A segunda fase da operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes ligado ao Banco Master, uniu governistas e oposicionistas na pressão pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional. No entanto, o Metrópoles apurou que integrantes do Centrão demonstram maior resistência ao colegiado, já que parte deles mantém proximidade com Daniel Vorcaro, dono da instituição.
Foram apresentados diversos requerimentos de criação de comissões nas duas Casas do Congresso. Na Câmara, o principal é de autoria do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), enquanto no Senado um requerimento foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

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BANCO MASTER
Reprodução/Banco Master

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

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Banco Master
Michael Melo/Metrópoles

Ao Metrópoles, Jordy afirmou que o pedido, protocolado em 23 de dezembro, já reúne 257 assinaturas entre membros das duas Casas. A lista de signatários vai do senador Fabiano Contarato (PT-ES) ao líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).
“As investigações indicam que os fundos supostamente fraudulentos do Banco Master não se restringiram a operações privadas, havendo indícios de aquisição desses ativos por fundos previdenciários estaduais e municipais, incluindo regimes próprios de previdência de servidores públicos”, declarou Jordy no requerimento.
O deputado solicitou a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Esse tipo de colegiado é composto por senadores e deputados e depende do aval do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Pressão dentro do Congresso Nacional
- Pressão por CPI/CPMI: a segunda fase da operação Compliance Zero uniu governo e oposição, mas a criação de uma comissão ainda enfrenta resistência do Centrão por vínculos com Daniel Vorcaro;
- Requerimentos e apoio político: pedidos tramitam na Câmara e no Senado; proposta de Carlos Jordy já reúne 257 assinaturas de parlamentares de diferentes partidos;
- Alcance das suspeitas: Investigações apontam que fundos ligados ao Banco Master podem ter atingido previdências estaduais e municipais, incluindo regimes próprios;
- Reflexos na CPMI do INSS: Caso gera tensão política e pode levar à convocação de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, a partir de pedidos apresentados em 2025.
Caso Master pode chegar na CPMI do INSS
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também se articula para investigar um nome envolvido no escândalo do Banco Master.
Nesta semana, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), integrante do colegiado, divulgou uma lista com nomes de pastores e igrejas envolvidas no esquema do INSS. Entre os citados está o pastor e empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
Com isso, os deputados governistas Alencar Santana (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) articulam um requerimento para convocar Zettel na CPMI.
“Fabiano Campos Zettel, líder religioso da Igreja Bola de Neve, mantém estreita relação com a Igreja da Lagoinha, instituição ligada à Clava Forte Bank S/A. Considerando o escândalo envolvendo o Banco Master e as movimentações financeiras suspeitas identificadas entre o grupo denominado Golden Boys, André Valadão, Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel e as instituições financeiras relacionadas, torna-se imprescindível a convocação do referido empresário para prestar depoimento perante esta CPMI”, declarou um dos requerimentos.
A eventual convocação de Zettel também pode se tornar um trunfo do governo contra a oposição, uma vez que ele doou R$ 3 milhões para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022. O pastor também destinou outros R$ 2 milhões à candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o governo de São Paulo.

