O senador e presidente do PL em Goiás, Wilder Morais (PL), hoje tem como principais adversários ao governo o governador Daniel Vilela (MDB) e o ex-governador Marconi Perillo. Quem vê esse cenário, pode não imaginar que o congressista já foi próximo de Ronaldo Caiado (PSD), que apadrinha o emedebista, e do líder tucano.
De fato, Wilder foi secretário de Estado de Infraestrutura na gestão Perillo, entre 2011 e 2012. O senador deixou o cargo para assumir uma vaga ao Senado deixada por Demóstenes Torres, cassado por quebra de decoro parlamentar, após 56 votos a favor e 19 contra, devido a suspeitas de favorecimento ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Morais assumiu em 12 de julho de 2012, ficando cerca de seis anos no cargo e não se reelegendo em 2018.

Naquele momento, foram divulgados pelo Jornal Nacional áudios em que Cachoeira se dizia responsável pela indicação dele como suplente. No Twitter (hoje, X), Wilder negou qualquer gratidão ao contraventor.
No caso de Caiado, Wilder assumiu a Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços logo no começo do primeiro mandato do agora ex-governador e candidato ao Planalto. Ele deixou o cargo para disputar o Senado.
Se em 2018, ele concorreu como um novo bolsonarista, em 2022 ele já era um candidato raiz do espectro. Com quase 800 mil votos, ele conseguiu superar Marconi Perillo, Delegado Waldir e outros que disputavam a única vaga disponível para a Casa Alta do Congresso.

Trajetória
A trajetória de Wilder é uma história de superação. De família humilde, ele nasceu na zona rural de Taquaral de Goiás em 29 de junho de 1968. O pai, Natalino Alberto, era trabalhador da roça e, mais tarde, ao se mudarem para a cidade, passou a fazer bicos e até dirigir táxi. Já a mãe, Maria Angélica, atuava como costureira.
Ele era o segundo de uma prole de cinco filhos. O mais velho, Wenes, faleceu em um acidente doméstico aos 5 anos. Após o ocorrido, a família deixou a roça e foi para a cidade de Taquaral de Goiás. Dona Angélica conta que o filho andou tardiamente, quando tinha 1 ano e meio, mas nunca mais parou. Aos 8, ele também deu um susto na família, tendo encefalite e ficando seis meses acamado.

Aos 12 anos, trabalhou em uma loja de fertilizantes e começou a plantar alho, seu primeiro negócio. Quando fez 14, o hoje senador fez o curso de datilografia.
Era 1982, ano em que ele se mudou temporariamente para Itauçu. Três anos depois, a mudança foi para Goiânia, onde viveu em barracões e até uma sala comercial. Na primeira tentativa do vestibular, ele não passou. Contudo, conseguiu aprovação na segunda vez que tentou o curso de Engenharia Civil na então Universidade Católica de Goiás (UCG).
Wilder tem mais de 35 anos como engenheiro e construiu um império: está à frente de uma construtora que emprega milhares de funcionários e atua em, pelo menos, três continentes.
Cerca de um ano depois, ele já fazia estágio, sendo notado pelo dono após passar um fim de semana dormindo no stand de vendas da obra. O objetivo era guardar o local. Em 1991, ele se formou e se tornou engenheiro na empresa onde estagiou, chegando a diretor-presidente anos depois. Já em 1997, ele fundou sua própria construtora.

Política
Ele chegou à política em 2010. Naquele ano, ele foi o segundo maior doador da campanha de Demóstenes Torres ao Senado. Ele também se tornou suplente e foi convidado a ingressar no governo Marconi, como secretário, em 2011, onde ficou até assumir o posto de congressista.
Sem se reeleger em 2018, ele logo foi convidado a compor com Caiado. Em 2022, entretanto, ele optou por compor com o PL e fazer frente ao então governador, que disputava a reeleição.
Morais assumiu a vaga de candidato ao Senado na chapa encabeçada pelo então deputado federal Major Vitor Hugo (PL). O parlamentar ficou em terceiro, mas Wilder conquistou a cadeira na Casa Alta do Congresso.
Logo depois, ele assumiu a presidência do PL. A deputada federal reeleita Magda Mofatto tentou retomar as rédeas do partido no Estado (ela era presidente da sigla quando, em maio de 2022, foi substituída pelo ex-deputado federal Major Vitor Hugo, que articulou diretamente com Bolsonaro). No entanto, a direção nacional acabou escolhendo Wilder. Tanto pela votação expressiva quanto pela articulação junto ao presidente nacional Valdemar Costa Neto.

“Fogo amigo”
No começo deste ano, Wilder formalizou sua pré-candidatura ao governo de Goiás com o aval de Jair Bolsonaro (PL) após uma visita ao ex-presidente. A situação foi questionada por ala do partido, que articulava por uma aliança com Daniel Vilela.
O deputado federal Gustavo Gayer (PL), que agora é candidato ao Senado, foi um dos que mais fez ataques incisivos a Wilder, chegando a chamar o senador de mentiroso. Contudo, o próprio Eduardo Bolsonaro (PL) endossou o apoio do pai ao senador posteriormente.
Por alguns meses, o deputado permaneceu distante de Morais. Durante o evento “Acorda Goiás”, liderado por Gayer e que reuniu lideranças conservadoras em abril, Wilder ficou de fora e sequer foi citado. Nos bastidores, a informação era de ressentimento com a “água no chopp” da aliança com Daniel.
Contudo, Gayer perdeu a queda de braço e precisou ceder, uma vez que ocupa uma das vagas ao Senado na chapa. Já em maio, o deputado aumentou os gestos em favor do governadoriável.
Surpresa
Wilder, na verdade, se mostrou habilidoso não só em garantir o apoio da família Bolsonaro na disputa ao Palácio das Esmeraldas. O congressista pegou de surpresa todo o tabuleiro político ao anunciar a filiação de Ana Paula Rezende ao PL, além da posição dela como sua vice na chapa.
A filha do ex-prefeito de Goiânia e ex-governador de Goiás, Iris Rezende, deixou o MDB do pai por falta de espaço para seu projeto. A posição da advogada surpreendeu, sobretudo, Daniel Vilela. Segundo o emedebista, ninguém insistiu mais do que ele para que ela entrasse na vida pública. “Até o último prazo, eu estava no escritório dela. Se tivesse aceitado disputar, hoje era prefeita de Goiânia.”



