CPMI do INSS ouve filho de Maurício Camisotti, investigado pela PF

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ouve, nesta segunda-feira (9/2), o empresário Paulo Otávio Montalvão Camisotti, filho de Maurício Camisotti, investigado pela Polícia Federal (PF) por intermediar os descontos indevidos na folha de pagamento dos aposentados e pensionistas. As fraudes foram reveladas pelo Metrópoles.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu autorização para que Paulo Camisotti fique em silêncio durante depoimento ao colegiado. O habeas corpus foi criticado pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG).

O colegiado conseguiu quebrar o sigilo e obteve acesso ao relatório de inteligência financeira (RIF) de Paulo Otávio. O requerimento de convocação foi feito por parlamentares do Novo. São eles: deputado Marcel Van Hattem (RS), deputada Adriana Ventura (Novo-SP), deputado Luiz Lima (RJ) e senador Eduardo Girão (CE).

“A partir de seu depoimento será possível verificar a legalidade das relações contratuais estabelecidas, identificar se houve participação direta de agentes políticos ou públicos na viabilização das operações e determinar responsabilidades individuais pelos prejuízos causados a milhares de beneficiários do INSS”, justificam os parlamentares no documento de convocação.


  • O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023.
  • Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
  • As reportagens levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU).
  • Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23 de abril do ano passado e que culminou nas demissões do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.

O colegiado tem uma segunda pessoa na lista de oitiva: o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA), investigado pela Polícia Federal (PF) na Operação Sem Desconto.

O parlamentar, entretanto, apresentou um habeas corpus na última sexta-feira (6/2). O anúncio foi feito no X (antigo Twitter) pelo vice-presidente da CPMI, o deputado federal Duarte Júnior (PSB-MA).

Em 2025, o parlamentar relatou ter sido ameaçado por Araújo via WhatsApp e pediu proteção após registrar um boletim de ocorrência na Polícia Legislativa da Câmara.

O deputado estadual Édson Araújo alegou problemas de saúde às vésperas de sua oitiva na CPMI do INSS, pediu o adiamento do seu depoimento desta segunda-feira (09/02/2026) e ainda impetrou habeas corpus para não prestar esclarecimentos.
O Brasil precisa de respostas. Quem não…

— Duarte Jr 🇧🇷 (@DuarteJr_) February 6, 2026

Ocorre que o ministro Flávio Dino negou o pedido. Portanto, ele é obrigado a comparecer à audiência da comissão, mas pode ficar em silêncio. 

Ao analisar o pedido, o ministro afirmou que não poderia suspender a convocação porque a defesa não comprovou que tenha solicitado previamente à CPMI a dispensa ou o adiamento da oitiva por motivo de saúde.

No pedido ao STF, os advogados alegaram que Araújo enfrenta “problemas de saúde” que o impediriam de comparecer à audiência. Dino, porém, destacou que “inexiste nos autos elementos indicativos de que o requerimento relacionado à situação de saúde do paciente tenha sido submetido à autoridade apontada como coatora”.

Ameaça ao vice-presidente

Araújo é vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade que está entre as associações investigadas na Operação Sem Desconto, deflagrada em abril do ano passado e que apura descontos irregulares em benefícios do INSS, de 2019 a 2024.

Na primeira troca de mensagens, Edson Araújo diz: “Palhaçada, quer aparecer? Lugar de palhaço é no circo”. Duarte Jr. retruca a mensagem do parlamentar e, logo em seguida, recebe uma resposta mais dura de Araújo. “Nunca recebi nada de aposentado, nós ainda vamos nos encontrar”. O deputado federal, então, questiona: “Você está me ameaçando?”. Araújo responde: “Tô, por quê?”.

Confira os prints:

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Metrópoles

Capturas de tela da conversa que motivou o boletim de ocorrência registrado por Duarte Jr. contra Edson Araújo

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Reprodução

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