, aos 28 anos. Nos primeiros anos, trabalhei na construção civil. Em 2008, com a crise econômica americana e minha esposa grávida da nossa filha, Giovanna, as oportunidades ficaram mais difíceis. Aí passei a limpar casas”, conta.
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Foram sete anos nessa atividade. “A gente trabalhava muito. Naquela época, homem não fazia esse tipo de trabalho, mas era o que tinha para tentar ganhar dinheiro e sobreviver. E deu para juntar um dinheiro”, lembra.
O período também foi marcado pela saudade dos filhos. Em determinado momento, parte da família voltou ao Brasil e Weber começou a pensar seriamente em fazer o mesmo. “Já estava cansado da vida de imigrante e sentia que era hora de encerrar a experiência americana. A gente não tinha vida social. Era só trabalhar, nunca se divertia. Era juntar o dinheiro e voltar para casa.”

A proposta inesperada
Até que uma conversa durante um show de Zezé Di Camargo & Luciano, em Nova Jersey, mudou os planos. “Foi uma das pouquíssimas vezes que eu saí com minha mulher para passear nos Estados Unidos”, conta.
Weber encontrou conhecidos brasileiros no evento e comentou que pretendia voltar ao Brasil. Uma mulher que já trabalhava no ramo da alimentação perguntou o motivo e, depois de ouvir a história, fez uma proposta inesperada: que os dois se tornassem sócios em um restaurante.
No dia seguinte, Weber, a esposa e o casal foram conhecer o estabelecimento. A loja estava fechada, mas o negócio acabou acontecendo. Weber comprou a participação e assumiu o desafio. A partir dali, a vida do goiano mudou.
Ele deixou para trás as faxinas e passou a dedicar praticamente todo o tempo ao restaurante. “Eu vivo, respiro, durmo, almoço e janto dentro do restaurante”, brinca.
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A sociedade durou 11 anos. Em dezembro do ano passado, os dois decidiram seguir caminhos diferentes. Weber ficou com as duas unidades. “Agora sou eu e minha família no comando.”
Segundo ele, a comida brasileira vive um bom momento nos Estados Unidos. “Já tem muita gente copiando nossa ideia. Nossa comida faz muito sucesso aqui. Todo mundo aprova.”
O tempero que conquistou os americanos
A aposta foi justamente naquilo que Weber conhecia desde criança: comida brasileira tradicional. Nada de transformar completamente os pratos para adaptá-los ao paladar americano.
No buffet, o cliente encontra arroz, feijão, abóbora, milho, quiabo, vagem, repolho, banana e outros pratos típicos da culinária brasileira. A picanha e o churrasco também fazem sucesso. “A comida brasileira caiu na graça do americano”, conta.
Para Weber, um dos diferenciais está justamente no tempero e na variedade de pratos quentes. “Enquanto muitos restaurantes brasileiros aqui apostam mais no churrasco e no arroz, nós oferecemos uma experiência mais completa.”
As duas unidades trabalham com buffet por peso e rodízio, permitindo que o cliente escolha a forma como prefere comer. “Brasileiro prefere trabalhar com tudo, menos restaurante”
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O negócio cresceu e hoje emprega aproximadamente 40 pessoas. Há uma curiosidade na composição da equipe: apesar de o restaurante ser comandado por uma família goiana, a maioria dos funcionários é formada por latinos.
“Engraçado que os brasileiros preferem trabalhar com tudo aqui na Filadélfia, menos com restaurante”, brinca Weber. Por isso, para Weber, o restaurante acabou se tornando também uma maneira de manter viva uma parte de suas origens.
O goiano que levou Goiás na bagagem
Weberthon nasceu em São Luís de Montes Belos, mas chegou a Goiânia ainda criança, em 1981. Foi na capital que cresceu e construiu suas primeiras histórias. Ele se define como “vilanovense nato, bruto e sistemático”, em uma referência bem-humorada ao time do coração.

Estudou pouco. Chegou à quinta série e admite que, na adolescência, não levava os estudos muito a sério. “Eu gostava mesmo era de trabalhar. Com 12 anos já pegava no pesado.”
O pai, porém, sempre foi uma referência. Sem a mãe, Weber conta que o pai precisou desempenhar os dois papéis e trabalhou muito para criar os filhos. Foi também ele quem ensinou ao filho a importância do trabalho.
Curiosamente, o sonho americano era originalmente do pai. “Na verdade, quem queria vir trabalhar nos Estados Unidos era meu pai. Esse sonho era dele. Eu vim com uma passagem que ele tinha comprado, mas desistiu da viagem alguns dias antes de embarcar.”
Weber acabou fazendo a viagem que o pai havia planejado. Passaram-se 22 anos. O filho construiu uma vida nos Estados Unidos, abriu restaurantes, empregou dezenas de pessoas e encontrou na comida brasileira uma nova profissão.
Mas há uma parte da história que ainda incomoda. O pai nunca conheceu o país que um dia sonhou em morar. “Que ironia, né? Nunca consegui trazer meu pai para conhecer o país que ele sonhou morar e trabalhar.”

