Copom terá primeira reunião do ano com dois diretores a menos

Redação
6 Min Read
Copom terá primeira reunião do ano com dois diretores a menos

Os diretores do Banco Central (BC) realizam, nesta terça-feira (27/1), a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2026 com dois diretores a menos em seu quadro.

Os ex-diretores Renato Dias de Brito Gomes, da Organização do Sistema Financeiro, e Diogo Abry Guillen, da Política Econômica, deixaram os cargos no dia 31 de dezembro do ano passado e até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não fez nenhum aceno aos próximos indicados para compor o quadro de diretores da autoridade monetária.

A expectativa do mercado financeiro é que os nomes indicados por Lula sejam mais alinhados aos interesses do governo, como vem acontecendo nas indicações do presidente.

Leia também

O BC passa por um período conturbado de crise, ataques ao sistema financeiro nacional e a independência da instituição, indicações fortes de Lula podem ajudar a conter o momento de crise vivido pela autoridade monetária.

Por outro lado, mesmo que Lula decida fazer as indicações nos próximos dias, o que, segundo especialistas, não deve acontecer, os nomes ainda precisam passar por aprovação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, que está em recesso legislativo.

Além disso, o Senado ainda precisa aprovar o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

A indicação de Lula gerou tensão com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil – AP), que preferia outro nome para compor o STF.

Após ter marcado a sabatina de Messias, Alcolumbre decidiu cancelar o cronograma previsto sob a justificativa de que Lula estaria atrasando o envio da mensagem formal ao Senado com o objetivo de garantir mais tempo ao advogado, mirando conseguir mais apoio na votação.

Além da indicação de Lula, os nomes dos futuros diretores do BC ainda devem passar por um período de análise dos parlamentares e de conversas nos gabinetes, o chamado “beija mãos”, quando a indicação presidencial passa pelo Congresso Nacional criando relações com os políticos.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia falado que é preciso esperar pelo momento em que Lula entender como certo para realizar as indicações.

“É prerrogativa do presidente da República, como vocês imaginam, o presidente tem outros temas na mesa dela além deste tema”, disse na ocasião.

Diretoria do Banco Central será totalmente composta por indicados de Lula

Dos 9 diretores do BC, 7 foram indicações de Lula durante o seu mandato. As duas vagas que restarão entre a diretoria do banco são de nomes indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A lei da autonomia do BC estipula mandatos fixos de quatro anos para todos os membros da diretoria.


Confira os integrantes do BC indicados por Lula:

  • Gabriel Galípolo – presidente do Banco Central;
  • Ailton Aquino – diretor de Fiscalização;
  • Gilneu Vivan ​– diretor de Regulação​ e Organização do Sistema Financeiro ​​;
  • Izabela Moreira Correa – diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta;
  • Nilton David ​​– diretor de Política Monetária​;
  • Paulo Picchetti – diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos​ e Diretor de Política Econômica;
  • Rodrigo Alves Teixeira ​​​– diretor de Administração​.

Entenda o que é o Copom

  • O Comitê de Política Monetária é o órgão do Banco Central responsável por definir a taxa básica de juros da economia, a Selic;
  • O grupo usa a Selic para controlar a inflação, quando ela sobe demais, os juros aumentam; quando está baixa, há espaço para reduzir;
  • O Copom é formado pelo presidente do Banco Central e pelos diretores da instituição, especializados em áreas como política econômica e regulação;
  • O colegiado se reúne a cada 45 dias para analisar dados da economia, como inflação, câmbio, atividade e cenário internacional, antes de votar a taxa.

A expectativa é que com um BC composto integralmente por indicados de Lula, possivelmente de tendências mais moderadas, chamadas de “Dovish” no jargão econômico, para descrever posturas mais flexíveis e expansionistas com relação a taxa básica de juros e inflação, com o objetivo de favorecer o crescimento econômico e de empregos.

Atualmente a taxa de juros, a Selic, está em 15% ao ano, patamar considerado altamente restritivo por membros do governo.

Em sua comunicação, o BC avalia que não vê um horizonte próximo para o inicio da flexibilização monetária e enxerga que a taxa de juros atual deve se manter a mesma por um “período bastante prolongado”.

Segundo Iana Ferrão, economista do BTG, a política monetária permanece contracionista, com desaceleração da atividade e funcionamento dos canais de transmissão, mas abre espaço para o inicio da flexibilização monetária ainda em janeiro.

“Apesar da reprecificação recente do mercado, entendemos que janeiro permanece adequado para o início da calibragem, dado o caráter prospectivo da política monetária, a ausência de pressões adicionais relevantes de demanda e o fato de que um corte inicial de 25 pb manteria condições monetárias ainda bastante restritivas”, disse em relatório divulgado na segunda-feira (26/1).

TAGGED:
Share This Article