O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), refutou nesta sexta-feira (6/3) a declaração do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre conversas atribuídas a ele com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Ao contrário do afirmado por Moraes, em nota, o parlamentar argumenta que o colegiado não divulgou material sigiloso que envolva ministros da Corte. Na nota divulgada nesta sexta, o ministro diz que a “CPMI do INSS disponibilizou para toda a imprensa” os dados telemáticos de Daniel Vorcaro.
Em resposta, Viana alegou que “a CPMI sempre atuou dentro dos limites legais e regimentais” e afirmou que “é fundamental esclarecer de onde surgiu a informação” de que os conteúdos teriam sido divulgados pela comissão. “Antes de atribuir essa responsabilidade ao Parlamento, é preciso identificar com precisão a origem desses documentos”, afirma o senador.
Em relação à nota divulgada pelo ministro Alexandre de Moraes afirmando que a CPMI do INSS teria tornado públicas conversas envolvendo Daniel Vorcaro, é importante esclarecer que a comissão não divulgou qualquer material sigiloso envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal.…
— Carlos Viana (@carlosaviana) March 7, 2026
Supostas mensagens entre Vorcaro e Moraes
Na quarta-feira (4/3), começaram a circular na imprensa dados do celular de Daniel Vorcaro. No mesmo dia, parlamentares da CPMI também tiveram acesso à quebra de sigilo telemático do banqueiro pela Polícia Federal (PF), mas não há confirmação de que as supostas mensagens entre o magistrado e Vorcaro façam parte do mesmo material enviado à comissão.
Trechos de anotações em bloco de notas extraídos do celular de Vorcaro foram publicados pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e associados ao envio de mensagens pelo WhatsApp em modo de visualização única a Moraes.
Segundo a jornalista, o dono do Banco Master trocou mensagens com o magistrado horas antes de ser preso pela primeira vez, em 17 de novembro de 2025.
Em nota, Moraes afirmou que uma “análise técnica” realizada nos dados telemáticos de Vorcaro constatou que as mensagens de visualização única enviadas não correspondem a contatos do ministro nos arquivos apreendidos.
“Os nomes e contatos das pessoas vinculadas aos respectivos arquivos não serão mencionados na presente nota em virtude do sigilo decretado pelo ministro André Mendonça, mas constam no arquivo que a CPMI do INSS disponibilizou para toda a imprensa”, afirmou o magistrado.

